O perfume vazou e o feitiço acabou?

 


Vazamento de informações ainda não divulgadas ao mercado é algo relativamente corriqueiro nos noticiários e na CVM, mas vazamento espontâneo, fruto de conversas entre uma Cia. e analistas em reuniões privadas, é algo inédito. Parece que a queridinha do mercado, a empresa listada mais cheirosa do Brasil, está em apuros.


Sempre questionei essas conversas privadas, pois os analistas querem saber fatos inéditos (a postagem de 08/8/21 trata do relacionamento entre investidores e conselheiros, mas se aplica também ao DRI – link   https://www.blogdagovernanca.com/2021/08/relacionamento-entre-investidores-e.html). Ninguém visita o DRI para ouvir informações pasteurizadas divulgadas nas conferências de resultados ou para beber cafezinho.


Quando a Cia. divulga guindance, como é o caso da perfumada empresa em questão, a curiosidade aumenta muito. E se, mesmo por descuido, a empresa passar a ideia de que não irá atingir o que “prometeu” abre-se a possibilidade de uso indevido dessa informação.


No dia da queda abrupta (mais de 15%), a Cia. fez reuniões com analistas de mercado, conforme Fato Relevante emitido em 21/4/2022. Diz um trecho do documento: “Em 20 de abril de 2022, a área de Relações com Investidores da Companhia manteve reuniões com analistas de mercado, visando prestar esclarecimentos e informações de forma a auxiliar tais analistas a entender os negócios e as perspectivas da Companhia” (no link https://ri.naturaeco.com/documentos-regulatorios-e-assembleias/fatos-relevantes/). 


Abre parênteses: os analistas são bem crescidinhos e muito bem formados, ou seja, não precisam de “informações” para entender o negócio.


A acusação é gravíssima e a CVM tem que agir rápido partindo para cima dos eventuais favorecidos, inclusive pessoas jurídicas.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

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