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1 de dezembro de 2012

Às favas com o Princípio da Entidade Contábil. Ou seria: se a farinha é pouca, meu pirão primeiro?


Será que eu li direito? “Pão de Açúcar corta R$ 98 milhões em despesas dos Diniz e Klein: Reunião do Comitê de Recursos Humanos do grupo Pão de Açúcar, ocorrida na manhã desta sexta-feira (30), tratou da nova política de despesas da companhia, que passa por uma redução drástica nos gastos com seguranças e aeronaves de Abilio Diniz e da família Klein, sócios do GPA na empresa Via Varejo. O grupo é controlado pelo Casino, que tem como uma das prioridades para a empresa um enxugamento nos gastos internos.” (site da Folha de SP em 30/11)

Seguranças e aeronaves das famílias? Será que a lição da queda do helicóptero em Angra dos Reis (2001) não foi assimilada?

E a atitude de membros da família que participam do referido comitê pode ser classifica como meiga: “decidiram não votar hoje no comitê por se considerarem parte envolvida no assunto.”

Sei que corro o risco de ver o Blog fora do ar por conta de alguma artimanha jurídica, mas tenho que ser fiel ao pensamento de Frei Luca Pacioli, que deve estar se revirando na tumba. Para um investidor atento fica a impressão que empresas de capital aberto no Brasil são tratadas como mercearias de luxo por seus controladores. Tem despesa pessoal? Manda a fatura para a empresa...  Mas só pode despesas das famílias dos conselheiros..... Ah bom.

Será que nenhum investidor vai apresentar denúncia na CVM para que os administradores sejam responsabilizados e os valores ressarcidos aos cofres da Cia.? Quem sabe um verdadeiro viking? Cadê a auditoria externa? Será que a nossa sociedade só classifica como desvio de recursos os episódios ocorridos na esfera pública (pouco importa se o gasto é realizado em empresa controlada de capital fechado)? Haja hipocrisia... Sugiro a leitura dos processos CVM nº 24/2006 (ata do dia 09/02/2010) e 19/05 (julgado em 15/12/2009) para desmistificar tal percepção.

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

4 comentários:

  1. Muito bem observado Renato.
    Abraço,

    Pacheco

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  2. Pois é Pacheco o Princípio Contábil da Entidade é simples e direto - os patrimônios não se misturam - mas tem gente que insiste em desrespeitá-lo. Em outras palavras, os relacionamentos entre sócios e empresas sempre devem ocorrer na esfera societária - dinheiro deve entrar mediante capitalização e só deve sair na forma de dividendos/JCP. Nada de mútuos e outros artifícios.... Se a moda de pagar segurança e jatinho para familiares de controladores/conselheiros pega vai ter empresa com muitos familiares que vai quebrar... Abraços,
    Renato Chaves

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  3. A mistura das despesas pessoais com as da empresa é prática antiga, que já combatíamos - com sua preciosa ajuda - no início dos anos 2000 numa empresa do setor elétrico do nordeste brasileiro. Não é mesmo Renato?

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  4. Pois é Odilon, acho que já vimos de tudo, até empréstimo de avião para Senador.... Daí a importância da difusão do sentimento de que existe fiscalização permanente. E viva o Conselho Fiscal. Abraços do amigo Renato.

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