Abril, mês da farra dos conselhos.
Dois alertas publicados no calor das AGOs de abril merecem nossa
reflexão.
O 1º alerta vem na matéria da jornalista Fernanda Guimarães no
jornal Valor do dia 28/4, com comentários do presidente da Amec Fábio Coelho a
partir de números do estudo formulado pela Ânima Comunicação em Governança (https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/04/28/empresas-elegem-mais-de-300-conselheiros-nesta-temporada.ghtml). Segundo Fábio “as eleições deste ano se mostram mais
disputadas, com investidores desafiando as propostas da administração para
indicar candidatos aos conselhos que tragam perspectivas de mudanças na
condução de estratégias operacionais em companhias com problemas conhecidos ou
com disputas societárias, com casos mais concretos nos setores de varejo e saúde,
por exemplo.” O caso Hapvida serve de exemplo como ativismo de investidores em
2026; aliás esse caso de farra na remuneração foi “denunciado” aqui no Blog desde
2022, pelo menos (leia mais sobre o caso na postagem do Blog da Governança do
dia 10/4 no link https://www.blogdagovernanca.com/2026/04/hapvida-e-o-lamento-dos-que-dormem.html)
O outro alerta é bem mais contundente. Publicado no site da
Revista Capital Aberto no dia 27/4, o artigo do conhecido conselheiro Mauro
Cunha, que já foi presidente da Amec e do Conselho de Administração do IBGC,
denuncia irregularidades nas eleições de conselhos fiscais de empresas sem
controlador (https://capitalaberto.com.br/artigos/conselhos-fiscais-ilegais/). Os chamados acionistas de referência dessas empresas,
aproveitando a já conhecida morosidade da CVM, estão elegendo a maioria de
vagas nos conselhos fiscais diante da verdadeira baderna que se forma diante da
falta de regras e do silencio do sonolento xerife.
Sobre o “roubo” de vaga por acionistas controladores a CVM já se
pronunciou, falando agora tratar do “roubo” de vagas por acionistas de referência
em empresas sem controle. Fica feio, muito feio, já que alguns desses
acionistas de referência saem por aqui declamando aos 4 ventos que são
defensores das boas práticas de governança corporativa.
Como falamos aqui no meu querido errejota estou cansando desse
“papo caô”.
Abraços fraternos,
Renato Chaves
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