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28 de novembro de 2020

Empresa corruptora com ressalva de auditores: como fica o gestor “papinho-ASGI”?

 

Reproduzo a seguir a minha estreia na coluna “Opinião e Análise” do portal Jota, especializado no universo jurídico brasileiro (www.jota.info). É o início de uma parceria que amplia o alcance do Blog da Governança, levando para o mundo jurídico a visão de um investidor/ativista que estimula o debate sobre o nosso mercado de capitais. Meus artigos publicados no “Jota” serão publicados aqui no Blog na 2ª feira subsequente, mantendo-se a tradição que já dura 10 anos.

 

Subtítulo: Por que falar do “I” de integridade, entendido como o princípio que trata da ética e conduta empresarial?


Gestor que faz propaganda de princípios ASGI, a moda do momento, pode investir em empresa que corrompeu agentes públicos, pagando propina para a obtenção de vantagens para a empresa? Não deveria, salvo melhor juízo.


Finge de morto e continua investindo no papel? Põe a culpa no índice: papel faz parte do Ibovespa e sou obrigado a manter em carteira. 


E se todos os investidores boicotarem o papel ele não deixa de fazer parte do índice?


Diz o nobre auditor de uma dessas empresas corruptoras (big4 que começa com P): “Conforme mencionado na Nota 31(c) às informações contábeis intermediárias, em conexão com os processos de investigação conduzida pelas autoridades públicas federais no âmbito das operações citadas na referida Nota, a administração da Companhia tomou conhecimento de investigações sobre supostos atos ilegais realizados por ex-administradores. Em decorrência, conforme aprovado pelo Conselho de Administração, foi constituído Comitê de Apuração e foram contratados especialistas independentes para conduzir investigações relacionadas às alegações e identificar eventuais descumprimentos de leis e regulamentos e os eventuais consequentes impactos sobre os controles internos e sobre as informações contábeis intermediárias da Companhia. Considerando que as ações relacionadas à investigação desses assuntos estão em andamento, os possíveis impactos decorrentes do desfecho desses temas não são conhecidos...”


Isso não fala sobre risco de perda de valor do investimento?


Mas não cobrem coerência de auditores. Outra big4 (que começa com K), ao auditar uma empresa com o mesmo perfil (e além de corruptora investigada pela Polícia Federal tem fraude contábil nas gavetas), não fez qualquer ressalva.


A mesma auditoria fez ressalva em outro caso de empresa corruptora porque considera que os efeitos relevantes dos acordos de leniência foram refletidos nas demonstrações financeiras mas, como as investigações das autoridades públicas não foram concluídas, existem incertezas sobre o futuro: “não é praticável determinar se há perda provável decorrente de obrigação presente em vista de evento passado e nem fazer uma mensuração razoável quanto a eventuais novas provisões passivas sobre este assunto nestas informações trimestrais”.


Resumindo, incerteza total sobre o futuro.


Mas é outro sócio e eles tiveram interpretações diferentes, dirão os puritanos? Vai ver por isso que é a big4 que mais sofre na CVM.


Pois é, e os gestores ficam só no slide de PowerPoint arrotando palavras bonitas sobre diversidade, integridade e governança para impressionar investidor. Pode isso CVM? Propaganda enganosa?


Abraços fraternos,

Renato Chaves

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