Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço independente (sem patrocínios ou monetização digital) pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

18 de junho de 2021

Retrocessos na governança corporativa não param.

 

Todo semana uma novidade tenebrosa.


É voto plural (Medida Provisória 1040), profusão de “chapa única” para eleição de conselheiros “aceitáveis” (como ficam os seguidores de códigos de stewardship? Leia mais sobre o tema no site da Amec em https://amecbrasil.org.br/stewardship/sobre-stewardship/), compra de nome do dono que não muda nada, só transfere riqueza para controlador, além de operação com empresa controlada que depois é incorporada, tudo para ferrar minoritário pela transferência do caixa para a empresa mãe: um voo de cruzeiro a 10.000 pés de altitude, sem que o regulador questione absolutamente nada.


E acreditem, em pleno século 21 tem empresa “grande”, listada no Ibovespa, que ainda adota acordo de acionistas com vinculação de voto para conselheiros. Notem que não estamos falando de empresas privatizadas nos anos 2000; tem gente que acabou de listar ações... Será que pau que nasce torto nunca se endireita?


·        Ambev

·        Banco Inter

·        Braskem

·        BTG

·        CCR

·        Cielo

·        Ecorodovias

·        Hapvida

·        Itausa

·        Itaubanco

·        Klabin

·        Locaweb

·        Lojas Americanas

·        Minerva

·        Multiplan

·        Raia Drogasil

·        Sabesp

·        Santander

·        Taesa

·        Usiminas


Nota: essa lista foi elaborada por um amigo que pede anonimato – toda contribuição é bem-vinda !!!


Abraços fraternos,

Renato Chaves


11 de junho de 2021

Disputa de titãs: banco brasileiro entra na disputa pelo maior DARF por malfeito.

 

Pois é, e a chamada sensação de “ausência do guardião” está cada vez mais forte (vide comentário na postagem de 06/6).

E uma famosa instituição financeira brasileira (incluindo alguns diretores), conhecidíssima por receber visitinhas matinais da Polícia Federal, entrou firme na disputa entre instituições financeiras gigantescas que mais aprontam peripécias no nosso mercado: os DARFs “negociados” na semana passada totalizam R$ 6,5 milhões para engavetar processos que apuravam a MANIPULAÇÃO DE PREÇOS DE VALORES MOBILIÁRIOS e de terem deixado de atuar “com boa fé, diligência e lealdade” !!!


Estou “gritando” mesmo para ver se alguém do Ministério Público Federal ouve.


Digo e repito: como ninguém paga R$ 6,5 milhões sem a certeza da culpa fica entendido que na Rua 7/9 continua valendo a regra “fez sujeira, lavou com um DARF e tá limpinho novamente”.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

6 de junho de 2021

Disputa de titãs: quem paga o maior DARF por malfeito?

 

A profusão de termos de compromisso no nosso combalido mercado de capitais nos traz a impressão de que os criminosos da Faria Lima/Itaim Bibi/Ataulfo de Paiva são movidos pelo sentimento de “ausência do guardião” (gostei dessa expressão que ouvi em um caloroso debate entre advogados).


E na disputa entre instituições financeiras gigantescas de classe mundial que mais aprontam peripécias no nosso mercado, os suíços da sopa de letrinhas continuam na liderança, com “aquele” DARF de R$ 19,2 milhões do famoso caso de insider trading. Alias o banco suíço ainda traz na sua ficha corrida algo folclórico, quando um de seus funcionários usou a avó (isso mesmo, aquela elegante velhinha frequentadora do supermercado Mundial da Rua Siqueira Campos), para atuar em operações de “front running”.


Pois agora, “o banco que governa o mundo” (fundado em 1869 com sede em NY), parte para o contra-ataque, com um DARF de R$ 7,280 milhões para encerramento de processo sem julgamento/sem confissão de culpa/com tapinha nas costas por suposta criação de condições artificiais de demanda (infração grave né Arnaldo?). Tá lá no portal de notícias da CVM, semana de 31/5.


Como ninguém paga R$ 7 ou R$ 19 milhões sem a certeza da culpa, fica entendido assim: na Rua 7/9 continua valendo a regra “fez sujeira, lavou com um DARF e tá limpinho novamente”. Se fosse na série Billions, o Chuck Rhoades chegava às 6h da manhã na sede do bancão, todo lanhado nas costas e pescoço, mas com os federais a tiracolo gritando “te peguei Axelrod”, rsrs.


Colegiado 100% OAB vai nessa linha, tudo se resolve com negociação, deixando de lado a punição. Diversidade, ou melhor, a falta de, é assunto para a próxima postagem.


Abraços fraternos,

Renato Chaves


28 de maio de 2021

1 milhão de visitantes: toda semana tem opinião.


No momento que o Blog da Governança ultrapassa a marca de 1 milhão de visitantes nesses 11 anos, gostaria de agradecer a interação contínua com meus queridos leitores, o que me permite sempre trazer temas “quentes” no nosso mercado. Interação fora da plataforma é verdade, mas uma interação intensa e proveitosa, seja por e-mail, telefone ou por Whatsapp.


Sem utilizar qualquer tipo de ferramenta de monetização ou patrocínios, a divulgação do Blog é feita espontaneamente pelos leitores já constantes de minha base de contatos profissionais, o que valoriza ainda mais a visitação cada vez mais intensa, com quase 2.500 leitores a cada semana.


Confesso que gostaria de tratar de temas mais leves, com discussões mais teóricas sobre os desafios do mundo corporativo, mas infelizmente me vejo “atropelado” pelas situações absurdas que ocorrem quase que semanalmente no nosso mercado.


Gosto muito, e aparentemente os leitores também, de apresentar estudos sobre números pouco analisados pelo mercado, como comparativos de remuneração de conselhos e diretorias extraídos dos formulários de referência e ainda, de forma inédita, o cálculo da relação entre a maior remuneração e a remuneração média dos empregados de empresas listadas no Ibovespa.


Busco ainda compartilhar experiências vividas nos corredores de assembleias e em salas de conselhos, sempre no intuito de fomentar bons debates e questionar posturas pouco transparentes como, por exemplo, no caso das empresas que utilizavam uma liminar judicial para não informarem a remuneração de seus Administradores. “Bater” em alguns termos de compromisso firmados pelo Xerife também está na pauta permanente da “redação”.


Faço isso por diletantismo? Claro que não. Aqui em casa temos 4 planos de previdência, ou seja, o futuro da família depende do bom desempenho do nosso mercado de capitais. E mercado de capitais não combina com falta de transparência: quem emite ação tem patrão, diz o ditado.


Abraços fraternos,

Renato Chaves


23 de maio de 2021

Assembleias 100% off-line: o distanciamento da realidade.


Ao invés de distanciamento social, vemos o distanciamento societário. Apregoam possuir tecnologia de ponta para vendas na WEB, controle da produção, trabalho remoto, etc., etc., mas oferecem uma caneta Bic para a condução das assembleias de acionistas 100% presenciais, 100% off line. É a autêntica vanguarda do atraso.


Já sei, essas empresas vão escrever pomposos relatórios de sustentabilidade, tratando de consumo consciente de água, copinhos de café e papel para impressão, reduções nas emissões de carbono, mas deixando de mencionar, por exemplo, que todo santo dia seus caminhões de entrega infringem as leis de trânsito na Av. N. Sra. de Copacabana... Assim fica fácil crescer o EBITDA.


A verdade é que falta interesse em transformar assembleias em verdadeiros eventos de prestação de contas. Falta interesse, sobra medo e, em tempos de pandemia, o bom senso passa longe. Bajulam analistas, mas evitam o contato com os acionistas.


O ideal seria termos a presença obrigatória do CEO e do presidente do conselho de administração na liderança desses eventos: ausência só com justificativa plausível; atestado médico só com comprovante de internação. Se esses executivos, regiamente remunerados, não têm habilidades para lidar com seus “donos”, que deem lugar para outros profissionais mais capazes. Acreditem, já ouvi falar que participar de assembleia não está na “descrição do cargo” dos CEOs.


E digo mais: deveria ser proibido entregar a condução de uma AGO para advogados externos, quase sempre contratados para dispensar um tratamento duro, por vezes até truculento, aos acionistas minoritários. Aliás, já deixei na mesa do Xerife um pedido de investigação sobre “redação criativa de ata de AGO”.


Parece sonho um evento com espaço para perguntas e respostas, com transmissão ao vivo por intermédio de uma dessas plataformas bem baratinhas, como Zoom, Teams, Webex, etc.


Eis a lista atualizada de empresas 0% digitais, dignas de um “Troféu Falta de Conectividade”:

  • Ambev
  • B2W
  • Hapvida
  • Iguatemi Empresa de Shopping Centers
  • Jereissati Participações
  • Localiza
  • Lojas Americanas
  • Monark
  • Oi (teve transmissão estilo big brother – os acionistas só podiam dar uma olhadinha)
  • RaiaDrogasil
  • Totvs (recomendou chegar 1 hora antes – deve ser para a aglomeração ser mais efetiva)
  • Yduqs

 

Mais alguma empresa para a lista? Se souberem me mandem mensagem via e-mail, whatsapp, etc.

 

Abraços fraternos,

Renato Chaves


16 de maio de 2021

E o troféu "Falta de Conectividade" vai para ....

 

Acreditem, em plena pandemia tem empresa que fez assembleia 100% presencial, sem oferecer aos acionistas a possibilidade de participação por intermédio de plataformas digitais, como Zoom e Teams.


B2W, Lojas Americanas e Oi (só acompanhamento à distância sem a possibilidade de manifestação de voto – estilo BBB) foram algumas dessas empresas desconectadas do mercado, presas ao passado. 


Mais alguma? Se souberem me mandem mensagem via e-mail, whatsapp, etc.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

10 de maio de 2021

Empresas corruptoras e a abordagem das auditorias externas.

 

Ao pesquisar todos os pareceres de auditorias externas nas empresas que compõem o Ibovespa, me surpreendi com o tratamento dispensado ao tema corrupção.


Reparem no quadro abaixo que somente uma empresa recebeu ressalva em sua demonstração financeira, apesar da situação similar em todas elas, com ex executivos tratando com autoridades delações/acordos de não persecução civil/acordos de leniência que ajudarão a esclarecer o tamanho de cada esquema de corrupção.


 

Empresa*

Status do parecer do auditor

Auditor externo

Pequenas moedinhas, grandes propinas para alçar voos mais altos

Com ressalva

KPMG

A empresa do eteno que faz a terra tremer

Parágrafo de ênfase

Grand Thornton

Alcatra de 1ª

Parecer “limpo” – somente a menção como PAA – Principais Assuntos de Auditoria

Grand Thornton

Comprimidos que trazem alívio

Parecer “limpo” – somente a menção como PAA – Principais Assuntos de Auditoria

PwC

Pequenas moedinhas, grandes propinas (com imigração)

Parecer “limpo” – somente a menção como PAA – Principais Assuntos de Auditoria

PwC

* As empresas tiveram seus nomes preservados/fantasiados para evitarmos retaliações jurídicas contra o Blog, sugestão de um grande amigo advogado vascaíno-niteroiense. Usem, por favor, a criatividade para inferir os nomes ocultados.


Ou seja, uma única firma de auditoria fez “jogo duro”, carregando na tinta, com as demais auditorias variando entre 2 graus de miopia (parágrafo de ênfase) e 5 graus, colocando o assunto como PAA.


Fica a provocação para os investidores: depois da leitura do trecho do parecer do auditor que usou mais tinta, não bate um friozinho na barriga com o potencial de estrago futuro – perda certa, só não se sabe o tamanho do rombo? (texto extraído do parecer depositado na CVM “no momento, não é praticável determinar se há perda provável decorrente de obrigação presente em vista de evento passado e nem fazer uma mensuração razoável quanto a eventuais novas provisões passivas sobre este assunto nestas demonstrações financeiras. Consequentemente, não foi possível determinar se teria havido necessidade de efetuar ajustes e/ou divulgações adicionais nas demonstrações financeiras individuais e consolidadas em 31 de dezembro de 2020 e informações correspondentes divulgadas para fins de comparação”)


Definitivamente, temos algo de podre nos acostamentos/curvas, fábricas fétidas, pastos e farmácias desse Brasil, tudo no índice Ibovespa, ou seja, os investidores esquecem o discurso “blábláblá ESG/ASGI” e compram esses papéis para reproduzir o índice.


Abraços fraternos,

Renato Chaves