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5 de março de 2017

Conselho serve pra que mesmo?


Depois dos recentes casos de empresas de capital aberto com práticas corruptoras, aqui dentro e lá fora, a pergunta cai como uma luva: qual o papel dos conselhos de administração?

O amigo professor da FGV-RJ Joaquim Rubens, com sua vasta experiência em conselhos (ao contrário de alguns teóricos puritanos), defende “um Conselho de Administração estratégico e coletivo”, por entender que “a Governança Corporativa está se tornando, equivocadamente, um sistema de controle” (palestra em evento OAB-RJ/IBGC no dia 16/11/16). Diz ainda que “o controle, embora importante, é atividade subsidiária: é meio, e não fim”. O pano de fundo seria a essência do problema de agência: “gestores são oportunistas em potencial”, afirma o professor.

1ª provocação: se os executivos não são “confiáveis”, o monitoramento “excessivo” não teria sua origem no medo?

Não seria por isso que vemos a proliferação de “puxadinhos” do conselho, com a terceirização do monitoramento para os comitês de auditoria? Afinal, o conselheiro não tem tempo para monitorar e ainda pensar na estratégia, não é?  Mas devagar com o andor porque o santo é de barro: já vimos empresa repleta de comitês, com gente famosa, que parecia sadia e se estrepou.

Uma coisa é certa: não cobrem lealdade de executivos. Considerando que só duram 4 anos, prazo médio de um CEO segundo pesquisas (CEOs tendem a ficar menos tempo no cargo no Brasil – jornal VALOR de 12/1/17), eles estão mais preocupados com o leite de cabra das crianças e com o funcionamento do GPS do iate em Angra.

Por vezes os conselheiros ficam inebriados com os planos megalomaníacos de executivos que almejam virar capa da revista Exame, porque Comandatuba já não os satisfazem. Planos do tipo “endividar a Cia para comprar o concorrente”: é EBITDA na veia, com reflexos positivos na remuneração já exagerada dos executivos. E se a captura de sinergias não der certo, a culpa é da cultura da empresa adquirida, nunca é do CEO expansionista.

Serei chato, mais uma vez: não acredito em conselhos que trabalham pouco. 8 horas por mês é piada, 7 horas se descontarmos o almoço/lanchinho, muito pouca dedicação. Tem que suar a camisa, conhecer as “pessoas que trabalham das 8 às 18”, visitar os setores, entender como funciona o negócio. Reunião a portas fechadas somente com o CEO e diretores barbeados/engravatados, regada a brioches e água mineral gourmet (sim elas existem), é sinônimo de embromação. Tem que tirar a gravata/echarpe e passar uma manhã no insuportável call center, entrar na pick up com mola vencida que faz ligação/corte de energia na casa de cliente, visitar lojas com ar condicionado falhando, olhar com os próprios olhos a bagunça que é uma loja do tipo “express”, etc, etc.

2ª provocação: sem a lealdade dos executivos o foco “somente” na estratégia não deixa a empresa vulnerável?

Contextualizando a provocação: os “conselheiros de cabelo branco” da empresa de asas e da petroquímica baiana estavam dormindo quando as empresas pagavam propinas milionárias? Só queriam saber da linha da ROL, não importando o “modus operandi” dos executivos? Aprovaram um código de ética encomendado de advogados e fizeram vistas grossas para a corrupção? Ou virão com o discurso comum entre políticos: eu não sabia de nada !!!

Amigo conselheiro, que tal entender um processo de venda de produtos para um governo qualquer da América Central, do início ao fim, todas as etapas, os custos envolvidos, ao invés de se contentar com um slide de Powerpoint-resumão, que funciona somente como um instrumento “massageador” do ego do CEO e seus asseclas?
Como tudo na vida o equilíbrio é necessário.

Pergunte conselheiro, seja duro, sem perder a ternura, mas sem medo de perder a “boquinha” de R$ 50 mil/mês ..... Se quisessem sua simpatia ou seu sorriso “branco total radiante” te contratavam para atendente nos parques da Disney. Lembre-se que você tem compromisso com a Cia. e não com o seu bolso.

Abraços a todos,

Renato Chaves

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