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2 de maio de 2021

Assembleias no Brasil: mais do mesmo.

 

Em recente webinar do ICGN, um dos palestrantes classificou as assembleias de acionistas como eventos frustrantes (veja no link https://www.icgn.org/events/future-agms-0). Se lá fora, com todo o ativismo dos investidores institucionais, o sentimento é de frustração (leia mais sobre um Buffett “pressionado” no link https://www.nytimes.com/2021/04/30/business/dealbook/buffett-climate-diversity.html), eu diria que por aqui vivemos em estado de desventura.


Mais uma safra de assembleias (só participei de eventos virtuais – nada de boletins de voto) e vem a 1ª constatação: são eventos construídos por advogados, para advogados e que resultam, quase sempre, na emissão de uma bela nota fiscal por advogados externos à Cia., que assim garantem uma nababesca “remuneração-extra-garantida” no mês de abril. Geralmente esses profissionais, “ex xerifes do mercado”, assumem a presidência dos trabalhos com a magnânima proteção do órgão regulador (inclusive no colegiado só tem advogado...), que já declarou que presidentes de assembleias são seres inimputáveis, praticamente deuses do Olimpo. Outras vezes, esses profissionais “deixam” um presidente-figurante assumir a presidência da reunião e atuam como secretários poderosos, para então conduzirem a assembleia com mão de ferro diante de um presidente mudo. 


Como se não bastasse, agora criaram a figura de “co secretário”, ou seja, profissionais externos que comandam a assembleia sem o risco de sujar as mãos, caso seja necessário “esbofetear” algum acionista minoritário “rebelde”, no melhor estilo segurança de supermercado de empresa listada na B3. Merece registro o estranho fato de que, em empresas problemáticas, o nome desse tal “agente externo” é suprimido da ata, sabe-se lá com que interesses, como no caso da empresa que arrecada pequenas moedinhas para pagar grandes propinas, com direito à ressalva dos auditores externos nas demonstrações financeiras.


A 2ª constatação é um reflexo da 1ª: as estruturas internas das empresas são inoperantes (por ordem de “alguém”?), salvo raríssimas exceções. Cadê o presidente do conselho de administração, o diretor jurídico? E mais: CEOs, CFOs e demais executivos aparentemente evitam interagir com acionistas; quando muito encaram uns analistas novinhos e bem serenos na reunião trimestral de apresentação de resultados. Cadê o chat de perguntas antes da AGO? Muita espuma e pouca ação.


De um lado executivos que acreditam piamente que não devem satisfação a ninguém; de outro lado temos investidores que cumprem a agenda burocrática de aprovação de contas e eleição de conselheiros (salvo raras exceções), em movimentos espasmódicos. Ou será que alguém ouviu falar que investidores da grande empresa de varejo estão questionando o uso indevido, por anos a fio, de recursos da Cia. pelos acionistas controladores em suas esbórnias pra lá de privadas, mas que eram pra lá de públicas na sede da Av. Conde Francisco Matarazzo, São Caetano do Sul (SP)?


Como diria Lulu Santos em “Tudo igual”:

Então desmonta logo esta máscara
Voltemos à estaca zero
Fica tudo igual normal...


Abraços fraternos,

Renato Chaves

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