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24 de março de 2019

O pedágio mais caro do mundo.



Acionistas de uma outrora bem conceituada empresa listada no Novo Mercado foram surpreendidos com mais um desembolso de caixa para o encerramento de acordo com autoridades que apuram o pagamento de propinas a agentes públicos, dessa vez com o Ministério Público Federal.

Soma-se a isso os gastos milionários com a contratação de consultorias para “revisar a estrutura de governança da Companhia em linha com as melhores práticas nacionais e internacionais, e da [auditoria big4] para realizar o mapeamento de riscos e estruturação da área de gestão de riscos”, a nomeação de um novo cargo na estrutura diretiva (VP de Compliance), além da criação do chamado “comitê independente” para “conduzir uma investigação profunda e meticulosa dos eventos citados no depoimento divulgado na mídia e conexos”, e temos um prejuízo incalculável para os investidores da Cia.

Mas não é “só isso tudo”... A AGE convocada para abril propõe, além da aprovação do pagamento de custos adicionais com os “funcionários colaboradores” nos citados acordos, que serão mantidos indenes de custos (inclusive de advogados) e indenizações relacionados a eventuais demandas de terceiros, e também da própria Companhia, pelos fatos eventualmente confessados por eles, ainda que tenham causado prejuízos à Companhia, o desembolso de aproximadamente R$ 50 milhões com o pagamento de 60 salários para cada “colaborador”, uma espécie de prêmio para quem ajudou jogar a reputação da Cia na sarjeta. 

E tem mais: a AGE irá aprovar, certamente com o voto conflitado do bloco controlador, a não propositura de ação de responsabilidade civil contra os antigos administradores participantes do Programa de Incentivo à Colaboração !!!

Ok, a turma de colarinho branco/caneta MontBlanc resolve a vida com as autoridades na esfera penal, fica indene, a empresa paga a conta (incluindo minoritários-otários, os famosos minorotários), mas como fica a situação do “time” de gestores na esfera administrativa? Alguma punição depois de saírem de fininho? Inabilitação na CVM? E os acionistas controladores? Não sabiam de nada? Tão ingênuos, praticamente uns tolinhos...

Toda corrupção será perdoada, com o aval dos investidores institucionais.

Abraços a todos,
Renato Chaves

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