Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

11 de novembro de 2017

Os presidentes de conselho mais poderosos do Brasil.


Já tratei em uma postagem anterior (Presidentes de conselhos com remunerações galácticas de 01/10/2016) a situação dos super conselheiros, os presidentes de Conselho de Administração (os PCAs) que recebem remunerações até 4.000% acima dos seus pares, como se perante a lei as responsabilidades fossem diferenciadas. Será que não deveríamos sugerir a criação da figura do sub conselheiro, ou “conselheiros categoria B, C...”?


Mas a consolidação das informações extraídas do respeitado Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas da Revista Capital Aberto 2017-2018 na minha pesada planilha “desgovernança_corporativa.xls”  traz novidades interessantes a cada dia: como pode um único ser humano abocanhar 20%, 30% e até 39% da verba global de remuneração, de 20 e até 30 Administradores? “Jogam” sozinhos: cruzam a bola e cabeceiam, desenham a estratégia e executam?

Coincidências da vida esses poderosos presidentes são geralmente controladores das companhias ou, no caso das chamadas corporations, são eleitos por grupos de acionistas relevantes “alinhados” com o conselho de administração. Algo parecido com uma “ação entre amigos” para ajudar a quermesse.

Êpa, peralá, parem as rotativas... Quer dizer que no caso das empresas com controlador eles votam na assembleia de acionistas o tamanho da verba global, por intermédio de suas holdings, e no minuto seguinte votam dentro do Conselho a distribuição da verba, reservando a maior parte do bolo para o próprio bolso? Votam com a caneta na mão direita para o dinheiro entrar no bolso esquerdo? Pode isso Arnaldo?

Bem, a CVM notificou várias empresas nessa situação, a pedido desse nano investidor que vos escreve (processo CVM-SP 2014-0426 já encerrado), e aceitou todas as ponderações apresentadas: as assembleias aprovaram o tamanho da verba, esses presidentes de conselho lideram processos fora da empresa, representando em feiras no exterior, associações empresariais e em congressos, e alguns chegam a ter atuação no dia a dia das empresas (em tempo integral !!!). Fiquei pensando se nesses casos os CEOs não equivaleriam a vasos para plantas da Ikea, peças decorativas para cumprir aquela regra que impede a acumulação de cargos ...

Bem, esses são os ultra-mega-super-power-plus presidentes de conselhos, com remunerações acima dos R$ 3 milhões/ano ou que abocanham mais de 20% da remuneração total dos Administradores. Deixei a Ambev na lista somente para termos uma referência, imaginando que seria a maior remuneração de todas, pois se trata da maior empresa brasileira listada que divulga remuneração mínima, média e máxima dos órgãos de governança, na forma prevista pela CVM. As outras “grandes”, como Vale, Bradesco, Itaú, CSN, Embraer e Gerdau escondem informação desde sempre, com uma ajudinha da Justiça.


Remuneração global
Maior remuneração
Menor remuneração
Relação maior/menor
% Presidente Conselho Adm
Ambev
57.865.281
                         8.304.164,90
                          390.081,07
2029%
14,35%
Localiza
39.541.813
                         9.567.053,42
                          772.356,82
1139%
24,19%
Marcopolo
16.091.920
                         4.047.726,01
                          407.000,00
895%
25,15%
MRV
21.300.895
                         4.544.226,00
                          186.600,00
2335%
21,33%
Porto Seguro
18.557.621
                         7.245.288,00
                          145.288,00
4887%
39,04%
Ser Educacional
6.807.268
                         1.556.680,71
                          186.324,00
735%
22,87%
Sul America
5.461.277
                         1.291.968,00
                             30.495,00
4137%
23,66%
B3
54.065.801
3.423.966,63
502.513,26
581%
6,33%
DUFRY
100.419.446
                      14.069.579,72
                          314.048,84
4380%
14,01%

Mas pensando bem, em um mercado de investidores que compram boi gordo, avestruz magro e talvez até mula manca (na forma de bitcoin sertanejo no Centro Oeste), um desaforo aqui e outro acolá na remuneração de controladores/pseudo-controladores não dói tanto assim.

Nada de ilegal, somente imoral.

Abraços a todos,
Renato Chaves


P.S.: querido PCA, se a sua remuneração não passa nem perto dessas aí talvez a solução seja a criação de um instituto de PCAs, assim como fizeram os executivos de finanças. Sugiro como sede o Yacht Club de Santos.

4 de novembro de 2017

Quanto a Administração “consome” do EBITDA/LAJIDA (parte II)?


A postagem passada, que fez mais sucesso que pipoca em cinema, revelou o “peso” da remuneração no EBITDA/LAJIDA nas empresas com mais liquidez no nosso mercado; agora veremos quadros com as empresas agrupadas por níveis de EBITDA/LAJIDA.

Sempre é bom lembrar que essa compilação tem origem nas informações publicadas de forma organizada no Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2017-2018 da Revista Capital Aberto (dados dos Formulários de Referência de 2016), com um universo das 100 empresas mais negociadas na bolsa brasileira (a versão digital do Anuário contém 150 empresas – para assinantes em www.capitalaberto.com.br).

Vejam as tabelas e tirem as suas conclusões.... Vale repetir o aviso: cuidado na leitura, um comprimido de passiflora é recomendável.

·        EBITDA/LAJIDA até R$ 2 bilhões: o grupo com mais “assanhamentos” (média de 3,57%)

Remuneração
EBITDA
Relação
AES Tiete
         7.028.486
         802.673.000
0,88%
Aliansce
       17.699.111
         322.486.000
5,49%
Alpargatas
       23.596.300
         595.800.000
3,96%
Alupar
         6.712.416
     1.329.500.000
0,50%
Arezzo
       10.144.235
         177.141.000
5,73%
B2W
       14.446.339
         652.900.000
2,21%
BRMalls
       36.893.084
         256.474.000
14,38%
BR Properties
         7.972.011
         139.892.000
5,70%
BRF
       50.181.818
     1.815.200.000
2,76%
Cesp
         3.597.688
         585.773.000
0,61%
Cia Hering
       14.972.634
         207.569.000
7,21%
Copasa
         5.720.341
     1.396.109.000
0,41%
Cosan
       30.513.098
     1.851.400.000
1,65%
CVC
       37.028.756
         500.216.000
7,40%
Cyrela
       24.129.013
         343.000.000
7,03%
Duratex
       33.297.776
         901.184.000
3,69%
Ecorodovias
       26.121.563
     1.114.446.000
2,34%
Eletropaulo
       13.270.827
         734.300.000
1,81%
Embraer
       20.360.000
     1.861.500.000
1,09%
Energisa
         1.286.267
     1.768.700.000
0,07%
Equatorial
       20.363.120
     1.395.865.000
1,46%
Estácio
       16.241.491
         652.357.000
2,49%
Eztec
       11.361.002
         169.037.000
6,72%
Fleury
         9.108.000
         483.089.000
1,89%
Gol
       15.911.466
     1.144.212.768
1,39%
Grendene
         6.646.614
         457.472.000
1,45%
Hypermarcas
       50.825.179
     1.331.100.000
3,82%
Iguatemi
       18.734.150
         521.296.000
3,59%
Iochpe
       15.824.446
         796.225.000
1,99%
Light
       22.456.089
     1.009.000.000
2,23%
Linx
       10.077.235
         124.491.000
8,09%
Localiza
       39.541.813
     1.015.700.000
3,89%
Lojas Renner
       30.476.839
     1.286.951.000
2,37%
M Dias Branco
       20.375.189
         919.418.665
2,22%
Magazine Luiza
       16.828.417
         714.557.000
2,36%
Marcopolo
       16.091.920
         353.634.000
4,55%
Marfrig
       22.806.672
     1.574.529.000
1,45%
Metal Leve
         6.976.797
         117.083.000
5,96%
Minerva
       10.487.759
         989.300.000
1,06%
MRV
       21.300.895
         637.009.000
3,34%
Multiplan
       32.226.959
         810.797.000
3,97%
Multiplus
       11.241.206
         584.897.000
1,92%
Natura
       40.204.400
     1.343.600.000
2,99%
Odontoprev
       13.557.672
         297.147.000
4,56%
Pão de Açúcar
       77.448.723
     1.618.000.000
4,79%
Qualicorp
       36.902.220
         709.900.000
5,20%
Raia Drogasil
       39.843.150
         979.972.000
4,07%
Randon
       11.436.505
         142.717.000
8,01%
Sanepar
       11.233.155
     1.170.977.000
0,96%
São Martinho
       33.705.247
     1.445.083.000
2,33%
Ser Educacional
         6.807.268
         357.272.000
1,91%
Smiles
       10.192.294
         609.542.000
1,67%
Taesa
       12.954.865
     1.374.547.000
0,94%
Totvs
       30.847.473
         343.917.000
8,97%
Tupy
       21.401.135
         339.128.000
6,31%
Usiminas
       13.484.954
         994.899.000
1,36%
Valid
       10.593.528
         267.300.000
3,96%
Via Varejo
       32.043.805
         936.000.000
3,42%
WEG
       39.581.000
     1.406.931.000
2,81%
Wiz
       14.107.851
         209.920.000
6,72%
média
3,57%

·         EBITDA/LAJIDA entre R$ 2 e 10 bilhões: uma surpresinha aqui, outra acolá acima da média de 0,73%.

Remuneração
EBITDA
Relação
CCR
       36.789.000
       5.338.300.000
0,69%
Cemig
       15.082.184
       2.638.000.000
0,57%
Cielo
       45.138.400
       5.535.100.000
0,82%
Copel
         8.264.590
       2.752.300.000
0,30%
CPFL
       29.000.000
       4.125.766.000
0,70%
CTEEP
         6.579.937
       7.404.763.000
0,09%
EDP
         6.772.766
       2.182.361.000
0,31%
Engie
       20.661.872
       3.052.000.000
0,68%
Fibria
       13.476.257
       3.410.983.000
0,40%
Gerdau
         4.580.139
       4.049.000.000
0,11%
Klabin
       42.733.096
       2.821.258.000
1,51%
Kroton
       60.459.577
       2.405.600.000
2,51%
Lojas Americanas
       50.024.330
       2.675.009.000
1,87%
Met Gerdau
         1.376.555
       4.040.000.000
0,03%
Oi
       38.868.980
       6.376.800.000
0,61%
Sabesp
         4.106.929
       4.571.500.000
0,09%
Suzano
       38.597.666
       3.905.871.000
0,99%
TIM
       21.051.605
       5.209.367.000
0,40%
Ultrapar
       51.541.800
       4.216.700.000
1,22%
Média
0,73%


·        EBITDA/LAJIDA acima de R$ 10 bilhões: nesse grupo a média de 0,20% foi influenciada pela remuneração “acanhada” das estatais.

Remuneração
EBITDA
Relação
Ambev
       57.865.281
    15.971.040.000
0,36%
Eletrobras
         8.487.376
    19.797.000.000
0,04%
JBS
       14.475.035
    11.286.900.000
0,13%
Petrobras
       18.542.968
    65.025.000.000
0,03%
Telefonica
       60.585.121
    14.022.400.000
0,43%
Vale
       63.261.701
    32.827.000.000
0,19%
Média
0,20%

Abraços a todos,

Renato Chaves