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13 de abril de 2018

Operação Embraer x Boeing: que casamento é esse?



Joint venture ou venda do filet mignon? Considerando a união Airbus-Bombardier essa seria a única opção para a Embraer? Ocorrerá transferência da produção para Everett, com desemprego em São José dos Campos? Ou só vai para a terra do Tio Sam a inteligência de projetos?

Especulações não faltam, até porque a empresa fala pouco (só tem um Fato Relevante de 21/12) e tem gente que não devia falar e fala muito ... “as empresas continuam conversando e se estão se aproximando – isso dá casamento”, disse um ministro (jornal Valor de 11/4 - http://www.valor.com.br/empresas/5443791/ministro-ve-embraer-e-boeing-mais-proximas). Cotação do papel sobe, cotação desce “estilo gangorra” e me faz lembrar do processo CVM RJ2007/11305... Como diria um grande amigo alvinegro, a história se repete.

Dizem também que depois dos 50 a memória pode começar a falhar.

Mas no caso da operação de pulverização do controle acionário da Embraer, ocorrida em 2006, os fatos estão tão vivos na minha memória como as defesas de Gatito Fernandez no último domingo – aproveito para desejar saudações alvinegras a todos.

Fato é que está escrito nos fatos relevantes (especialmente aquele datado de 16/1/2006) e na proposta da Administração divulgados à época, além de matérias de jornais, que a limitação estatutária de voto de investidores estrangeiros, conjugada com os mecanismos de proteção do capítulo VII do mesmo Estatuto, serviria para proteger a empresa de uma tomada de controle hostil por parte de um concorrente externo.

O argumento era fortíssimo, principalmente se considerarmos que uma eventual desvalorização da nossa moeda poderia tornar uma aquisição hostil extremamente vantajosa para um concorrente estrangeiro.

Esqueçam o que foi escrito. Mas está no Estatuto !!! Dá-se um jeitinho.

É verdade, não existe nada de oficial sobre a estrutura da operação, mas especula-se fortemente que a gigante norte-americana ficará com o controle de uma futura empresa que será constituída com a operação de jatos comerciais e regionais (participação acima de 80% segundo matéria de 06/02/18 do jornal Valor - http://www.valor.com.br/empresas/5308405/boeing-propoe-ter-90-de-empresa-de-aviacao-comercial-da-embraer).
Isso significa dizer que a Boeing ficará com o controle daquilo que hoje representa quase 85% da receita da Embraer, conforme publicado no item 10.2 do Manual para Assembleia de abril ?
Parece que só querem o filet mignon.

Vamos ficar de olho, acionando a CVM se realmente for confirmada a operação sem a observância da regra estatutária de oferta pública em caso de aquisição de participação substancial (artigo 54 do atual Estatuto), o que seria um disfarce por intermédio de um casamento “acoxambrado”.

Abraços a todos,
Renato Chaves

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