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A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço independente (sem patrocínios ou monetização digital) pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

17 de julho de 2021

Seu voto vale nada, ou quase nada.

 

Esqueça o conceito elementar da Governança Corporativa – uma ação, um voto – aquele que alinha interesses de todos os proprietários, pois trata unidades monetárias de forma igual: o meu real investido na AMBEV é igual ao real do fundo de pensão das professoras do Nebraska e do bilionário brasileiro JP.


Notícias da terra que inventou o futebol (mas que não ganha nada), e da Rua 7 de Setembro, dão conta que o supervoto ganha força, para preocupação do pessoal da AMEC e ICGN (vejam os links no final).


Parece que o excesso de liquidez e juros baixos fazem os gestores de investimentos aceitem comprar qualquer papel, na tentativa de garantir rentabilidade (própria e de seus clientes). Supervoto é tech, supervoto é pop...


Uma ação, dez votos: gaiato quem oferece, bobo é quem compra. Visionários e carismáticos, esses controladores, especialmente de empresas de tecnologia, merecem um tratamento diferenciado sob a ótica econômica, dizem os bancos de investimentos que viabilizam tais negócios. Pera lá: essa diferenciação não aparece na precificação do IPO, quando investidores aceitam pagar múltiplos de zilhões de vezes o EBTIDA? Fica parecendo que estão fazendo um favor aos investidores, dando-lhes a oportunidade de compartilhar do convívio e sabedoria desses seres iluminados. Quem sabe não oferecem um voucher para um voo pela estratosfera para os acionistas de 2ª categoria?


Ah, mas e se tiver desalinhamento entre sócios? Bem, para a grande maioria desses investidores míopes basta vender o papel e partir para outra, lembrando-se de colocar o assunto na resenha do cafezinho do próximo congresso de governança corporativa, já que congressos do gênero normalmente tratam de amenidades.


Está insatisfeito com os rumos da empresa e quer eleger um conselheiro de administração, no melhor estilo Robert Monks? Sinto muito, não vai dar: sua ação vale um voto, mas a ação do controlador vale 10 votos. Desconfia que o controlador está usando indevidamente os recursos da Cia. e quer instalar um conselho fiscal? Reclama com o Papa Francisco.


Por aqui, já vemos sinais “modernosos” na Autarquia de que o voto “plural”, o voto tech, o voto pop, ganha força (veja matéria da jornalista Mariana Durão no link https://economia.estadao.com.br/noticias/governanca,novo-diretor-da-cvm-e-a-favor-do-voto-plural-e-do-fim-da-exclusividade-de-agentes-autonomos,70003527846).


Mas nada de desanimo, pois se temos estoque de bambu, não faltará flecha.


Abraços fraternos,

Renato Chaves

Links de interesse: (i) reportagem do jornal Valor em https://pipelinevalor.globo.com/mercado/noticia/londres-se-rende-ao-supervoto-para-reter-techs-na-bolsa.ghtml), (ii) Carta AMEC em https://www.amecbrasil.org.br/wp-content/uploads/2020/10/CARTA-AMEC-VOTO-PLURAL-NO-BRASIL-V01.pdf, (iii) manifestação do ICGN em https://www.icgn.org/sites/default/files/Supervoting%20shares%20for%20Brazilian%20companies%20PUBLIC_1.pdf, (iv) palestra do advogado Rick Fleming na conferência ICGN-Miami 2019 (https://www.sec.gov/news/speech/fleming-dual-class-shares-recipe-disaster).


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