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26 de julho de 2020

ASGI: investidores “preguiçosos” só falam do A.



O ativismo de grandes investidores na discussão sobre aspectos de ASGI (meio ambiente, social, governança e integridade) está sendo alardeado pela mídia como uma boa novidade (vejam as matérias

Muito se fala sobre questões ambientais (discussões sobre fontes de energias alternativas, acidentes ambientais, economia circular, etc), muito pouco sobre questões sociais, “muito-muito pouco” sobre governança e absolutamente nada sobre integridade.

Sobre governança observamos atuações pontuais na eleição de conselheiros independentes, mas vale registrar que até a gigante CalPers abandonou há tempos a sua prática de divulgação de lista de empresas com má governança (https://uk.reuters.com/article/calpers/calpers-stops-publishing-list-of-worst-companies-idUKN1527836920101116).

Mas é no tópico integridade que os investidores deixam muito a desejar. Não vemos uma linha sobre a conduta criminosa de administradores de algumas empresas listadas, como nos casos brasileiros de pagamento de propina a agentes públicos.

Eu esperava ler uma única linha desses grandes gestores sobre a multa bilionária paga pela petroquímica que transformou eteno em uma combinação mágica de “azeite de dendê com propina”, sobre o pujante esquema que transformava pedágio em propina. Nadica de nada. Nada também sobre a empresa aérea que “financiava” as peripécias de “Dudu Bangu 8” na Câmara dos Deputados e a farmacêutica que bajulava famosos senadores com pacotes de dinheiro sujo.

Não só se calam como mantém investimentos de seus clientes nessas empresas corruptoras. Será que esses experientes gestores de “bilhões de dinheiros”, que assinam com toda a pompa declarações de compromisso com aspectos ASGI, acreditam ingenuamente que a demissão de alguns poucos administradores (nenhum conselheiro já que os inocentes conselhos nunca sabem de nada, não é?) e uma maquiada nos conselhos de administração (haja pancake e perfume) irá mudar o DNA dessas empresas, forjado desde o nascedouro em seus acionistas controladores, como é o caso de “Marcelinho príncipe da Bahia” e empreiteiras que adoram asfaltar uma estrada.


Alô CVM, será que veremos algo parecido por aqui?

Abraços fraternos,
Renato Chaves

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