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8 de outubro de 2016

Vazamento de informações: porque as pessoas não são surdas. E muito menos santas.


Pois é, a manchete da reportagem de 21/9 do jornal Valor (Conversa no elevador é mais perigosa que ataque hacker) romantiza um pouco a triste realidade do vazamento de informações no mundo corporativo.

Isso porque o elevador ainda representa um território “perigoso”, apertado, que transmite medo: as pessoas tendem a ficar caladas. Se for à saída de uma reunião na “casa do adversário” então, aí é que a língua trava de vez....

Mas quando a turma sai na rua vem o relaxamento. E o perigo de falar demais.... Vamos para algumas situações reais:

·       Cena nº 1 – ponto de taxi na frente da sede de certa mineradora, no glorioso ano de 2005 – todos sabem que motorista de táxi carioca é folgado (minha amiga Samantha que o diga). Mas puxar conversa que ele ouviu dos passageiros anteriores sobre as confusões promovidas por um certo banqueiro baiano no acordo de acionistas (“tá feia a coisa entre os sócios aí Doutor...”) fica parecendo coisa de cinema com agente infiltrado da CIA ou  KGB, tamanha a riqueza de detalhes transmitida pelo inveterado motorista fumante;

·       Cena nº 2 – jantar no Delírio Tropical do shopping Rio Sul, 20h de uma chuvosa 2ª feira na cidade maravilhosa – 3 jovens engravatados, acompanhados de uma elegante jovem de tailleur “estilo Faria Lima”, sentam-se à mesa ao lado e começam a conversar animadamente, usando expressões como “sinistro” e “ta ligado?” para rechear o diálogo sobre a surpresa de alguns com o programa de stock options no contexto de uma grande operação. Sai rapidinho para não ter que depor depois na CVM, afinal todo o restaurante ouviu a conversa rs.

Vão dizer que é isso é coisa de garoto recém formado....

Nada disso, tem burro velho que fala muito, pelo menos é o que se vê nos aeroportos. Quem nunca presenciou o gerente de uma empresa de agrotóxicos ou rolamentos se vangloriando das últimas vendas, aos berros no celular? Só Freud explica...

E o que dizer daquele sujeito que trabalha no laptop por 10 horas, na classe executiva entre Rio e Madri? Tentei não olhar, mas com toda aquela luminosidade não tinha como não saber do que se tratava.... Será que ele estava tirando o atraso? Ele pensava em participar de forma produtiva de uma reunião depois de ficar 10h olhando slide de PowerPoint? Haja RedBull !!!

Educar, educar, educar, até ficar rouco. Porque de insider já basta o que temos de administradores mal intencionados/picaretas que “frequentam” os processos na CVM.

Abraços a todos,

Renato Chaves

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