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31 de outubro de 2020

Nova safra de IPOs: empresas arrumadinhas para inglês ver?

 

O excesso de liquidez permitiu que os bancos de investimentos se entupissem de dinheiro na recente onda de ofertas de ações. O “mercado” está comprando tudo; tem até oferta de ações PN, acreditem.


Interessante notar que os sistemas de governança parecem ter saído de uma receita de bolo dos escritórios de advocacia, verdadeiro copia-cola (palmas para os estagiários, gente que rala): todas as 22 empresas tem comitês de auditoria (pesquisa feita na lista da B3 - http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm). “Que beleeeeza !!!”, dirão os ingênuos e o famoso narrador de futebol. Como assim, existem ingênuos no mercado de capitais?


Diz a lenda que você deve desconfiar dessas ondas do mercado quando o ascensorista e o engraxate te perguntam sobre o comportamento da ação A ... ou X.


Pois lá vai a 1ª provocação: se o sistema de governança está sendo criado do zero por que não colocar no Estatuto Social que os comitês de auditoria são obrigatórios? Comitês não estatutários podem ser extintos de acordo com o humor do controlador; medinho de controlador iniciante? E por falar em comitês de auditoria, teremos relatórios públicos dos trabalhos realizados? Ou a falta de transparência continuará a usual de mercado? Já viram alguma denúncia formulada por COAUDs? Vale lembrar que duas famosas empresas investigadas pela Polícia Federal por pagamento de propinas para fiscais da Receita tinham robustos COAUDs, regiamente remunerados com importantes figurões (notícia fresquinha de 22/10).


2ª provocação: o blábláblá dos princípios ESG. Cadê a diversidade nos conselhos? Só tem homens brancos, com suas Mont Blanc e seus Rolex (cuidado em Congonhas...), ternos italianos, barba feita e perfil conciliador de lorde inglês recém-saído do Palácio de Buckingham.


3ª provocação: somente 3 empresas instalaram conselhos fiscais na largada. Será que essas empresas acreditam no sucesso da nefasta campanha da associação brasileira de controladores (deveria se chamar Abrasco), que tenta excluir dos boletins de voto à distância a opção de pedido de instalação de conselhos fiscais nas AGOs de abril? A CVM vai se curvar diante da pressão? Lembram-se da correria que foi quando deu crash nas empresas X, um verdadeiro barata-voa na tentativa de instalar conselhos fiscais? Pois é, a história é cruel, e por vezes se repete.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

P.S. : no próximo dia 9/11, às 18h, participarei de uma live com Vicente Camilo sobre a "disputa pela Linx", promovida pela Engagee.me no YouTube (link https://youtu.be/zzlFUm6UN5M).

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