Alô Dino, não é falta de dinheiro, é falta de vergonha.


Parabéns Sr. Ministro pela sábia decisão, digna de um botafoguense da melhor cepa (https://cbn.globo.com/podcasts/cbn-dinheiro-marcelo-dagosto/analise/2026/05/06/stf-determina-que-taxa-de-fiscalizacao-seja-repassada-a-cvm-o-que-muda.ghtml).

Mas o cerne da questão não é a falta de recursos, e sim a chamada “captura regulatória da CVM”. Não é de hoje que, na maior cara dura, sob a complacência das autoridades, os grandes escritórios de advocacia capturaram o Colegiado da CVM.

O uso desavergonhado da porta giratória explica muito do que a Professora Lucía Ferrés destaca em seu livro “Do comando e controle à regulação responsiva: uma análise a partir da regulação do mercado de valores mobiliários” e em inúmeras postagens no LinkedIn (https://www.linkedin.com/posts/lucia-ferres-8b1469192_adi-7791-o-stf-discutiu-dinheiro-mas-por-activity-7457593008625201152-aP2d?utm_source=social_share_send&utm_medium=android_app&rcm=ACoAAAniLXUBAHuo4snVBc2pwEDwg3edBwnkg-w&utm_campaign=whatsapp), pois esses Colegiados “viciados”, impregnados de advogados, promovem “a blindagem informal de determinados grupos econômicos e a punição massiva do varejo enquanto infrações sistêmicas permanecem intocadas”. Concordo em gênero, número e grau com a Professora. Ou alguém já viu membro do Colegiado “advogado-de-mercado” pedir a inabilitação de açougueiro por Insider trading? Ou então votar pela condenação de acionista controlador que “orientou” diretores a firmarem contratos fajutos com empresas/sites de deputado para viabilizar pagamento de propina, tudo isso confessado em livro autobiográfico? Mas no varejinho sobram condenações, inabilitações e multas para os faraós de Cabo Frio...

É por isso, querido colega alvinegro, que defendo que o Colegiado seja composto exclusivamente por funcionários de carreira do Estado (CVM, BACEN, Receita Federal, AGU, etcetc). Precisamos de mais Flávias, urgente !!!

Já sei, quem defende a participação desses agentes de mercado carregados de conflitos de interesse vai me atacar afirmando que tem gente corrupta no serviço público. Ok, concordo que existem uns Paulos Robertos e Paulos Sérgios por aí, mas garanto que são exceção. Os funcionários de carreira do Estado trazem um passado limpo e lutam para honrá-lo. E mais, não tem que se preocupar em arrumar clientes depois que saírem da Rua Sete de Setembro; votam de forma dura, procurando educar e não agradar o mercado, como vimos recentemente nos corajosos votos da Diretora Flávia Perlingeiro, de origem no nosso querido BNDES.

Por fim, fica a dúvida com relação aos recursos que, doravante, ficarão na CVM: o pessoal do Centrão já foi avisado?

Abraços fraternos,

Renato Chaves

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