Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço independente (sem patrocínios ou monetização digital) pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

28 de maio de 2021

1 milhão de visitantes: toda semana tem opinião.


No momento que o Blog da Governança ultrapassa a marca de 1 milhão de visitantes nesses 11 anos, gostaria de agradecer a interação contínua com meus queridos leitores, o que me permite sempre trazer temas “quentes” no nosso mercado. Interação fora da plataforma é verdade, mas uma interação intensa e proveitosa, seja por e-mail, telefone ou por Whatsapp.


Sem utilizar qualquer tipo de ferramenta de monetização ou patrocínios, a divulgação do Blog é feita espontaneamente pelos leitores já constantes de minha base de contatos profissionais, o que valoriza ainda mais a visitação cada vez mais intensa, com quase 2.500 leitores a cada semana.


Confesso que gostaria de tratar de temas mais leves, com discussões mais teóricas sobre os desafios do mundo corporativo, mas infelizmente me vejo “atropelado” pelas situações absurdas que ocorrem quase que semanalmente no nosso mercado.


Gosto muito, e aparentemente os leitores também, de apresentar estudos sobre números pouco analisados pelo mercado, como comparativos de remuneração de conselhos e diretorias extraídos dos formulários de referência e ainda, de forma inédita, o cálculo da relação entre a maior remuneração e a remuneração média dos empregados de empresas listadas no Ibovespa.


Busco ainda compartilhar experiências vividas nos corredores de assembleias e em salas de conselhos, sempre no intuito de fomentar bons debates e questionar posturas pouco transparentes como, por exemplo, no caso das empresas que utilizavam uma liminar judicial para não informarem a remuneração de seus Administradores. “Bater” em alguns termos de compromisso firmados pelo Xerife também está na pauta permanente da “redação”.


Faço isso por diletantismo? Claro que não. Aqui em casa temos 4 planos de previdência, ou seja, o futuro da família depende do bom desempenho do nosso mercado de capitais. E mercado de capitais não combina com falta de transparência: quem emite ação tem patrão, diz o ditado.


Abraços fraternos,

Renato Chaves


23 de maio de 2021

Assembleias 100% off-line: o distanciamento da realidade.


Ao invés de distanciamento social, vemos o distanciamento societário. Apregoam possuir tecnologia de ponta para vendas na WEB, controle da produção, trabalho remoto, etc., etc., mas oferecem uma caneta Bic para a condução das assembleias de acionistas 100% presenciais, 100% off line. É a autêntica vanguarda do atraso.


Já sei, essas empresas vão escrever pomposos relatórios de sustentabilidade, tratando de consumo consciente de água, copinhos de café e papel para impressão, reduções nas emissões de carbono, mas deixando de mencionar, por exemplo, que todo santo dia seus caminhões de entrega infringem as leis de trânsito na Av. N. Sra. de Copacabana... Assim fica fácil crescer o EBITDA.


A verdade é que falta interesse em transformar assembleias em verdadeiros eventos de prestação de contas. Falta interesse, sobra medo e, em tempos de pandemia, o bom senso passa longe. Bajulam analistas, mas evitam o contato com os acionistas.


O ideal seria termos a presença obrigatória do CEO e do presidente do conselho de administração na liderança desses eventos: ausência só com justificativa plausível; atestado médico só com comprovante de internação. Se esses executivos, regiamente remunerados, não têm habilidades para lidar com seus “donos”, que deem lugar para outros profissionais mais capazes. Acreditem, já ouvi falar que participar de assembleia não está na “descrição do cargo” dos CEOs.


E digo mais: deveria ser proibido entregar a condução de uma AGO para advogados externos, quase sempre contratados para dispensar um tratamento duro, por vezes até truculento, aos acionistas minoritários. Aliás, já deixei na mesa do Xerife um pedido de investigação sobre “redação criativa de ata de AGO”.


Parece sonho um evento com espaço para perguntas e respostas, com transmissão ao vivo por intermédio de uma dessas plataformas bem baratinhas, como Zoom, Teams, Webex, etc.


Eis a lista atualizada de empresas 0% digitais, dignas de um “Troféu Falta de Conectividade”:

  • Ambev
  • B2W
  • Hapvida
  • Iguatemi Empresa de Shopping Centers
  • Jereissati Participações
  • Localiza
  • Lojas Americanas
  • Monark
  • Oi (teve transmissão estilo big brother – os acionistas só podiam dar uma olhadinha)
  • RaiaDrogasil
  • Totvs (recomendou chegar 1 hora antes – deve ser para a aglomeração ser mais efetiva)
  • Yduqs

 

Mais alguma empresa para a lista? Se souberem me mandem mensagem via e-mail, whatsapp, etc.

 

Abraços fraternos,

Renato Chaves


16 de maio de 2021

E o troféu "Falta de Conectividade" vai para ....

 

Acreditem, em plena pandemia tem empresa que fez assembleia 100% presencial, sem oferecer aos acionistas a possibilidade de participação por intermédio de plataformas digitais, como Zoom e Teams.


B2W, Lojas Americanas e Oi (só acompanhamento à distância sem a possibilidade de manifestação de voto – estilo BBB) foram algumas dessas empresas desconectadas do mercado, presas ao passado. 


Mais alguma? Se souberem me mandem mensagem via e-mail, whatsapp, etc.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

10 de maio de 2021

Empresas corruptoras e a abordagem das auditorias externas.

 

Ao pesquisar todos os pareceres de auditorias externas nas empresas que compõem o Ibovespa, me surpreendi com o tratamento dispensado ao tema corrupção.


Reparem no quadro abaixo que somente uma empresa recebeu ressalva em sua demonstração financeira, apesar da situação similar em todas elas, com ex executivos tratando com autoridades delações/acordos de não persecução civil/acordos de leniência que ajudarão a esclarecer o tamanho de cada esquema de corrupção.


 

Empresa*

Status do parecer do auditor

Auditor externo

Pequenas moedinhas, grandes propinas para alçar voos mais altos

Com ressalva

KPMG

A empresa do eteno que faz a terra tremer

Parágrafo de ênfase

Grand Thornton

Alcatra de 1ª

Parecer “limpo” – somente a menção como PAA – Principais Assuntos de Auditoria

Grand Thornton

Comprimidos que trazem alívio

Parecer “limpo” – somente a menção como PAA – Principais Assuntos de Auditoria

PwC

Pequenas moedinhas, grandes propinas (com imigração)

Parecer “limpo” – somente a menção como PAA – Principais Assuntos de Auditoria

PwC

* As empresas tiveram seus nomes preservados/fantasiados para evitarmos retaliações jurídicas contra o Blog, sugestão de um grande amigo advogado vascaíno-niteroiense. Usem, por favor, a criatividade para inferir os nomes ocultados.


Ou seja, uma única firma de auditoria fez “jogo duro”, carregando na tinta, com as demais auditorias variando entre 2 graus de miopia (parágrafo de ênfase) e 5 graus, colocando o assunto como PAA.


Fica a provocação para os investidores: depois da leitura do trecho do parecer do auditor que usou mais tinta, não bate um friozinho na barriga com o potencial de estrago futuro – perda certa, só não se sabe o tamanho do rombo? (texto extraído do parecer depositado na CVM “no momento, não é praticável determinar se há perda provável decorrente de obrigação presente em vista de evento passado e nem fazer uma mensuração razoável quanto a eventuais novas provisões passivas sobre este assunto nestas demonstrações financeiras. Consequentemente, não foi possível determinar se teria havido necessidade de efetuar ajustes e/ou divulgações adicionais nas demonstrações financeiras individuais e consolidadas em 31 de dezembro de 2020 e informações correspondentes divulgadas para fins de comparação”)


Definitivamente, temos algo de podre nos acostamentos/curvas, fábricas fétidas, pastos e farmácias desse Brasil, tudo no índice Ibovespa, ou seja, os investidores esquecem o discurso “blábláblá ESG/ASGI” e compram esses papéis para reproduzir o índice.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

2 de maio de 2021

Assembleias no Brasil: mais do mesmo.

 

Em recente webinar do ICGN, um dos palestrantes classificou as assembleias de acionistas como eventos frustrantes (veja no link https://www.icgn.org/events/future-agms-0). Se lá fora, com todo o ativismo dos investidores institucionais, o sentimento é de frustração (leia mais sobre um Buffett “pressionado” no link https://www.nytimes.com/2021/04/30/business/dealbook/buffett-climate-diversity.html), eu diria que por aqui vivemos em estado de desventura.


Mais uma safra de assembleias (só participei de eventos virtuais – nada de boletins de voto) e vem a 1ª constatação: são eventos construídos por advogados, para advogados e que resultam, quase sempre, na emissão de uma bela nota fiscal por advogados externos à Cia., que assim garantem uma nababesca “remuneração-extra-garantida” no mês de abril. Geralmente esses profissionais, “ex xerifes do mercado”, assumem a presidência dos trabalhos com a magnânima proteção do órgão regulador (inclusive no colegiado só tem advogado...), que já declarou que presidentes de assembleias são seres inimputáveis, praticamente deuses do Olimpo. Outras vezes, esses profissionais “deixam” um presidente-figurante assumir a presidência da reunião e atuam como secretários poderosos, para então conduzirem a assembleia com mão de ferro diante de um presidente mudo. 


Como se não bastasse, agora criaram a figura de “co secretário”, ou seja, profissionais externos que comandam a assembleia sem o risco de sujar as mãos, caso seja necessário “esbofetear” algum acionista minoritário “rebelde”, no melhor estilo segurança de supermercado de empresa listada na B3. Merece registro o estranho fato de que, em empresas problemáticas, o nome desse tal “agente externo” é suprimido da ata, sabe-se lá com que interesses, como no caso da empresa que arrecada pequenas moedinhas para pagar grandes propinas, com direito à ressalva dos auditores externos nas demonstrações financeiras.


A 2ª constatação é um reflexo da 1ª: as estruturas internas das empresas são inoperantes (por ordem de “alguém”?), salvo raríssimas exceções. Cadê o presidente do conselho de administração, o diretor jurídico? E mais: CEOs, CFOs e demais executivos aparentemente evitam interagir com acionistas; quando muito encaram uns analistas novinhos e bem serenos na reunião trimestral de apresentação de resultados. Cadê o chat de perguntas antes da AGO? Muita espuma e pouca ação.


De um lado executivos que acreditam piamente que não devem satisfação a ninguém; de outro lado temos investidores que cumprem a agenda burocrática de aprovação de contas e eleição de conselheiros (salvo raras exceções), em movimentos espasmódicos. Ou será que alguém ouviu falar que investidores da grande empresa de varejo estão questionando o uso indevido, por anos a fio, de recursos da Cia. pelos acionistas controladores em suas esbórnias pra lá de privadas, mas que eram pra lá de públicas na sede da Av. Conde Francisco Matarazzo, São Caetano do Sul (SP)?


Como diria Lulu Santos em “Tudo igual”:

Então desmonta logo esta máscara
Voltemos à estaca zero
Fica tudo igual normal...


Abraços fraternos,

Renato Chaves