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8 de janeiro de 2016

Camarão que dorme a onda leva.

Já dizia o ilustre botafoguense, grande intérprete e compositor Zeca Pagodinho.

Pra início de conversa realizar AGE entre 15/12 a 15/1 soa estranho para os investidores. Por que a pressa? Época de recesso em muitas instituições, definitivamente não é o momento para tratar de temas sensíveis, como uma mudança de Estatuto Social.

Pausa para lembrarmos de um exemplo bizarro: uma AGE da Jari Celulose S.A. foi convocada no dia 10/12/2004 para realização em 29/12/2004. Detalhes importantes: (i) a ordem do dia previa nada mais nada menos do que a aprovação de um aumento de capital; (ii) os representantes dos acionistas deveriam se deslocar para o pacato distrito de Monte Dourado, município de Almeirim (PA) !!!

Pois a assembleia da Br Malls, inicialmente convocada em 11/12 para ser realizada no dia 12/1, foi adiada a pedido de investidores que ponderaram que a análise seria prejudicada por conta do recesso de Natal e Ano Novo. Prevaleceu o bom senso e foi marcada uma nova data – 3/2.

Mas o fato é que o bacalhau de final de ano não desceu bem. Isso porque a mudança da cláusula de proteção à dispersão acionária (com previsão de realização de Oferta Pública-OPA por Atingimento de Participação Relevante), conhecida como “poison pill”, trazia como novidade a utilização de laudo de avaliação como parâmetro de preço. Dizia a Cia. que seria uma defesa contra o eventual preço depreciado do papel na bolsa.

Ok, faz algum sentido, mas cachorro mordido de cobra tem medo de salsicha. Laudos de avaliação contratados por quem pode carregar eventual conflito – sejam controladores ou executivos interessados em perpetuar o comando da empresa – não são garantia de preço justo. Já bati nessa tecla recentemente – postagem de 19/12 (O Natal está chegando: o investidor que acredita em laudos de avaliação também tem que acreditar em Papai Noel).

E por que não usar o CAF (http://cafbrasil.org.br/site/caf/o-que-e/)? Fica a provocação de um micro acionista da empresa.

Por fim, para piorar a situação, faltou cuidado na elaboração do material, pois pelo menos o quadro “ORIGEM E JUSTIFICATIVA DA ALTERAÇÃO PROPOSTA AO ESTATUTO SOCIAL” (anexo II) deveria ser disponibilizado também em inglês, considerando o grande número de investidores estrangeiros.

Resultado parcial: a AGE foi cancelada pelo Conselho de Administração reunido no dia 7/1. E sem previsão de nova data, segundo o RI da empresa.

Moral da história: investidor tem que ficar atento, se não a onda leva.

Abraços a todos,

Renato Chaves

3 comentários:

  1. Análise muito boa. E não param de repetir essa prática. Lamentável.

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  2. Pois é... certas "sacadas" é só pra quem tem tempo de estrada, né Renato ? Jari Celulose foi do "fundo do baú" rsrsrs

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    Respostas
    1. Pois é Odilon, aprendendo com o passado.
      Um forte abraço.
      Renato Chaves

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