Tem CEO que sabe de tudo, tem CEO que não sabe de nada. E o conselho de administração? (PARTE I)

 

Pois é, a situação muda conforme a conveniência, mas temos uma certeza no nosso mundo corporativo: em situações complexas, na hora que a “jiripoca pia” e quando o Xerife manda ofício para todos os Admiradores, os conselheiros de administração sempre afirmam (i) que não sabiam de nada; (ii) que confiaram nos executivos; (iii) que tais executivos foram contratados com a ajuda de headhunters e eram possuidores de “reputação ilibada” e (iv) que uma fraude dificilmente é descoberta por quem não está na operação, bláblábláblá. Típico caso “CEO-sabe-tudo e Conselho-não-sabe-de-nada”.

Vejamos o caso da maior fraude contábil do Brasil (por enquanto), apelidada por mim de “o sumiço dos KitKats”.

A CVM, no melhor estilo “Jack, o estripador”, dividiu a apuração da grande fraude em partes.

Na 1ª parte a Superintendência de Processos Sancionadores (a temida SPS) nos apresenta o núcleo da fraude, sob comando do CEO, que suspostamente liderou uma suposta OCRIM com 30 elementos, superando assim o caso da empresa que tinha 3 letrinhas (mudou de nome) e arrecadava moedinhas nas estradas para pagar propina a políticos, cuja suposta OCRIM era composta de 17 executivos. Peça de acusação robusta que serve para suportar penas milionárias e inabilitações de 2 dígitos, se o Colegiado estiver com o botão “punição severa” ligado (coisa rara....). 30 executivos !!! Eita povinho que sabe guardar um segredinho.... E aqui temos uma chance de ver o Brasil desbancar Hollywood: vamos filmar “25 homens, 5 mulheres e alguns bilhões” e “17 homens e muita propina” para contrapor ao lendário filme “11 homens e um segredo”, sucesso lançado em 2001.

A outra parte da apuração é a mais glamurosa, pois promete pegar conselheiros, membros de comitês, auditores externos e até bancos (será que vai cair peixe grande nessa rede?), irá observar as chamadas “inconsistências contábeis”, eufemismo para “fraude mediante uso de técnicas refinadas”, além da eventual quebra do dever de diligência (https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/01/30/cvm-aponta-fraude-complexa-em-caso-americanas-e-abre-novos-inquritos-contra-bancos-e-conselheiros.ghtml).

Será que teremos inabilitações de 20 anos ou ficará comprovando que aquele povo bilionário, que sonha grande e pesca marlim de helicóptero (diz a lenda...), não sabe monitorar seus investimentos, participa de conselhos de administração só por lazer, networking, e fez papel de bobo quando um CFO recém chegado desbarata uma suposta OCRIM depois de apenas 2 dias de reuniões (bravo André, bandido bom é bandido investigado !!!).

Abraços fraternos,

Renato Chaves

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