ASGI: investidores “preguiçosos” só falam do A.
O ativismo de grandes investidores na
discussão sobre aspectos de ASGI (meio ambiente, social, governança e
integridade) está sendo alardeado pela mídia como uma boa novidade (vejam as
matérias
Muito se fala sobre questões ambientais
(discussões sobre fontes de energias alternativas, acidentes ambientais,
economia circular, etc), muito pouco sobre questões sociais, “muito-muito
pouco” sobre governança e absolutamente nada sobre integridade.
Sobre governança observamos atuações
pontuais na eleição de conselheiros independentes, mas vale registrar que até a
gigante CalPers abandonou há tempos a sua prática de divulgação de lista de
empresas com má governança (https://uk.reuters.com/article/calpers/calpers-stops-publishing-list-of-worst-companies-idUKN1527836920101116).
Mas é no tópico integridade que os
investidores deixam muito a desejar. Não vemos uma linha sobre a conduta
criminosa de administradores de algumas empresas listadas, como nos casos brasileiros
de pagamento de propina a agentes públicos.
Eu esperava ler uma única linha desses
grandes gestores sobre a multa bilionária paga pela petroquímica que
transformou eteno em uma combinação mágica de “azeite de dendê com propina”,
sobre o pujante esquema que transformava pedágio em propina. Nadica de nada.
Nada também sobre a empresa aérea que “financiava” as peripécias de “Dudu Bangu
8” na Câmara dos Deputados e a farmacêutica que bajulava famosos senadores com pacotes
de dinheiro sujo.
Não só se calam como mantém investimentos de
seus clientes nessas empresas corruptoras. Será que esses experientes gestores de
“bilhões de dinheiros”, que assinam com toda a pompa declarações de compromisso
com aspectos ASGI, acreditam ingenuamente que a demissão de alguns poucos administradores
(nenhum conselheiro já que os inocentes conselhos nunca sabem de nada, não é?) e
uma maquiada nos conselhos de administração (haja pancake e perfume) irá mudar
o DNA dessas empresas, forjado desde o nascedouro em seus acionistas
controladores, como é o caso de “Marcelinho príncipe da Bahia” e empreiteiras
que adoram asfaltar uma estrada.
Lá fora a SEC está de olho nessa postura
enganosa dos gestores (https://www.sec.gov/spotlight/investor-advisory-committee-2012/recommendation-of-the-investor-as-owner-subcommittee-on-esg-disclosure.pdf,
https://www.responsible-investor.com/articles/sec-committee-pushes-for-esg-disclosure-rules e
https://www.forbes.com/sites/bhaktimirchandani/2020/05/29/what-to-make-of-the-secs-warnings-on-esg-ratings-and-recommendations-for-esg-disclosures/#6e4122763184)...
Alô CVM, será que veremos algo parecido por aqui?
Abraços
fraternos,
Renato Chaves
Parabéns pelo texto. Foi a melhor postagem sua que li. Curta, objetiva e infelizmente inútil neste Brasil onde a CVM só caça pets e não as onças e najas do mercado de capitais.
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