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18 de fevereiro de 2017

Diversidade no comando de empresas? Aqui não...


A foto de página dupla, publicada em um anúncio de uma importante empresa de alimentos brasileira no jornal Valor do dia 14/12, revela aquilo que todos nós já sabemos: nossas empresas são comandadas por homens, todos brancos. A foto não nega, 13 executivos, vários engenheiros e uma sentença: são todos homens brancos. Alguns jovens, ok, mas todos homens brancos.

Ou seja, a empresa que anuncia “que faz parte da família brasileira” e que já havia nos massacrado com anúncios fotográficos em jornais do seu conselho de administração igualmente branco e masculino, assim como outras grandes empresas, está presente com seus produtos nas nossas casas sem refletir a realidade da nossa sociedade. Parece que existe mesmo uma barreira que impede que mulheres e negros galguem cargos gerenciais. Eles simplesmente não aparecem nas fotos de conselhos e diretorias, reservadas a quem usa Gillette Mach 3 e caneta Mont Blanc.

As únicas facetas da diversidade nas nossas empresas são encontradas nos cargos com menor remuneração e na garagem da diretoria: BMWs, Land Rovers, Porsches (Cayannes e Panameras) e um ou outro mais acanhado Audi A3.

E já que a CVM está mexendo na Instrução 480, que tal incluir um item nos formulários de referência com números sobre a diversidade nas empresas – percentuais de negros e mulheres na força de trabalho e em cargos gerenciais? Seria uma modesta contribuição para o debate, ponta pé inicial para estudos mais complexos nos centros de pesquisa.

Como diria o saudoso Drummond:

"... A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros..."

Abraços a todos,

Renato Chaves

2 comentários:

  1. Artur neves21/02/2017 13:09

    Caro Renato
    como sempre muito bom, sua forma de escrever é leve porem contundente.
    a) Sobre a diversidade de gênero - Entendo a questão e seus comentários facilmente.
    b) Mas a questão da diversidade cultural, religiosa, valores, formação e etc...é muito ampla e na minha opinião, não deveria ser restrita a questão do branco e do negro. Acho reducionismo - temos sim é que construir uma sociedade de direitos e oportunidades para todos. Qual a razão do bolsa "qualquer coisa" favorecer primeiramente o negro e não o nordestino branco e pobre e etc...?
    Entendo que a diversidade do mundo não é mais restrita a branco ou negro - Alias o muro do Trump é para barrar brancos.

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  2. Caro Artur,
    Entendo a sua abordagem, mas a questão de negros e mulheres é o que salta aos olhos nessas fotos publicitárias de diretorias e conselhos.
    Poderíamos ir mais além, olhando a formação dos administradores - só tem espaço para administradores, engenheiros e uns poucos advogados.
    E o que dizer da discriminação que sofre o público LGBT nas empresas?
    Por não ter como "enxergar" todas essas questões nas fotos publicadas no jornal Valor é que me restringi a escrever sobre negros e mulheres.
    Um forte abraço,
    Renato Chaves

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