A CVM que queremos. E a que não queremos.


Chegando perto do rega-bofe de comemoração dos 49 anos de criação da CVM (imaginem as comemorações dos 50 anos... Copacabana Palace?), resgato um artigo provocativo do presidente-executivo da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) Fábio Coelho para colocar lenha na fogueira: o que está ruim ainda pode piorar (https://valorinveste.globo.com/blogs/fabio-coelho/coluna/qual-cvm-queremos-para-os-proximos-50-anos.ghtml). Infelizmente não estarei no errejota no dia 10/12.

De um lado temos o recado do “mercado”, com a pesquisa feita pela própria CVM revelando o descrédito perante o regulador (https://www.blogdagovernanca.com/2025/09/cvm-reprovada-na-pesquisa-percepcao-de.html). Um regulador frouxo, há anos dominado por advogados afogados em conflitos de interesse, afinal por que inabilitar hoje, com um voto contundente, um voto que sirva de caso comentado nos cursos de direito societário Brasil afora, um meliante que amanhã será um potencial cliente? Terminho de compromisso neles !!! Na Rua 7/9 não existe crime sem solução, basta ajustar o valor da proposta de termo de compromisso. Não importa se houve prática de insider trading, manipulação de mercado ou fraude para desviar recursos para o pagamento de propina, já que a gravidade do delito é sempre ignorada.

Diante da covarde indefinição do Governo, abrutes, ratazanas e até muriçocas ganham força, como nos revela a assustadora matéria da jornalista Mariana Barbosa (https://economia.uol.com.br/colunas/mariana-barbosa/2025/11/26/fictor-tentou-emplacar-diretor-na-cvm.htm). Pois é, o que está ruim ainda pode piorar, e muito.

A CVM que não queremos é essa de anos e anos com pouquíssima diversidade, um verdadeiro “xerifado” dos advogados, que pouco educa com sua atuação meramente arrecadadora. CVM, o ombro amigo, a mão que afaga.

A CVM que queremos passa por uma atuação que transmita respeito: o mercado tem que ter, antes de mais nada, medo do Xerife. Como ouvi outro dia, o Xerife tem que ter e fazer cara feia, mostrando suas armas e atuando no limite da descortesia; se o mercado quer interagir com um sorridente e amável interlocutor que vá pra Disney ou Club Med, onde não faltam GOs.

Abraços fraternos,

Renato Chaves

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