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Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

12 de outubro de 2014

Quer evitar processo? Seja cético, sempre.


E não acredite em números. Pode parecer estranho um contador fazer tal afirmação, mas a dura realidade nos revela que no mundo corporativo papel em branco aceita qualquer desaforo, e quem “fabrica” os números está cada vez mais desaforado. Quem manda nas empresas são os executivos e não os conselhos.
 
Vejamos alguns casos interessantes de grandes projetos de grandes empresas que fizeram “água”:

  • Caso 1: a gigante da mineração Anglo American estimava gastar US$ 2,5 bilhões no chamado projeto “Minas-Rio”. Vai gastar US$ 8,8 bilhões, com 2 anos de atraso (segundo o jornal Valor do dia 3/9). Algum processo contra os Administradores? Nada. A cotação dos papéis sofreu, mas certamente os executivos que saíram ficaram um pouco mais ricos...

  • Caso 2: outra gigante da mineração gastou US$ 3,7 bilhões na compra de ativos em Moçambique em 2011, posteriormente vendidos por incríveis US$ 50 milhões. Isso mesmo, apenas US$ 50 milhões. E a história se repete: teatrinho de insatisfação do conselho, CEO pedindo demissão depois de baixas contábeis de mais de US$ 14 bilhões, mas com bônus garantido para curtir uma bela aposentadoria em alguma praia australiana. Em 2011 esse CEO recebeu nada menos que £$ 4,5 milhões; em 2010 somente £$1,6 milhão (em dinheiro vivo, claro). Algum processo, bens bloqueados, inabilitação? Nada. 

Como saber se o conselho atuou com diligência? No Brasil isso é impossível, pois temos um agravante: impera a verdadeira arte de evitar a transparência com atas que dizem pouco ou quase nada. Não se trata de “cultura dominante”, mas sim um desejo intencional de não ser transparente. Traduzindo para o bom português, sem blá, blá, blá: é má fé, cara de pau mesmo. Não é à toa que as atas são geralmente escritas por competentes advogados, prontos para atender desejos de controladores com rebuscados textos para jogar cinzas vulcânicas sobre a transparência. Quem nunca viu uma ata relatando que determinado tema foi aprovado por maioria?

Resumindo: ao aprovar um projeto tenha a certeza que os gastos estimados serão extrapolados. Seja cético, questione, peça estudos externos (contratados pelo Conselho e não pelo CEO – quem paga manda, diz o ditado) e faça constar seus registros em ata. Sempre.

Abraços a todos,
Renato Chaves

2 comentários:

  1. Boa, Renato !! Faltou falar dos projetos das Refinarias Abreu e Lima e o COMPERJ, ambas da Petrobrás ... abração
    Odilon

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    Respostas
    1. Caro Odilon,
      No momento que um grande número de ativistas discute a responsabilidade de Administradores é importante ressaltar que os problemas acontecem em todo tipo de empresa, independente do perfil do controle.
      Lembro que recentemente uma grande empresa nacional se desfez das operações de lácteos e carne bovina, após constantes prejuízos. Nenhuma palavra dos investidores ativistas... Por que será?

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