5ª vaga no Colegiado da CVM: a tradição será respeitada?
Recentemente vimos a divulgação de uma nota dos Superintendentes
da Comissão de Valores Mobiliários que defende a nomeação de um servidor da
Autarquia para a 5ª vaga no Colegiado.
“Nota dos Superintendentes da Comissão de Valores Mobiliários
aos participantes dos mercados regulados, ao Governo Federal e ao Congresso
Nacional sobre a recomposição do Colegiado da CVM
Considerando que há uma vaga em aberto no Colegiado da CVM, defendemos que esta
vaga seja ocupada por um integrante oriundo do corpo de servidores da
Autarquia.
Historicamente, a presença deste integrante tem se mostrado elemento
complementar e essencial para assegurar a continuidade institucional, a
preservação da memória regulatória e a adequada compreensão das rotinas de
supervisão e fiscalização. Nesse sentido, destacamos a recomendação do Tribunal
de Contas da União (TCU), conforme o Acórdão 3252/2020.
Reconhecemos o processo iniciado pelo governo federal para recomposição do
Colegiado e esperamos que o nosso posicionamento seja acolhido e que a
diretoria esteja completa o quanto antes, com a presença de um servidor efetivo
da CVM como um dos seus diretores.”
Como já escrevi por aqui esse 5º elemento, se for um funcionário
da casa, tenderá a levar os julgamentos de processos sancionadores a empates de
2x2, pois tradicionalmente o membro do Colegiado com essa origem acompanha as
conclusões apresentadas pelas áreas técnicas nas peças de acusação, sempre bem
fundamentadas e com respeito ao amplo direito de defesa.
Observando as práticas atuais, temos quase sempre dois votos que
“tratoram” as propostas das peças de acusação, especialmente nos casos mais
complexos, como a obrigação de realização de uma OPA, e nos casos midiáticos,
como o julgamento de peixes grandes, na linha de absolvição ampla, geral e
irrestrita. Do outro lado, em linhas com os estudos técnicos, temos quase
sempre um voto a favor de condenações, da Diretora Marina. Assim, ficaríamos no
2x2, com o desempate nas mãos do diretor novato Igor Muniz.
Vamos torcer para que o Governo se sensibilize com a Nota,
honrando uma tradição antiga, lembrando que defendo uma proposta mais “dura”, “regulação-raiz”
com 100% do Colegiado composto por funcionários de carreira do Estado: CVM,
BACEN, Receita Federal, etc.
Chega de advogado-cometa, gente de “mercado” que “pega leve” nas condenações
porque estão mais interessados no carimbo de ex-CVM e nos clientes que virão.
Inabilitação é palavra proibida na Rua 7/9, mesmo quando o acusado, conselheiro
de administração e acionista controlador, usa recursos da Cia. para pagar
propina a deputados, com direito a delação premiada no Ministério Público e
confissão em livro autobiográfico.
Não menos importante, o critério diversidade deveria ser observado na próxima
indicação, com economistas, administradores, contadores, etc.
E vou mais longe: o Colegiado deveria adotar a paridade 50/50 de
homens/mulheres, com rodízio na Presidência.
Abraços fraternos,
Renato Chaves
Comentários
Postar um comentário
Caro visitante, apesar da ferramenta de postagem permitir o perfil "comentário anônimo", o ideal é que seja feita a identificação pelo menos com o 1º nome. A postagem não é automática, pois é feita uma avaliação para evitar spams. Agradeço desde já a sua compreensão.