Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço independente (sem patrocínios ou monetização digital) pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

23 de abril de 2018

O recado dos boletins de voto à distância para os executivos.



Parece que a ficha não caiu*.

Isso porque os altos índices de rejeição revelados pelos “mapas consolidados de voto à distância”, depositados no site da CVM, deveriam fazer conselhos de administração e executivos repensarem a estratégia de deixar a transparência na sarjeta, ao não informarem as remunerações no padrão exigido pelo nosso querido xerife. Reprovação por maioria na Vale (80,4% dos votos por boletim !!!), Cielo (74,5%), Duratex (73,7%), Iguatemi (65,9%), CCR (73,7%) e Tim (57,6%), além de altos índices de votos contrários na Sul América (38,6%) e Embraer (47,5%).

Executivos apostam na demora da nossa Justiça, que levou um ano só para distribuir a ação na 2ª Instância (!!!) e mantem o processo dormindo candidamente em bolorentas gavetas desde 2014 !!! Essa demora desmoraliza o nosso mercado de capitais, especialmente perante investidores estrangeiros.

Em qualquer empresa minimamente preocupada com seus investidores uma reprovação de mais de 20% dos acionistas votantes por boletim seria entendido como uma admoestação, um puxão de orelha antes da assembleia.

E olha que não é por falta de aviso, já que as grandes empresas de recomendação de voto (ISS e Glass Lewis) divulgaram relatórios sugerindo a reprovação de propostas em empresas que sonegam, por vontade própria, as informações exigidas no item 13.11 do Formulário de Referência (lembrando que a decisão judicial não obriga ninguém a não divulgar - só impede a CVM de punir quem não divulga). Até o nano investidor que escreve essas tortas linhas, inspirado pelos ares de Copacabana, fez o alerta diretamente aos presidentes de conselhos de administração das mais importantes empresas brasileiras (vide postagem de 30/3 - http://www.blogdagovernanca.com/2018/03/carta-de-um-pequeno-nano-investidor.html).

Abraços a todos,
Renato Chaves

* para quem tem menos de 40 anos explico que a expressão “a ficha não caiu” era usada para caracterizar a não conclusão da chamada telefônica feita em telefones públicos (os orelhões) que funcionavam com colocação de uma ficha metálica. (https://super.abril.com.br/blog/oraculo/qual-e-a-origem-da-expressao-caiu-a-ficha/).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caro visitante, apesar da ferramenta de postagem permitir o perfil "comentário anônimo", o ideal é que seja feita a identificação pelo menos com o 1º nome. A postagem não é automática, pois é feita uma avaliação para evitar spams. Agradeço desde já a sua compreensão.