Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

28 de abril de 2014

Assembleia anual: “burrocrática” ou dinâmica/inteligente?



A cada ano mais empresas acordam e passam a tratar a assembleia anual como um momento único de prestação de contas e interação com os investidores.

Para quem acha que a área de “Relações com investidores” só serve para “torear” investidores ativistas (tratados nos bastidores como “os chatos”) e “cuidar” dos analistas de bancos para que eles falem bem da empresa depois de cada reunião Apimec (com um bom lanchinho), a mudança de postura de algumas empresas transforma a AGO em um momento para reforçar a confiança depositada e discutir abertamente como os donos todos os eventos passados e desafios. Tudo isso com a ativa participação dos executivos da empresa, em contraponto às AGOs tradicionais comandadas por advogados rabugentos (do tipo que lê Diário Oficial na praia do Leblon).

Se a empresa onde você investe ou atua como conselheiro ainda está na era das cavernas sugiro que você aguarde as notícias que certamente virão da rodada de AGOs para exigir que uma mudança de postura.

Abraços a todos,
Renato Chaves

21 de abril de 2014

Atenção bandidos do colarinho branco: a CVM mudou o tom da prosa.



É isso aí: as inabilitações agora fazem parte do cotidiano das decisões do regulador. Muito bom. Nada de “terminhos” de compromisso para quem atenta contra o bem mais precioso do mercado de capitais: a credibilidade (vide processos CVM nº RJ-2013/1840 e nº 18/2010).

O dever fiduciário dos Administradores das companhias abertas e gestores de recursos é que sustenta esse mercado e a CVM não pode ser complacente com verdadeiros atentados terroristas, como aqueles praticados ao longo de anos pelo astuto empreendedor paranaense, cuja trajetória foi muito bem tratada em matéria da Revista Capital Aberto de fevereiro/14 (“Má companhia”).

Existem outros “iluminados” que tratam o mercado de capitais como fonte ilícita de enriquecimento, como o Sr. Topete que demorou 10 meses para divulgar o fracasso de seus projetos ao mercado, numa clara evidência de má fé. Coisa que 20 anos de inabilitação conjugada com uns 10 anos de cadeia resolve.... 

Como diria Robert Khuzami, diretor de fiscalização da SEC (2010): "A dissuasão funciona no mundo do colarinho branco". Em outras palavras, o regulador deve descer a bordoada nessa turma, sem dó nem piedade.

E atenção conselheiros fiscais: um dos inabilitados, atuando em uma empresa do nosso querido Rio Grande, recebeu uma “geladeira” de 3 anos por omissão na fiscalização dos atos praticados pelos Administradores !!!

Abraços a todos,
Renato Chaves

12 de abril de 2014

Relações com a imprensa e com investidores: hora de arrumar a casa.


Vem em boa hora a audiência pública do CODIM sobre "Relacionamento da Companhia com a imprensa" (no site http://codim.org.br/ até 28/4/2014).

São tantas “trapalhadas” de executivos, como no caso de ofertas suspensas pela CVM, que fica a nítida impressão que o Diretor de Relações com Investidores é figura decorativa em algumas empresas.

Isso sem falar quando o controlador resolve falar pela Cia. Presidente de conselho de administração é mestre nessa arte, especialmente os maratonistas.... Mas como diria Tim Maia sou réu confesso. Já falei besteira quando estava na Previ, mas o dano foi remediado rapidamente (né Denise e Verinha?).

Mas a pior situação é quando a empresa omite/manipula informações com terceiras intenções, como revela o jornal Valor de ontem (10 meses para divulgar informação relevante é demais !!!!): aí é infração grave e não pode valer terminho de compromisso de alguns trocados. Inabilitação nelex.

O fato é que temos que discutir o papel estratégico da área de Relações com Investidores, pois existe algo mais do que contato com a imprensa nessa conversa. Chat para difundir perguntas e respostas é uma boa ferramenta para reduzir o risco de assimetria de informações e já está sendo usado por algumas empresas. Mas deixo isso para outra postagem.

Abraços a todos,
Renato Chaves

5 de abril de 2014

Doação para campanha política: transparência já !!!




Ushuaia, Patagônia Argentina

Enquanto não se chega a um entendimento sobre doações de empresas para campanhas políticas – particularmente sou contra – os investidores necessitam saber, de forma clara e direta, se a empresa está destinando recursos, e com que interesse.

O fato é que o tema é tratado como um verdadeiro tabu: o conselho de administração é informado, mas faz questão de manter o assunto longe das pautas e atas, no melhor estilo “não sujo minhas mãos com isso”. Muitas vezes o investidor descobre pelos jornais, a partir de um trabalho investigativo de algum repórter mais astuto que se debruça sobre planilhas do TRE. Não deveria ser assim...

É natural que os executivos queiram fazer a “política da boa vizinhança”, ajudando a construir uma praça para a comunidade, reformando uma escola, etc. Esse tipo de atitude funciona como uma recompensa aos eventuais danos/incômodos que a presença da empresa traz para a sociedade. Mas o que dizer de doações vultosas em dinheiro para o caixa nacional de um partido? Existe algum interesse obscuro?

O que o executivo tem que entender é que uma política formalizada protege a empresa, transferindo para o conselho o poder de dizer não.

Se você é conselheiro de administração exija a construção de uma política para o tema. E se você é conselheiro fiscal fique de olho nos aumentos expressivos de gastos com publicidade (lembrando que o “Valerioduto” foi utilizado direta e indiretamente em pelo menos 3 empresas de capital aberto) e contribuições extraordinárias para institutos “empresariais”, pois alguns servem de “barriga de aluguel” para doações indiretas.

P.S: sou contra a doação de empresas, mas faço doações como pessoa física.

Abraços a todos,
Renato Chaves