Tá lá o corpo estendido no chão.

 

Escrevo esta postagem depois de assistir a peça “Beijo no asfalto”, sucesso de bilheteria que vai até o dia 03/8 no Teatro Glaucio Gil, no Rio de Janeiro. Imperdível.

E a música-tema do espetáculo (De frente pro crime, dos brilhantes Aldir Blanc e João Bosco) nos traz um trecho que serve para emoldurar meus tímidos protestos por mais uma sessão de absolvição ampla, geral e irrestrita que aconteceu na Rua Sete de Setembro:

 

“Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém”

 

A acusação contra dois executivos de uma importante empresa listada, dessas que carregam no nome a maldição das três letrinhas (leia mais na postagem de 27/9/23 - https://www.blogdagovernanca.com/2023/09/a-maldicao-das-3-letrinhas.html), era pesada: divulgação seletiva de informações sigilosas e relevantes, divulgação de informação falsa ao mercado, recompra irregular de ações e liberalidade na aprovação de pagamentos indevidos de bônus milionários (R$ 46,6 milhões).

O assunto parecia chiclete em boca de velho, pois o colegiado da CVM ficou adiando o julgamento desde 2020. Isso mesmo, parece que não existe regra na CVM para pedido de vista por parte dos diretores. Em compensação, quando é o julgamento de um bagrinho, esses “zéninguens” que aplicam golpes de bitcoin, etc. a condenação é rápida e pesada. Lembram dos R$ 102 milhões de multa para o Faraó? Quero ver a CVM pegar a turma GGG.

Resultado do espetáculo: o DRI, que já havia sido condenado em outro processo, por unanimidade, à multa máxima de R$ 20 milhões por manipulação de preços de ações, desta vez teve melhor sorte, sendo absolvido; mesma sorte do diretor presidente da Cia.

Fico pensando aqui com meus botões: essa tal de SPS (olha as 3 letrinhas ai de novo !!!), a Superintendência de Processos Sancionadores, só deve ser composta por técnicos que usam aqueles óculos de fundo de garrafa, ficam procurando pelo em ovo. Acusação mal formulada? Não acredito.

No mais fica a constatação de que o CEO sempre é o enganado, nunca sabe de nada. Foi assim em Brumadinho, provavelmente será assim com a turma que afundou Maceió. Vou escrever uma postagem “Pra que ter CEO?”

Diante de mais um caso de absolvição ampla, geral e irrestrita, com o corpo estendido no chão, o silêncio serve de amém.

Abraços fraternos,

Renato Chaves

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