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10 de janeiro de 2021

Diversidade: temos que quebrar o teto de vidro.


Pois é, a proposta constante da minuta de Instrução de reforma da ICVM 480 para tornar obrigatória a divulgação de indicadores de diversidade ficou um pouco vaga, dá margem para as empresas não escreverem muito.


O item “14.1.a” da proposta obriga que as empresas passem a descrever: “número de empregados (total, e por grupos, com base na atividade desempenhada e, na por localização geográfica e em indicadores de diversidade, tais como gênero, cor ou raça, faixa etária e outros que o emissor julgue relevantes)”.


Se a proposta passar caberá aos investidores cobrarem  mais transparência e menos propaganda. Que indicadores serão utilizados? Não venham com o blábláblá “temos representação feminina no conselho de administração”.... Queremos saber quantos negros e mulheres ocupam cargos gerenciais.


Sempre repito o que foi dito pela professora do Ibmec-Rio Silvana Andrade para entendermos o que ela chama de “teto de vidro” (https://exame.abril.com.br/carreira/por-que-as-mulheres-nao-chegam-ao-board/). Quem não chega a gerente jamais será um diretor e quem não chega a diretor dificilmente chegará a conselheiro, salvo “desvios oportunísticos”, como vemos algumas mulheres que pertencem ao grupo familiar que controla a empresa listada. Ou vocês acham razoável ter uma pedagoga com sobrenome nobre como conselheira de administração titular de uma grande instituição financeira? Nada contra a profissão de pedagoga, mas a atuação em uma instituição financeira certamente exige habilidades pra lá de complexas: se eu fosse um pedagogo, biólogo ou bibliotecário não aceitaria um convite desses...


Fiquei feliz em ver que essa e outra sugestão que apresentei na reforma de 2017 (Audiência Pública SDM 10/16) e que foram recusadas à época porque, apesar de meritórias, “entendeu-se que o mais adequado é que eles sejam analisados em novo projeto normativo, de forma a propiciar uma discussão mais ampla com o mercado e a oportunidade de todos os interessados na informação opinarem sobre sua revisão”, foram incluídas na nova proposta.


Mas reforço a necessidade de participação na Audiência Pública, pois sabemos que a turma do Darth Vader irá fazer de tudo para impedir avanços na transparência.


Abraços fraternos,

Renato Chaves


2 comentários:

  1. Renato, me preocupa que iniciativas focadas apenas em quantidade de participação, sem comprometimento com a distribuição entre os níveis corporativos reforcem os esteriótipos que já vivemos em relação a representatividade de mulheres e negros. O tiro pode sair pela culatra, não acha?

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  2. Desculpa a demora, mas tive problemas com a ferramenta de administração do Blog. Concordo com a professora do IBMEC que o problema "nasce" na base da estrutura. Penso que a divulgação dos números ajuda no debate. Um forte abraço.

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