Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

29 de junho de 2018

Dia 25/6: um marco para o mercado de capitais no Brasil.


(postagem antecipada da semana de 2/7 pelo fervilhar da notícia)


Acabou a novela.

A visão tosca e os interesses pessoais de alguns poucos Administradores sucumbiu diante da pressão dos investidores.

Todos os meus queridos leitores sabem que bato “nessa tecla” desde o início do Blog, em 2010. Sabem também que montei uma carteira de ações bem modesta (uns R$ 5 mil no total com ações de 33 empresas), carinhosamente nomeada como “CDC-carteira de desgovernança corporativa” por incluir empresas que enfrentavam covardemente a CVM, atacada por intermédio de um “instituto chapa branca” em ação judicial. Fui a assembleias, registrei protestos, votei com boletim de voto à distância, abri processos na CVM, tudo em prol da governança, sem interesse financeiro direto.

Patriotismo? Diletantismo? Claro que não. Aqui em casa temos 4 planos de previdência, ou seja, o futuro da família depende do bom desempenho do nosso mercado de capitais. E mercado de capitais não combina com falta de transparência: quem emite ação tem patrão !!!

Curiosidade “estilo Caras”? Assunto para happy hour na Vila Mariana? Nada disso. O que os investidores querem saber é por que o CEO que está saindo (desempenho insatisfatório?) vai receber 3,5 anos de salários por cláusula de não competição, por exemplo.

Vamos a alguns fatos interessantes no acompanhamento da divulgação dos novos formulários de referência:
  • ·        Algumas empresas divulgaram de forma incompleta, como Metalúrgica Gerdau (reapresentou em 28/6), Multiplus (corrigiu em 28/6) e Even;
  • ·        CCR simplesmente ignorou a ordem do xerife e só depositou o novo formulário no dia 27/6 (pode isso Arnaldo?);
  • ·        Algumas empresas tiveram a petulância de protocolar os novos Formulários como documentos de “reapresentação espontânea”. É muita cara de pau;
  • ·        As únicas que classificaram o documento como “reapresentação por exigência” foram Vale, Suzano, Oi e Multiplus.


Pois bem, ainda deu tempo de tabular as informações das maiores remunerações de diretoria de empresas que escondiam a informação, mesclando com outras grandes empresas que divulgavam antes da derrubada da liminar.

Não se trata de um trabalho com rigor científico – deixo isso para os acadêmicos (alô alô turma da FGV, aquele abraço !!!). Que tal avaliar a variação de remuneração x resultado anual? Quem sabe uma comparação das maiores remunerações com a remuneração média de cada Cia? Prometo calcular a relação entre maior e menor remuneração nas diretorias, para identificar o verdadeiros super-homens...

Mas a planilha serve para comparar empresas do mesmo setor, por exemplo. Sem falar que alguns números saltam aos olhos, esbofeteando a cara dos investidores, como bônus de desligamento da ordem de R$ 40 milhões, variações de 300% ano a ano, empresas de educação e supermercado pagando mais que banco, empresa “esquecendo” de informar valores recebidos em subsidiárias (as menores remunerações da lista) e banco gigante escondendo informação sobre benefícios pós emprego.

Parece que os conselhos de administração têm sido muito benevolentes/magnânimos, criando verdadeiros super-homens, novos milionários em um país onde prevalece a desigualdade. Será que um executivo cria valor sozinho, algo que justifique uma remuneração de R$ 52 milhões anuais? Não me venham com o blábláblá de agregação de valor no longo prazo... Os executivos recebem muita grana no presente, tem vida curta no cargo (4 anos segundo matéria de O Globo em https://oglobo.globo.com/economia/executivos-ficam-no-maximo-quatro-anos-na-mesma-empresa-4158527) e colocam uma bolada ainda maior no bolso na hora da saída a título de “cláusula de não competição”.

Resumindo, agora é que começa a verdadeira discussão sobre remuneração.

2017
variação
2016
variação
2015
Alpargatas
7.336.200,00
-19,6%
9.129.100,00
19,2%
7.657.500,00
Aliansce
5.093.285,63
-1,4%
5.166.281,08
-0,7%
5.204.147,56
AMBEV
14.065.113,97
-5,8%
14.930.055,45
-30,1%
21.358.583,28
B2W
8.018.748,00
-17,7%
9.738.814,00
7,7%
9.045.265,00
B3
52.356.632,45
318,5%
12.510.500,88
9,8%
11.392.882,71
Banco BTG
4.700.000,00
-43,4%
8.300.000,00
-19,4%
10.300.000,00
Bradesco S.A.
15.952.500,00
-3,1%
16.470.000,00
13,0%
14.580.000,00
Braskem S.A.
13.115.784,05
93,0%
6.796.177,88
-20,8%
8.576.010,02
BRF
2.640.000,00
-40,4%
4.430.709,40
-61,6%
11.548.000,00
BrMalls
22.871.493,25
-15,8%
27.170.268,35
-19,0%
33.526.515,99
CCR S.A.
12.814.521,11
63,0%
7.859.846,02
-21,1%
9.956.828,59
CSN
4.915.361,00
7,8%
4.560.000,00
101,0%
2.269.191,00
Cielo S.A.
5.586.453,00
-67,4%
17.118.408,00
21,2%
14.124.799,00
Cosan S.A.
4.877.297,67
30,1%
3.749.130,98
14,2%
3.283.678,63
CPFL Energia S.A.
9.701.000,00
10,1%
8.808.000,00
-13,5%
10.186.000,00
Duratex
3.037.094,00
-45,4%
5.566.494,00
-40,1%
9.295.749,00
Embraer S.A.
8.251.211,67
179,8%
2.948.788,95
-82,0%
16.354.692,23
Even
7.439.490,00
#VALOR!
não divulgou
#VALOR!
não divulgou
Fibria Celulose S.A.
7.921.727,70
279,1%
2.089.629,12
-91,3%
23.923.825,74
Gerdau S.A.
422.294,42
-5,2%
445.499,31
-28,3%
621.344,24
GOL
7.527.974,06
12,8%
6.676.601,38
-3,6%
6.929.357,00
Iguatemi
8.086.564,48
43,6%
5.633.089,91
27,0%
4.435.619,65
Itaú Unibanco
40.918.000,00
-43,9%
72.935.000,00
40,2%
52.027.000,00
Itaúsa
5.819.407,00
4,9%
5.549.996,00
28,1%
4.332.000,00
Klabin
10.740.321,66
-3,7%
11.152.363,26
5,8%
10.545.221,99
Kroton
25.475.271,39
-24,6%
33.779.882,18
21,2%
27.871.343,97
Localiza
14.734.656,55
14,7%
12.845.307,12
-11,1%
14.441.931,71
Lojas Americanas
19.105.727,00
-9,7%
21.161.899,00
18,0%
17.934.098,00
Lojas Renner
21.484.446,30
46,1%
14.700.544,28
-32,0%
21.629.238,35
Metalúrgica Gerdau
821.313,15
114,9%
382.153,57
#DIV/0!
0
Minerva S.A.
2.222.797,68
0,0%
2.222.797,68
93,7%
1.147.804,52
Multiplan
19.754.789,06
80,6%
10.940.573,59
14,3%
9.568.995,56
Multiplus S.A.
4.247.863,00
12,0%
3.794.380,00
11,8%
3.393.507,00
Oi S.A.
15.514.475,00
47,7%
10.507.495,00
61,5%
6.507.067,00
Pão de Açúcar/CBD
49.727.847,00
44,1%
34.500.000,00
45,6%
23.689.376,00
Raia
12.334.388,00
14,5%
10.776.473,00
63,4%
6.596.833,00
Rumo
22.801.721,00
319,7%
5.433.292,00
327,8%
1.269.935,00
Santander
29.985.549,15
7,0%
28.013.885,04
30,4%
21.490.643,35
Suzano
11.259.426,87
-29,6%
16.002.746,10
5,4%
15.183.093,15
Telefonica
6.719.912,45
-92,0%
83.846.204,40
191,6%
28.757.353,81
TIM Participações
8.173.653,71
116,0%
3.783.998,38
-21,9%
4.847.257,28
Vale S.A.
58.539.091,15
444,8%
10.745.723,58
-53,2%
22.966.378,00
Via Varejo S.A.
14.524.254,43
46,0%
9.949.640,74
48,3%
6.708.225,06
Médias
14.456.643,21
13.883.851,18
12.749.459,34


O sol é o melhor desinfetante, já dizia um sábio juiz.

Abraços a todos,
Renato Chaves