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22 de setembro de 2017

A nossa titica de galinha.


A história se repete: pau que não bate em John Smith, não bate em Chico.

A leitura da resenha da jornalista Maria Cristina Fernandes sobre o livro “The Chickenshit Club: Why the Justice Department Fails to Prosecute Executives”, do veterano jornalista Jesse Eisinger (saiu na revista Valor-Eu&Fim de Semana de 15/9/17 com o título “A titica de galinha e a Justiça americana”), nos revela uma realidade bem parecida com a nossa, em que pese a enorme diferença de tamanho dos mercados: os criminosos de colarinho branco sempre saem impunes.

Ou melhor, nas palavras de um investigador da SEC ao deixar a agência: “para os poderosos, somos, no máximo, um pedágio”.
Acreditem queridos leitores, até a finada Arthur Andersen obteve o perdão da Suprema Corte da condenação por obstrução da Justiça. Meu queixo, que já estava caído desde a derrota do querido Glorioso na última 4ª feira, quase bateu no chão.

O texto termina com uma frase que poderia ser emoldurada por executivos de empresas corruptoras brasileiras, aquelas empresas listadas como as que vagueiam pela Republica Dominicana, Índia, Arábia Saudita e Moçambique: “Este país prende crianças por porte de drogas, mas aceita que os grandes tubarões permaneçam livres porque suas companhias fizeram acordo com o Departamento de Justiça”.

Vários amigos dirão que as coisas estão mudando por aqui depois da prisão de acusados de insider trading. Não compartilho desse otimismo, especialmente quando vejo casos anteriores, fresquinhos na memória, que terminaram em pizza/cestas básicas, ou pior ainda, estão mofando nas gavetas do STF aguardando uma ordem de prisão, que se vier deverá ser permutada por cestas de produtos Sadia (um verdadeiro up grade na pena de execução).

No caso das empresas corruptoras a situação é mais crítica: o dinheiro da propina saiu do caixa da empresa e o brilhante CEO não sabia de nada, os experientes membros do Conselho de Administração não sabiam de nada, o Comitê de Auditoria não sabia de nada, muito menos o rabugento diretor financeiro que adota como regra básica o corte da verba do cafezinho e afins. Se souberem de algum investidor propondo ação na CVM contra esses astutos administradores me avisem, por favor.

Abraços a todos,
Renato Chaves


P.S.: escrevo estas tortas linhas sem saber se a postagem será lida pelos meus queridos leitores. Afinal, existe o risco de um tal planeta X (ou Nibiru) atingir a Terra no sábado, dia 23. Ironia até no nome, deve ser praga do ex topetudo. Aproveito para agradecer efusivamente pelas quase 250.000 visualizações do Blog: tem leitor até na Ucrânia, mas predominam leitores de São Paulo e do bucólico balneário do Leblon.  

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