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8 de agosto de 2020

Ajustes decorrentes das distorções identificadas ao longo do processo de revisão e reconciliação da escrituração contábil: eufemismo para fraude?


Impressionante. Ninguém viu nada !!!

Outro dia, ficamos sabendo que um fundo de pensão informou nas suas demonstrações financeiras que teria aluguéis a receber no valor de R$ 1,3 bilhão em 2019, valores inflados de forma repetida desde 2015 por erro de digitação (!). Isso mesmo, os valores não passavam de R$ 142 milhões em cada ano, algo que não foi visto por experientes auditores externos.

E como pode uma empresa de capital aberto, ainda inadimplente com a publicação das demonstrações contábeis de 2019, declarar que distorções em determinadas contas contábeis chegam ao valor de R$362,3 milhões ???

E na grande empresa de varejo que fez “ajustes contábeis” de R$ 1,1 bilhão (por fraudes, erros e mudanças de estimativa conforme fato relevante de 25/3/2020), algum executivo inabilitado? Processo na CVM? Expulsão no quadro de sócios do Harmonia ou do Country Clube do RJ?

Será que veremos um dia por aqui prisões ao estilo “série Billions”?

Quem sabe uma meia dúzia de Administradores não será inabilitada na CVM?

“Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu” ..... E viva Dona Ivone Lara !!! (https://www.youtube.com/watch?v=IKrDjD_tuwI&list=RDIKrDjD_tuwI&start_radio=1&t=5)

Abraços fraternos,

Renato Chaves

1 de agosto de 2020

Assembleias de acionistas: a batalha dos Rolex.

Sei que vou arrumar “treta” com metade da OAB, mas como tenho muitos amigos advogados lá vai: as AGO/AGE, dominadas por homens engravatados (já viram uma advogada na presidência desses encontros? Nunca vi em mais de 850 milhões de assembleias presenciais e virtuais ... quem souber de “umzinho” me avisa, manda a ata por favor), parecem uma batalha de pavões, com a alternância de discursos ríspidos “de novela” e elogios ensaboados para definir quem ostenta a mais bela plumagem. 

Abre aspas: tenho que enaltecer o apoio logístico da legião de bravos estagiários, pois sem eles tais encontros estariam fadados ao insucesso; advogado com mais de 35 anos não sabe rodar a planilha para calcular o “número mágico” de ações necessárias para a eleição por voto múltiplo.

Fico imaginando a angústia desse povo com o advento das assembleias virtuais – haja estoque de gel para alisar cabelo !!!

Já escrevi bastante sobre assembleias, que chamo carinhosamente de teatro de bufões (vejam as crônicas dos dias 12/6/20 e 17/11/18 em https://www.blogdagovernanca.com/2020/06/o-enigmatico-caso-dos-advogados.html e https://www.blogdagovernanca.com/2018/11/assembleias-de-acionistas-dando-adeus.html).

Noves fora os advogados, o “destaque maior” fica com a pífia atuação dos investidores nesses encontros.

Escrevi na postagem do dia 10/7/20 sobre a complacência de investidores diante de tantos descalabros no nosso mercado de capitais (veja em

https://www.blogdagovernanca.com/2020/07/investidores-aceitam-desaforos-em-troca.html).

Já notaram que, salvo raríssimas exceções, os grandes investidores fazem papelão nas assembleias?

Perguntas objetivas antes da deliberação sobre demonstrações financeiras? Quase nunca.

Questionamentos sobre proposta de orçamento/destinação dos lucros? Coisa rara.

Voto fundamentado contra remunerações abusivas? Só mesmo dos investidores signatários do Código Amec de Princípios e Deveres dos Investidores Institucionais – Stewardship. (leia o código no link https://www.amecbrasil.org.br/stewardship/codigo/).

Mas quando é para a eleição de conselheiro tem até confraria organizada.

Confesso que na famosa AGO do dia 22/7 foi a 1ª vez que presenciei um grande investidor tentando “retirar” o seu “apoio” ao pedido de eleição de conselheiro de administração por voto múltiplo.

Pior que isso só mesmo ouvir uma procuradora repetir, às 1h30 da madrugada, um extenso voto sobre remuneração, certamente elaborado pelo 4º escalão do acionista controlador.

Semana que vem tem mais crônica sobre assembleias...

Abraços fraternos,

Renato Chaves