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6 de março de 2022

ESG e a piada do índice ISE.

 

Comecei a ver a lista de empresas que compõem o índice ISE da B3 e parei na letra C.


Afinal, empresa corruptora é sustentável?


Pelo jeito a avaliação sobre integridade é somente um detalhe pequeno, dispensável, pois nem cheguei na letra D e já identifiquei 3 empresas envolvidas em casos de pagamentos indevidos a terceiros, ou seja, empresas corruptoras.


Será que os envolvidos nessa “seleção” não leram o parágrafo de ênfase dos auditores externos de certa empresa que começa pela letra “B” (ref. a 31/12/2021)? Diz o texto: “Chamamos a atenção para a nota 1.5.1 às demonstrações financeiras, individuais e consolidadas, que descreve as investigações envolvendo a Companhia, bem como seus atuais e potenciais desdobramentos. No estágio atual das investigações, não é possível determinar os potenciais impactos financeiros e não-financeiros para a Companhia em decorrência dessas investigações e dos seus potenciais desdobramentos e, consequentemente, registrar potenciais perdas as quais poderão ter um impacto material adverso na posição financeira da Companhia, nos seus resultados e nos seus fluxos de caixa no futuro. Nossa opinião não está modificada em relação a esse assunto.”


Ainda na letra B temos o desastre perfeito em termos de  princípios ESG, já que a empresa é investigada por corrupção e desastre ambiental (tratado pelos auditores externos pelo elegante termo “evento geológico”). Nada que um paragrafozinho de ênfase não resolva. Considerando a já conhecida (des)governança da empresa ela pode facilmente ganhar um troféu anti–ESG.


E quando chego na letra “C” resolvo parar, pois me deparei com o caso mais esdrúxulo: simplesmente a auditoria externa sumiu com o tema de seu parecer nas DFs de 31/12/2021, algo realmente intrigante já que em 31/12/2020 as DFs ganharam o “carimbo” de RESSALVA (isso mesmo RESSALVA – única empresa do Ibovespa com essa mácula). O que motivou essa mudança radical, mesmo com a Administração da Cia. tendo declarado que “As investigações das autoridades públicas não foram concluídas e, dessa forma, novas informações podem ser reveladas no futuro, sendo certo que tais investigações correm em segredo de justiça”?


Abraços fraternos,

Renato Chaves

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