Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

28 de janeiro de 2017

Revisão da CVM 480: prazo prorrogado.


Agora não tem desculpa: o prazo foi alterado para 20/2.

Tem que participar, depois não adianta reclamar (mais detalhes em http://www.cvm.gov.br/audiencias_publicas/ap_sdm/2016/sdm1016.html). 
     
Todo agente de mercado tem a obrigação de encaminhar comentários/sugestões, incluindo os investidores institucionais que se fingem de mortos (Stewardship neles !!!). Criticar depois é agir como morador de condomínio que não aparece na assembleia, mas depois reclama do valor do condomínio, do quadro na parede da portaria ou do chinelo do faxineiro.

E os conselhos de administração? Estão acompanhando o debate? Deliberam a matéria ou deixaram esse assunto “chato” para o CEO e a área de RI? Ou vamos nos deliciar com as sugestões “progressistas” da associação de empresas listadas?

Na figura de investidor/ativista vou sugerir a retirada do item 12.2.j da Minuta, pois a divulgação da lista de acionistas é motivo de discussão intensa e somente divulgar uma “política” para justificar eventuais maldades não resolve a questão, além da inclusão de informações sobre diversidade (percentual de mulheres e negros em cargos gerenciais), remuneração (divulgação de indicador “maior remuneração x remuneração média dos empregados”) e a destinação de recursos para institutos sociais (viram o bafafá na Coreia do Sul e na Lava Jato?).

Pois é amigos, quem tem fascite plantar sabe o tênis que compra.

Abraços a todos,

Renato Chaves

21 de janeiro de 2017

Porque o Novo Mercado ficou velho...


Matéria publicada no jornal Valor do dia 11/1 conclui que as mudanças propostas sofrerão menos resistência. Será mesmo? Calmaria ou fingimento?

Só quem deve ter medo de reforma é o morador 401. Será que a poderosa associação das empresas de capital aberto está se fingindo de morta para atuar nos bastidores contra as tímidas mudanças propostas, como sempre fez?

Ou será que o recuo da BM&FBovespa nas propostas acalmou um pouco a turma que defende a mesmice ora vigente?

O número de comentários recebidos foi pífio – somente DOIS investidores individuais, associações/institutos e meia dúzia empresas. Parece reunião de idosos na rede de vôlei de praia do Posto 6: pouca gente, mas com ótimas intenções. Mas se não apareceu na reunião de condomínio, não pode reclamar do valor do boleto que vence dia 5, nem da minha querida síndica ....
Eis a lista completa – os documentos podem ser lidos no link (mandei bem antes do Natal rs) http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/listagem/acoes/segmentos-de-listagem/sobre-segmentos-de-listagem/evolucao-dos-segmentos-especiais/:


Já que todos, com raras exceções, enaltecem a figura do conselheiro independente, por quer não aumentar para 40% essa “quota”? Medo de que(m)?

Transparência? Saber quanto ganha o CEO, o empregado mor dos acionistas, pra que? Acreditem queridos leitores, essa discussão é perfeitamente descartável, já que a grande maioria das empresas listadas no NM já divulga o item 13.11 no formulário de referência – 104 das 129 empresas (81% do total) !!! Mas querem criar a figura da empresa de NM classe B, que não divulga nada. Haja paciência.

Mudanças estéticas e o nosso mercado continuará com transparência em níveis soviéticos (tirada do amigo MC !!!).

Abraços a todos,
Renato Chaves

14 de janeiro de 2017

Fraudes corporativas: lavou, tá limpinho de novo.


No apagar das luzes de 2016 (já foi tarde) foi noticiado que uma gigante da petroquímica mundial, empresa brasileira com sede no charmoso Estado da Bahia, fez acordo com a justiça para encerrar processo que apurava o pagamento de propina para executivos de um famoso fornecedor de matéria prima.

As notícias revelam que o volume negociado no acordo, de US$ 957 milhões em suaves prestações, equivaleria a 11% do valor de mercado da Cia !!! Mas não é que o mercado adorou a notícia, já que previa um tombo maior?

Acordo feito, prejuízo no bolso dos acionistas, óbvio, mas como ficam os executivos, mentores/executores ativos do ardiloso esquema de corrupção? Resolveram a questão com a sociedade/justiça ao assinarem o acordo, mas como receberam ao longo dos anos milhões em participação nos resultados* pelo “bom desempenho” não resta dúvida que estamos diante de um caso de (outra) fraude contra os investidores... E agora, não sofrerão nenhuma “punição”? No máximo ficarão barrados para entrar na Disney e na Big Apple? Continuarão livres para atuar como Administradores de empresas listadas? Vale lembrar que a grana do acordo sai do caixa da empresa, penalizando o investidor.
Para piorar a situação dessa turma surgem notícias (jornal Valor de 3/1/17) de que tais executivos desviaram recursos destinados à propina. É o desvio do desvio !!!

* Foram R$ 15,5 milhões em 2016, R$ 18,1 milhões em 2015, R$ 15,5 milhões em 2014, R$ 13,9 milhões em 2013, R$ 11,4 milhões em 2012, R$ 11,7 milhões em 2011, R$ 13,6 milhões em 2010 e R$ 12,6 milhões em 2009 (informações dos Formulários de Referência), total de R$ 112,3 milhões.

E você, investidor amigo, ficaria tranquilo ao saber que a empresa onde você investe é comandada por um ex participante de uma quadrilha de colarinho branco/caneta Mont Blanc? Com a palavra os grandes investidores da Cia (tem fundo de pensão na parada...), que deveriam agir em nome do dever fiduciário. Eu já solicitei providências pra turma da Praia de Botafogo...

Penso que seria “educativo” obrigar essa turma, que causa inveja ao inocente Dick Vigarista, a devolver pelo menos tais participações em resultados, considerando que o “bom desempenho” está ancorado no histórico fraudulento das operações da Cia. Além de uma inabilitação pelo mesmo tempo de participação no “esquema”: trabalhou 5 anos no setor de propinas? 5 anos de inabilitação. Trabalhou 10 anos, 10 anos de geladeira...

Mas não me surpreenderia ver a empresa receber, em futuro não muito distante, prêmios de boas práticas governança ou pela excelência de seus relatórios financeiros, sendo seus executivos listados no rol de “homens do ano de um grupo de líderes empresariais”, desses que desfilam em Comandatuba e cercanias (parece que a Bahia atrai essa turma de fraudadores – deve ser o acarajé de Dinha).... Basta contratar um COCCIe (sigla que inventei = Chief Officer de Compliance, Controles Internos, etc – traduzindo “cara chato que fiscaliza a coisa toda e perfumarias”), o que parece que já foi feito, e publicar no jornal Valor um pedido de desculpas emotivo à nação brasileira, cheio de lágrimas de crocodilo. Não vale publicar no Correio da Bahia.... e tem que ser de página inteira, preferencialmente fonte Arial 14 com fundo colorido, para causar boa impressão nos incautos leitores.

“Haja assepsia pra tamanha hipocrisia”, já dizia um certo poeta baiano, cujo nome já não lembro mais... Um desses que vagueia trôpego pelas ruas Eteno e Hidrogênio com a sua surrada mochila Deuter-1999 exigindo menos S e mais O2 na atmosfera. Recado que serve também para a turma de Wolfsburg, diante do rombo de US$ 18 bilhões em acordos da gigante alemã que fabrica carros fraudados... Ou seja, o mundo corporativo fede em alemão, assim como fede em “bahianês”.


Purificar o Subáe, mandar os malditos embora.... já dizia Caetano antes mesmo de morar no Leblon. Inabilitação neles !!!

Abraços a todos,
Renato Chaves

7 de janeiro de 2017

Remuneração de executivos: os conselhos acordaram !!!

O ano de 2017 começa com uma boa notícia: ata de reunião do conselho de administração da BrMalls, maior empresa de shopping centers do Brasil, realizada no dia 20/12/16, revela que a empresa deixará de usar a proteção judicial para evitar a divulgação das remunerações mínima, média e máxima de seus administradores, na forma preconizada pela ICVM 480.

Palmas para o conselho de administração da Cia que puxou a decisão para sua esfera de decisão e optou pela transparência.

Vale lembrar que nessa empresa os acionistas já haviam recusado a proposta de remuneração apresentada pela Administração na AGO de abril/16, coisa rara no nosso mercado.

Fica o alerta para quem ainda usa a proteção judicial: os conselheiros acordaram, instigados por investidores... Isso não é assunto a ser decidido pelo CEO ou CFO, por conta do acachapante conflito de interesses. Isso é assunto de conselho de administração, e mesmo assim com a necessária abstenção do presidente do conselho, que por usualmente ter maior remuneração do órgão pode ter interesse de não divulgar as informações requeridas.

Aguardem novidades sobre o tema em 2017...

Abraços a todos,

Renato Chaves