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29 de outubro de 2016

Fraudes corporativas “autorizadas”: o CEO sabia? O conselho sabia? Afinal, quem sabia?

Como ficam as fraudes construídas como “modelos de negócios” para beneficiar as próprias empresas, seus resultados e, consequentemente, os bônus dos executivos, tudo a partir de decisões gerenciais?

Fraude das hipotecas, em operações de swap, em estudos sobre emissões de gases, na venda de produtos com pagamento de propina para governantes etc, etc...

Quem tomou a decisão? O CEO não sabia? Em algumas empresas a fraude atingiu um tamanho tão impressionante que a pergunta deve ser “quem não sabia?”.

Provavelmente os conselhos não sabiam, mas será que a falta de atenção com o monitoramento das atividades não foi entendido pelos impolutos executivos como carta branca para o “atingimento” de resultados, no estilo “o fim justifica os meios”? O conselho lavou as mãos ao aprovar um Código de Ética adquirido de alguma consultoria no melhor estilo “copiar/colar”?

Em todos esses casos a resposta é uma só: nunca saberemos quem deu a ordem para fraudar/corromper/sonegar. Foi o famoso “alguém”..... Isso porque acordos milionários serão fechados com as autoridades para encerrar os processos sem confissão de culpa... Arranhou a reputação da sua empresa? Passa Kaol e faz um chequinho para o Departamento de Justiça dos EUA que volta a brilhar. E os executivos? Bem, esses sairão das empresas com polpudos cheques para curtir a vida nas Bahamas ou criar gado Nelore em Uberaba.

E quem paga esses acordos? Você, incauto investidor.

Mas calma minha gente, como tudo foi “resolvido” as empresas estão liberadas para uma nova safra de escândalos corporativos “oficiais”.... Vamos aguardar.

Abraços a todos,

Renato Chaves

2 comentários:

  1. Renato: parabéns por provocar mais uma reflexão de extrema relevância (na primeira parte do post de hoje).
    A governança, ainda meio ilhada nas estruturas corporativa-financeira, parece passar bem longe das atividades de suprimentos e vendas ou fechamentos de contratos comerciais (no mundo privado, tanto ou mais do que no público). Mesmo em empresas AAA em transparência e conformidade contábil, as compras e algumas vendas podem estar carregadas de nuances... pregões eletrônicos dirigidos, conchavos e conflitos que ofendem a lógica mas passam bem longe da possibilidade de alguma menção em revisões de controles internos que pudessem alertar devidamente aos dirigentes... que não conseguem saber... ou preferem não saber. Nos dias de hoje, o compliance comercial é o elo mais fraco do sistema de governança corporativa. De nada adiantará mais burocracia na CVM, mais pressão nos auditores, mais disciplina na remuneração de executivos e conselheiros, se a torneira da falta de padrões de controle/conformidade comercial seguir aberta.
    Boa semana!
    Álvaro Gonçalves

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    Respostas
    1. Olá Álvaro,
      Agradeço o seu comentário.
      Realmente o controle/conformidade comercial simplesmente não existe nas nossas empresas.
      Mas penso que no caso de pagamento de propinas milionárias para a venda de equipamentos para um governo corrupto ou para o fechamento de um contrato de fornecimento da principal matéria prima os CEOs não só sabem como mandam alguém executar o serviço sujo. Impossível não saber.
      Um forte abraço
      Renato Chaves

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