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17 de novembro de 2018

Assembleias de acionistas: dando adeus ao teatro de bufões.



Pois é, desisti de participar do patético teatro societário brasileiro, pelo menos no seu “ato” maior, o mais enfadonho: as assembleias anuais de acionistas.

Participando nos últimos anos ativamente das assembleias anuais com uma carteira de 33 grandes empresas (com pouco mais de R$ 100,00 investidos em cada posição), as dificuldades no exercício do voto à distância e o descaso com que acionistas são tratados nesses encontros me fizeram desistir. Acreditem, até a badalada AGO da Natura não é lá essa Brastemp....

Já mencionei em várias postagens (como em 05/5/18 - https://www.blogdagovernanca.com/2018/05/assembleias-de-acionistas-o-patetico.html, em 23/4/18 - https://www.blogdagovernanca.com/2018/04/o-recado-dos-boletins-de-voto-distancia.html e em 6/1/18 - https://www.blogdagovernanca.com/2018/01/la-vem-2018-saga-de-exercer-o-voto.html) que as AGOs são eventos para “cumprir tabela”, não existindo interesse dos administradores em interagir com os acionistas presentes. Prestação de contas antes da votação das demonstrações financeiras é algo raríssimo, por exemplo. Vale lembrar que é muito comum termos a presença de CEOs e CFOs que entram mudos e saem calados das assembleias, cujo comando é delegado a advogados famosos, de honorários altíssimos, encarregados de seguir a ferro e fogo, doa a quem doer, o roteiro bolorento “ata na forma de sumário-votação relâmpago”. 

Fica a dúvida: os administradores delegam o comando da AGO a agentes externos por que não tem competência ou por que tem medo de encarar os investidores?

A criação de um sistema eletrônico que facilite o voto à distância, que deveria ser uma prioridade da B3 e da CVM, é um sonho distante. Ao invés de um sistema eletrônico disponível para todos os custodiantes, o que depende da B3 (o Itaú não esperou criou um sistema para seus clientes), o que temos hoje é um modelo arcaico e burocrático, que obriga investidores a assinar e rubricar folha por folha dos boletins de voto, digitalizando-os para transmissão por email para o custodiante, que então faz a conferência da assinatura do cliente para posterior encaminhamento às empresas. Ou seja, na era das negociações eletrônicas ainda assinamos papéis para conferência de assinatura. Com um detalhe maquiavélico: se esquecer de rubricar uma única página do boletim o voto é invalidado !!! Nem cartório de notas em Maranguape é tão exigente. Nada comparável com o descrito em mensagem da Amec do dia 26/10/18 sobre a evolução do mercado de capitais na Índia (leia no link https://www.amecbrasil.org.br/noticias-de-stewardship-13/).

Batalha perdida? Nada disso. O objetivo maior quando montei a carteira era questionar nas assembleias a falta de transparência dessas empresas sobre a remuneração de seus administradores, algo que foi superado com a derrubada da famigerada liminar IBEF.

E ainda manterei uma meia dúzia de papéis em carteira, pois mantenho alguns processos na CVM questionando o comportamento de determinados administradores e alguns acionistas controladores.

Abraços a todos,
Renato Chaves

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