Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

26 de março de 2016

Código único de Governança: avanço ou retrocesso?

Notícias na imprensa dão conta que uma discussão avançada entre agentes do mercado, como CVM, IBGC, ABRASCA, AMEC, Abrapp e Apimec (conhecido como GT Interagentes) deve apresentar até meados do ano um código Brasil de boas práticas de governança corporativa, uma espécie de código nacional a ser referendado pela CVM para adoção pelas empresas de capital aberto. Tal código adotaria o conceito "pratique ou explique", como acontece em outros mercados.

Não resta dúvida que seria um avanço enorme, fazendo com que as empresas declarem, ponto a ponto, qual a sua postura diante de recomendações positivas para os investidores. 

Mas existe um grande risco: tendo como referência os códigos de boas práticas já existentes, como o do IBGC, da Previ e da ABRASCA, a busca pelo consenso entre os agentes de mercado pode levar à construção de um código "frouxo", com regras mais "leves".
Notícias de bastidores (ai de ti Copacabana...) revelam que existem fortes divergências entre os agentes, com entidades que defendem com convicção que a "régua" de práticas apresentadas pelo Código do IBGC deve subir, e outras entidades, como a associação que representa as empresas (sempre ela), que defende um verdadeiro retrocesso, com menos regras e regras mais "leves".
Concordo com a subida de régua: se não for para tornar o cumprimento de recomendações mais exigente pra que mudar? Tem que ter Conselho Fiscal permanente, independente de pedido de acionista, flexibilização de percentual para indicação de conselheiros de Administração, etc, etc.

Por vezes o consenso é inatingível.
Não podemos “apequenar” a discussão para que todos caibam na fotografia. Pois se prevalecer a visão de entidades "conservadoras" será uma derrota para o mercado. Vale lembrar que a “régua” atual, sem o conceito “pratique ou explique”, é fácil de ser atingida. Se tem até empreiteira "famosa" signatária do código do IBGC (sim amigos a empreiteira baiana de nome pomposo é sócia do IBGC * vide comentário abaixo), imaginem com um código mais "fraco"? Até empresa com acionista controlador inescrupuloso, dessas que tentam aprovar reestruturação societária "caracu" a cada 9 meses, vai poder bater no peito e afirmar que é signatária do código brasileiro de boas práticas.

Bola no campo da CVM, que atua (ou deveria atuar) como mediador e, no limite, como árbitro nesse processo.


Abraços a todos,
Renato Chaves 

19 de março de 2016

Quanto os executivos “consomem” do seu EBITDA/LAJIDA – empresas com EBITDA/LAJIDA acima de R$ 2 bilhões?

Fechando o assunto temos duas tabelas, uma com empresas de EBITDA/LAJIDA entre R$ 2 e 10 bilhões e outra para valores acima de R$ 10 bilhões.

·       EBITDA/LAJIDA entre R$ 2 e 10 bilhões: nesse grupo somente dois destaques preocupantes, com relações acima do dobro da média observada de 0,91%: Via Varejo e Lojas Americanas. Setor bonzinho?


Remuneração total 2014
EBITDA 2014
relação
Braskem
                                    30.327.824
           5.625.570.000
0,54%
BRF
                                    84.157.780
           4.896.985.000
1,72%
CCR
                                    40.842.000
           3.648.961.000
1,12%
Cemig
                                    11.959.214
           6.386.000.000
0,19%
Cielo
                                    47.131.465
           3.838.900.000
1,23%
Copel
                                       7.999.757
           2.339.859.000
0,34%
CPFL Energia
                                    14.426.000
           3.760.903.000
0,38%
CSN
                                    34.976.635
           4.063.144.000
0,86%
Fibria
                                    49.950.838
           3.531.231.000
1,41%
Gerdau
                                       4.359.692
           5.126.000.000
0,09%
Klabin
                                    34.659.321
           2.651.700.000
1,31%
Loj Americanas
                                    41.230.767
           2.153.700.000
1,91%
Met Gerdau
                                       4.159.598
           4.799.000.000
0,09%
Pão de Açúcar
                                    86.950.082
           4.929.635.000
1,76%
Petrobras
                                    16.834.426
           8.761.000.000
0,19%
Sabesp
                                       3.950.176
           2.918.700.000
0,14%
Souza Cruz
                                    25.995.144
           2.636.000.000
0,99%
Suzano
35.119.405
           2.445.701.000
1,44%
TIM
                                    14.896.637
           5.538.300.000
0,27%
Tractebel
                                    20.261.174
           2.895.000.000
0,70%
Ultrapar
                                    40.992.500
           3.157.900.000
1,30%
Via Varejo
                                    47.402.369
           2.270.000.000
2,09%
Media
0,91%

·       EBITDA/LAJIDA acima de R$ 10 bilhões: nenhum susto nesse grupo, mas é sempre bom ficar esperto, afinal camarão que dorme a onda leva.


Remuneração total 2014
EBITDA 2014
relação
Ambev
                                    61.475.162
        18.275.830.000
0,34%
JBS
                                    10.261.362
        10.365.000.000
0,10%
Oi
                                    25.409.478
        10.210.100.000
0,25%
Telefônica Brasil
                                    20.914.247
        10.404.600.000
0,20%
Vale
                                    77.278.842
        27.680.000.000
0,28%
Media
0,23%


Sempre é bom lembrar que não se trata de uma pesquisa acadêmica, mas somente um singelo alerta para os investidores que “esquecem” de olhar tão importante ferramenta de incentivo, ou por vezes de desalinhamento. E também que são informações publicadas de forma organizada no Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2014 da Revista Capital Aberto.

Abraços a todos,
Renato Chaves

12 de março de 2016

As assembleias vem aí: hora de votar CONTRA quem esconde informação.

A cara de pau dos Administradores das empresas que não divulgam o item 13.11 do Formulário de Referência merece uma resposta e o momento é esse:  nós, como investidores atentos, temos que votar contra as propostas de remuneração/verba global que serão submetidas às assembleias.

Essa é a maneira de enfrentar a arrogância e falta de ética daqueles que aprovam a adesão à liminar em interesse próprio, afirmando que "a Cia optou por não divulgar as informações de seus administradores requeridas pelo subitem 13.11 do Anexo 24 da ICVM 480” (resposta que recebi do DRI de importante instituição fin@nceir@ com forte atuação no mundo virtu@u), como se “a Cia” tomasse uma decisão autônoma, sem o dedo/caneta dos Administradores. Mandam às favas o interesse da empresa (seguir as boas práticas de GC) e a sua reputação no mercado (não enfrentar a CVM com o "uso" de terceiros)
As grandes consultorias internacionais de recomendação de voto já soltaram seus relatórios nessa linha: VOTAR CONTRA quem esconde informação (documento da ISS em https://www.issgovernance.com/file/policy/2016-brazil-voting-guidelines-dec-2015.pdf e documento da Glass Lewis em http://www.glasslewis.com/wp-content/uploads/2016/01/2016_Guidelines_BRAZIL.pdf). Quem sabe assim a situação muda....

A lista abaixo não é definitiva e traz somente as 34 empresas que escondem informações entre as 100 mais líquidas no mercado, segundo informações extraídas do Anuário de Governança Corporativa 2015-2016 da Revista Capital Aberto. Cabe aos investidores consultarem os Formulários de Referência depositados e votar contra na assembleia, caso a empresa investida também esconda informações.

1.   Alpargatas*
2.   B2W*
3.   Brmalls*
4.   Bradesco*
5.   Bradespar
6.   Braskem*
7.   CCR*
8.   Cielo*
9.   Cosan*
10.              CPFL*
11.              CSN*
12.              Duratex*
13.              Embraer*
14.              Even*
15.              Fibria*
16.              Gerdau*
17.              Gol
18.              Iguatemi*
19.              Itau*
20.              Itausa*
21.              Kroton
22.              Lojas Americanas*
23.              Metalúrgica Gerdau*
24.              Minerva*
25.              Multiplus*
26.              Oi*
27.              Pão de Açúcar* 
28.              Rumo*
29.              Santander
30.              Suzano*
31.              Telefônica
32.              Tim*
33.              Vale*
34.              Via Varejo*

* sou acionista dessas empresas, mas sem interesse econômico devido ao pouco valor investido (menos de R$ 150,00 cada). Interesse somente no aprimoramento das práticas de GC.

Abraços a todos,

Renato Chaves