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22 de julho de 2012

Para que serve mesmo um acionista?

Mas que tipo de acionista, considerando que existem vários tipos diferentes? Muito oportuno o artigo publicado na Harvard Business Review de julho (Para que serve um acionista? de Justin Fox e Jay W. Lorsch). Aproveitando o rigoroso inverno carioca (19,8°C), que nos assola com uma irritante/inconveniente/insuportável garoa paulistana, me deliciei com o texto juntamente com a leitura de uma reportagem publicada no Valor de 27/06, que resumiu muito bem o que norteia a atuação dos fundos de hedge (“Hedge funds flertam com alternativas exóticas em busca de ganhos maiores”).
O texto da HBR menciona estudos interessantes, como o publicado no livro Winning Investors Over (de Baruch Lev), que reforça um “sentimento” que tenho desde o 1ª dia que comecei a acompanhar empresas: a correlação estatística entre a remuneração de presidentes e o desempenho de empresas é ZERO. O estudo do renomado autor é sobre empresas que compõem o índice S&P 500, mas quem sabe algum acadêmico de plantão não se anima e faz um estudo com as empresas brasileiras que não se escondem atrás da “liminar sem vergonha” (“aquela” ressuscitada por uma cautelar no STJ)? O texto revela ainda, ao discorrer sobre as “armas” dos acionistas (vender as ações e votar), outro estudo onde José M. Gaspar, Massimo Massa e Pedro P. Matos afirmam que “empresas com grande parcela de acionistas de alta rotatividade foram entregues com desconto na hora de uma fusão, pagaram demais quando compraram outras e, de modo geral, tiveram desempenho inferior ao do mercado”. Por fim, o texto provoca os analistas ao afirmar que, nas teleconferências após a divulgação dos resultados trimestrais, as perguntas tendem a ser superficiais e voltadas ao curto prazo.
E é aí que se faz a conexão com a reportagem do Valor, onde um investidor justifica a procura de ativos de alto risco pelos fundos de hedge afirmando que “a perspectiva de retorno "estava pouco atraente" nas estratégias tradicionais - long/short, as movidas por eventos, títulos de empresas em situação difícil, CTA (commodity trading advisor) e global macro”. Talvez o aspecto mais marcante seja o desejo incontrolável de apostar em situações que permitam grandes ganhos no curto prazo, pois o bônus de final de ano no bolso do gestor é o objetivo maior. Outra grande pergunta dessa turma: qual empresa poderá fazer uma operação, em curto espaço de tempo, que permita uma arbitragem, seja comprando ações na outra ponta da operação, entulhando a CVM de reclamações pela defesa dos “fracos e oprimidos” ou até operando a descoberto? Análise fundamentalista para escolher o ativo, interação com os executivos de uma empresa para fazer o negócio crescer? Não espere isso de um gestor de fundo de hedge, muito menos paciência....
A postagem sobre os ativistas-paraquedistas fica para outra oportunidade...
Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

2 comentários:

  1. Sugiro que as empresas que produzem pesquisas de remuneração que façam novas pesquisas a respeito da correlação no mercado brasileiro.

    Abs,
    Ricardo Ferraz Torres

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    Respostas
    1. Ricardo, ótimo o seu comentário. Vou sugerir tambem que alguns centros de pesquisa olhem a questão. Abraços,
      Renato Chaves

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