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4 de dezembro de 2021

Sustentabilidade combinada com corrupção e “evento geológico”.

 

No que depender da prévia do Índice de Sustentabilidade da B3 (o ISE para janeiro/22) a combinação existe sim; parece que a régua de seleção está quase tocando o chão (https://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-de-sustentabilidade/indice-de-sustentabilidade-empresarial-ise-composicao-da-carteira.htm).


Uma dessas “empresas-exemplos-de sustentabilidade” tem 3 parágrafos de ênfase dos auditores externos nas DFs de 31/12/20, algo que certamente contribuiu para tão “rigorosa” seleção. Os dois primeiros parágrafos tratam de casos de corrupção (o ex CEO foi condenado nos EUA com multa e detenção), enquanto o último parágrafo usa o eufemismo “evento geológico” para tratar um desastre ambiental que carrega uma provisão de R$ 9,2 bilhões (isso mesmo, bilhões !!!). Nada que uma maquiada na governança corporativa não resolva: coloca uns figurões no conselho de administração, cria uma diretoria de compliance e sustentabilidade que tudo fica limpinho novamente. Até porque o acionista controlador, que já foi preso em outro caso, certamente não sabia de nada: foi tudo culpa do Zeca.


Outra “campeã” selecionada na prévia da carteira está atolada em casos de corrupção, algo que mereceu a emissão de um parecer do auditor externo na DF-31/12/20 com ressalva (único caso entre as empresas do Ibovespa): os termos de autocomposição e acordos de leniência revelam um esquema que envolveu mais de 15 executivos (o acionista controlador não sabia de nada, tá ok – grupo de 15 meliantes é considerado “bando” ou “OCRIM”?), sendo que uma das empresas do grupo foi considerada inidônea para contratar com um Estado da região Sul. A empresa pode não ser sustentável, mas ninguém pode falar que não é criativa, já que criou uma verba para “incentivo à colaboração”, uma espécie de “bônus corrupção”. Tudo isso sob o olhar sonolento do Xerife; periga só encontrar executivo falecido quando um dia, quem sabe, os processos sancionadores forem julgados, se forem.


Resumindo: esse ISE está mais sujo que pau de galinheiro, o Xerife dorme, o blábláblá ESG continua firme e forte e os acionistas minoritários (os “minorotários”) têm que pagar as suas parcelas nas multas e “bônus corrupção” para executivos meliantes sem reclamar.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

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