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15 de fevereiro de 2019

Falta de transparência: CVM bate na Embraer para evitar o pior.


A partir de reclamação feita por acionistas minoritários a CVM abriu processo sancionador para apurar responsabilidades pela divulgação de fato relevante incompleto. Ocultação de informação como artimanha para convencer os candidatos ao Planalto à época e por tabela os incautos acionistas? (processo nº 19957/010559/2018-12 – RJ2018/7953 - vide matéria no jornal Valor de 11/2 - https://www.valor.com.br/empresas/6112095/cvm-analisa-fato-relevante-da-embraer-sobre-boeing).

Haja criatividade para dourar a pílula, se escrever muito se complica, se escrever pouco não convence nem o pipoqueiro da Praça Ulysses Guimarães, em São José dos Campos. 

E convenhamos, convencer “gregos e baianos” que a aquisição de controle é uma parceria estratégica não é fácil. Parceria que transforma a Embraer em uma “empresinha” de participações minoritárias, um escritório na Berrini para viver de dividendos futuros (incertos), sem administradores na nova empresa, somente um “conselheiro voyer”, sem poder algum de gestão no negócio que hoje é o motor da empresa, motivo de orgulho nacional... Transferência de “instalações contribuídas” listadas em apêndice “confidencial” do memorando? Como assim? Vão levar embora a engenharia, as ferramentas (adeus parafusadeira/rebitadeira... e os empregos?), a carteira de clientes com a liderança mundial do mercado de aviação comercial e tem a pachorra de afirmar que não estão comprando nada, só fazendo uma “parceria”.

Sei o que foi “vendido” aos acionistas na reestruturação societária em 2006, eu estava lá queridos leitores. Estatuto Social existe para ser respeitado !!! SMJ.

Parceria com nome de “joint venture-JV” né? Então quem avaliou a contribuição “estratégica” da Boeing? Cadê o laudo, cara pálida? Não tem avaliação porque a “contribuição” será em dinheiro, só precisa avaliar um lado? Então é a compra de “algo” (ou seja ativos), uma aquisição de propriedade? Quanto mais o DRI e assessores milionários escrevem, mais se complicam.

Não vou entrar no mérito do preço porque a operação já nasceu de forma irregular... 

“Pau que nasce torto nunca se endireita, tchan, tchan, tchan”. 

Mas experientes analistas afirmam que a Boeing está comprando um projeto campeão por valor parecido com aquele afundado pela concorrente canadense em um projeto reconhecidamente ruim

E a “parceria KC-390” hein? Os gringos vem e pegam um projeto já pronto, voando, oferecendo 51% só para agradar os sisudos homens de azul? Sede em Delaware? Governança com 5 conselheiros, sendo que o solitário “Mr. Boeing” poderá vetar tudo? Estranho, muito estranho...

A CVM tem até o dia 26/2 para bater o martelo (será que Darth Vader em pessoa irá comandar a AGE como preposto regiamente remunerado da Administração ou mandará um de seus pupilos?).

Se a CVM deixar passar essa operação de “compra de controle disfarçada”, ou outra que venha a ser desenhada por criativos advogados e banqueiros para fugir da regra estatutária para troca de controle, a porteira estará escancarada para a “leitura maliciosa de estatutos sociais”.

Abraços a todos,
Renato Chaves

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