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7 de fevereiro de 2020

Os coveiros rondam o Novo Mercado.



Crônica de uma morte anunciada: esse poderia ser o título da postagem, em homenagem ao primoroso livro do gigante Gabo.

Criado com uma régua de exigências mais alta para atrair investidores preocupados com as boas práticas de Governança Corporativa, o Novo Mercado no Brasil caminha para um triste fim, a depender dos engravatados rapazes dos bancos de investimentos, da nossa pomposa bolsa de valores e de alguns outros atores importantes, como a famosa associação de empresas (leia-se controladores inescrupulosos escondidos por trás de uma confraria), os assessores jurídicos e alguns conselheiros-celebridades.

Os rapazes dos bancos de investimentos querem é vender, garantir o leite das crianças (o milk melhor dizendo) e um novo Rolex no pulso, substituindo aquele que foi roubado na saída de Congonhas: dane-se o mundo que eu não me chamo Raimundo, e por tabela dane-se a tal governança corporativa.

A nossa bolsa estimula o debate, de forma até envergonhada, com o discurso de que se as regras não forem flexibilizadas as empresas abrirão capital lá fora. Que tal mexer nos custos de manutenção de uma empresa listada ao invés de esculhambar o modelo de governança corporativa “uma ação um voto” que alinha acionistas?

Que tal dispensar as empresas listadas do relatório do auditor externo nos ITRs, barateando o contrato, lembrando que o texto padrão dos auditores afirma que o documento “não expressa uma opinião de auditoria”? É como chegar ao consultório médico espirrando muito, responder 3 perguntas (à distância.. nesses tempos de Coronavírus) e o médico afirmar que você está gripado, mas que aquela não é uma opinião médica.

Vale lembrar que o meu real é igual ao seu real, caro Guilherme. Como dizia Bezerra da Silva “malandro é malandro e mané é mané”.

Os assessores jurídicos escrevem qualquer coisa para justificar o polpudo cheque, que por sua vez garante a mansão-ostentação em Nogueira ou adjacências.

A fórmula é captar com pouco custo, com grande dispersão acionária, o que garante zero de interferência na gestão... o melhor dos mundos para administradores desalinhados e pouco avessos à modelos sérios de prestação de contas. Quem habita o condado do Leblon se lembra daquela empresa cuja AGO durou mais de 8 horas, com acionistas questionando o CEO maratonista que conseguia a proeza de adotar o modelo "remuneração excessiva-performance pífia"... Isso sem falar nos controladores inescrupulosos reunidos para o cafezinho na Av. Santo Amaro, Jardim Paulista.

Ao copiar o modelo norte americano de ações com super voto, os coveiros do Novo Mercado buscam dourar a pílula com promessas feitas em slide PowerPoint, privilegiando a falta de transparência, com acionistas impedidos de solicitar informações, afinal que não tem voto não tem voz... simples assim.

Será que o nobre deputado que propõe essa aberração entende que o arcabouço jurídico que protege o investidor nos EUA é igual ao nosso? Que a nossa CVM está tão equipada quanto a SEC? Temos que garantir a permanência dos fundadores, sem eles o negócio desanda, afirmam os fariseus... Mas peralá, a empresa já tem mais de 10 anos na praça !!! Aqui se cria até contrato para justificar o pagamento de R$ 160 milhões para fundador não competir com a empresa !!! Argumentos falaciosos que buscam dissimular a nossa dura realidade.

AMEC já se manifestou contra, esperamos uma posição firme do IBGC contra mais essa aberração.

Por aqui, no condado de Copacabana, tem muito estoque de bambu e, consequentemente, muita flecha.

Abraços a todos,
Renato Chaves

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