Um nome novo e a falta de transparência de sempre.
Já repararam que tem muita gente mudando o nome. São mudanças
simples: coloca-se mais um N ali, mais um U acolá, um S a mais fica bonito,
rsrsrs... É um tal de Xanddy (ou seria Xanndy?), Nanddo (ou Nanndo?), tem até
um apresentador de TV que se apresenta como Beetto Saad.... Outro dia conheci
um Arquimmedes e um Leanndro. Sem ter a pretensão de julgar quem faz isso
fiquei pensando: será que a numerologia está dominando o mundo? Que tal
FUURNAS, FURNNAS ou até FURNASS? Posso garantir que aqui em casa não vai ter
Rennato, muito menos Rennatto e jamais adotarei o nome Bllog da Governnança.
Mas e mudar o nome de uma empresa listada, deveria ser assunto de
assembleia? Pode ser obrigatório, como empresas privatizadas que não devem
carregar o antigo nome ligado ao Estado, por exemplo, pode não estar no
Estatuto Social, mas o bom senso diz que sim, até porque essa “brincadeira”, o
“rebranding”, pode custar R$ 60 milhões !!! Esse foi o valor gasto para mudar o
nome de uma empresa recentemente privatizada, segundo relatos oficiais na DFP
entregue na CVM. R$ 60 milhões até agora, pois certamente virá uma campanha
publicitária com artistas globais, em horário nobre, para tornar o nome de
origem grega que significa valor um nome popular.
Lembram quando tentaram mudar o nome da Petrobras para Petrobrax? Quanto
custou aquela “brincadeira” para os acionistas?
Mas afinal, gastar R$ 60 milhões para trocar o nome é muito ou é
pouco? Infelizmente temos poucos exemplos de “rebranding” em empresas listadas.
A CCR, por conta do passado pra lá de nebuloso de corrupção sistêmica, mudou o
nome para Motiva e gastou módicos R$ 4 milhões (https://valor.globo.com/empresas/marketing/noticia/2025/05/02/ccr-investe-r-4-milhoes-e-muda-nome-para-motiva.ghtml). A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, criou esse nome
gastando um valor desconhecido, guardado a 7 chaves: o contato via canal de RI
é simplesmente ignorado pela Cia. e as DFs não revelam esse valor.
Quem sabe a saída menos onerosa seja adotar a lógica da turma do
grande-açougue? Basta escolher 3 letrinhas... Poderia ser BFR, em homenagem ao
Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas? Que tal EGE, empresa geradora de
energia ou empresa grande de energia? EBE, empresa Brasil de energia ou, em
homenagem ao carnaval carioca, a GEE – grande empresa de energia? Mas vou logo
alertando que existe a maldição das 3 letrinhas (veja a postagem de 29/9/23 no
link https://www.blogdagovernanca.com/2023/09/a-maldicao-das-3-letrinhas.html).
Eu gosto mesmo é da criatividade dos advogados. Lembro da época
que proliferavam empresas de propósitos específicos (as SPEs) com números na
razão social: era um tal de 521, 524, 626... Por vezes era uma homenagem ao
número do prédio na Faria Lima, os 3 últimos números do PABX ou do RG da
testemunha de um contrato. Diz a lenda que 3 experientes advogados de um
renomado escritório carioca, também com 3 letrinhas, diante da falta de um nome
grego com simbolismo, perguntaram qual linha de ônibus o estagiário usava diariamente.
E assim teria sido criada a 521 Participações, uma singela homenagem à linha
Vidigal-Botafogo, via Copacabana.
Brincadeiras à parte, penso que a troca de nome é coisa séria e
deveria passar pela Assembleia de Acionistas, com a devida transparência sobre
os custos envolvidos.
Abraços fraternos,
Renato Chaves
* texto revisado
às 17h31
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