5ª feira, 25/6/26: chove muito no ERREJOTA e cariocas não gostam de dias nublados.
Só mesmo a Polícia Federal para devolver o bom humor aos cariocas
em plena 5ª feira chuvosa na Cidade Maravilhosa.
Isso porque (aleluia !!!) a nova fase da operação Disclosure
finalmente incomodou acionistas de referência, credores e os 3 principais
bancos privados brasileiros – Bradesco, Itaú e Santander (veja a matéria dos
jornalistas Talita Moreira, Adriana Mattos e Mateus Coutinho — Investigação da
Americanas chega a sócio de referência, membros do conselho e bancos no
link https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/06/26/investigacao-da-americanas-chega-a-socio-de-referencia-membros-do-conselho-e-bancos.ghtml).
Ainda que a Polícia Federal trabalhe na linha de investigação de
que a fraude foi perpetrada pela antiga diretoria da Americanas, algo
corroborado por planilhas e por uma extensa troca de mensagens entre os
ex-executivos, parece que fica cada vez mais claro que a real situação
financeira da Americanas era de conhecimento de muita gente.
Sobrou até para o estagiário. Como dito pelo ex diretor financeiro
da Cia. em sua delação, Fabio Abrate: “E vocês devem ter percebido nos e-mails,
tudo o cara de baixo comunica para o cara de cima. Isso vem do estagiário”.
Conhecendo um pouco a estrutura de governança e a cultura da
organização (uma verdadeira OCRIM?), pois fui um nano-acionista das empresas por
alguns anos, o que permitiu frequentar animadas assembleias no bairro da Saúde
(RJ), sempre comandadas por carrancudos advogados contratados a peso de ouro
para evitarem qualquer tipo de “ativismo societário”, posso afirmar que é
simplesmente impensável imaginar que a turma que sonha grande tenha largado de
mão o ativo. Reparem que a cultura da turma GGG (ganância, ganhos e glamour)
sempre “elege” um dos 3 mosqueteiros para acompanhar de perto cada ativo, Fato
é que essa contabilidade anômala ou criativa (eufemismos para fraude) só foi
colocada de pé porque os bancos esconderam as cartas de circularização,
enquanto auditores fingiam não saber que o tal risco sacado existia. Todos experientes
executivos, do tempo da ficha gráfica que era utilizada na máquina Burroughs.
Mas investidores deveriam prever um final trágico, afinal essa
turma adora viver em uma montanha russa regulatória, com passagens pela SEC
(multa de US$ 62 milhões) e CVM (R$ 15 milhões no PAS 21/2005 e
R$ 3,6 milhões no PAS 09/2008, ambos encerrados com a assinatura de terminhos
de compromisso – aquela ferramenta-sem-vergonha que permite encerrar até mesmo
acusações de Insider trading sem confissão de culpa).
Abraços fraternos,
Renato Chaves
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