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23 de fevereiro de 2017

É carnaval... Cuidado com o CEO vampiro.


Mais uma polêmica que desagrada 99,9% dos sócios do Yacht Club de Ilhabela. Mas vamos lá, já que nem atendente em parque da Disney consegue agradar a todos...


Não conhecem a figura do CEO vampiro? Não se trata de uma figura carnavalesca... Eles estão espalhados por aí e podem estar sugando o tempo dedicado à empresa onde você investe suas suadas economias com a atuação como conselheiros de outras empresas. Tem até CEO que é conselheiro em mais de uma empresa !!! Aí vira escândalo, pois ele seria um CEO meio período. Brincadeirinha hein meu amigo Bigode.

Pois é, ao invés de usar o precioso tempo para gerar resultado nas empresas que comandam, esses executivos desviam o foco, oferecendo dedicação a outras empresas, com viagens (muitas algumas para o exterior), reuniões de dia inteiro (pelo menos 11 reuniões em um ano), além de horas e horas de leitura prévia como preparação para reuniões do conselho externo. Sim, acreditem, ser conselheiro demanda tempo e está inclusive escrito no recém lançado Código Brasileiro de GC que a sua remuneração deve ser proporcional à demanda de tempo (item 2.7.1). Como não existe negócio fácil nesse nosso Brasil e conselho de empresa não é como conselho consultivo de condomínio, concluímos que o CEO vai sumir mesmo da empresa por um tempo...

Como o investidor fica sabendo dessa atuação paralela, quase um bico? Talvez no currículo do executivo no formulário de referência, mas nunca em atas de reunião dos conselhos de administração, que em tese deveriam aprovar esse “outro trabalho”.

Sem ter a pretensão de tratar do chamado Board Interlocking e suas consequências aqui nessa rápida postagem pré carnavalesca, fica a dica de leitura da tese de mestrado na USP de Wesley Mendes da Silva, que nos relata um “mundo pequeno” no nosso universo de empresas listadas, com conselhos de administração dominados por poucos profissionais (Board interlocking, desempenho financeiro e valor das empresas brasileiras listadas em bolsa: análise sob a ótica da teoria dos grafos e de redes sociais, disponível em http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-24052010-161337/pt-br.php).

O principal argumento que ouço dos executivos que defendem a prática é questionável: benefício para a Cia que comanda, devido ao network criado nos conselhos externos. Mas se o “mundo dos conselhos” é pequeno eu diria que os benefícios são enormes para a empresa que recebe o CEO como conselheiro, mas são prá lá de duvidosos para a empresa que “empresta” o CEO.

Querem nos convencer que o relacionamento com meia dúzia de outros conselheiros e executivos pode gerar mais negócios do que a presença em um evento do IBGC, por exemplo? Ou um café da manhã de debates da Revista Capital Aberto (eu recomendo !!!)? Não acredito. Aliás, é raro ver CEOs nesses eventos ... Mais fácil achar nota de R$ 3,00 caída no chão.

Quer fazer network? Vai para um prazeroso happy hour ou então para um clube de golfe/tênis.... Pelada com os amigos de faculdade não conta, mas o  Iate Clube do RJ também é uma boa alternativa.
Eu diria que o principal motivador desses executivos é a vaidade, já que ser conselheiro é uma questão de status no mundo empresarial. Se você não atua em conselhos seus pares o olharão com olhares críticos. Pronto, falei.

Outra motivação é a aposentadoria. Se o CEO estiver no final de sua carreira como executivo a participação precoce em alguns conselhos serve de preparação um futuro promissor. Até entendo que ele seja liberado para atuações paralelas nessa fase da vida... Pode até virar um bom conselheiro na própria empresa onde atua como CEO.

Por último, mas não menos importante, vem a remuneração extra. Como são executivos de prestígio eles exigem remunerações acima da média do mundo de conselheiros. Conheço um desses CEO-celebridade que ganha “aproximadamente” R$ 2.646.662,16 por ano como presidente do conselho de uma empresa parruda, dessas que faturam mais de R$ 2,216 bilhões/ano, mesmo sendo CEO de uma empresa que dá muita dor de cabeça, daquelas dores de cabeça que só aparecem acima dos 5.000 mts e nem Diamox resolve. Nada mal, dá até para trocar de iate no final do ano com essa remuneração extra... E como o novo Código de Governança menciona que a remuneração tem relação com a dedicação e no mesmo conselho tem conselheiro ganhando somente R$ 582 mil/ano, parece que a dedicação do pop star é alta... Mas como o dia só tem 24 horas ele certamente está deixando algum prato cair...

Abraços a todos e um excelente carnaval,
Renato Chaves

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