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15 de outubro de 2016

Conselho de administração fast food?

Em recente encontro de conselheiros realizado na olímpica cidade maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro ouvi relatos que me deixaram preocupado. Parece que a qualidade das decisões nas grandes empresas está sempre comprometida pela presa. Tudo é para ontem e os executivos usam e abusam de slides de PowerPoint para agilizar as discussões.

Ok, a famosa ferramenta realmente ajuda a organizar as ideias, revelando os principais pontos de páginas e mais páginas de contratos e planilhas. Mas não será que o exagero pirotécnico das apresentações coloca uma cortina de fumaça em itens importantes, seja por insegurança dos executivos ou até má fé?

Penso que algumas questões merecem reflexão:
·       Uma reunião mensal é suficiente para a tomada de decisões cada vez mais complexas, de empresas com operações mundo afora? Acreditem, tem empresa listada no Novo Mercado que fatura R$ 15 bilhões/ano, paga R$ 8 milhões para o presidente do conselho e realiza somente 5 reuniões por ano (vide postagem de 12/12/2015 - Conselho de Administração: reuniões para inglês ver). Fica parecendo reunião/almoço de ex formandos da Poli ! !!
·       Pautas imensas com 10/20 assuntos “pesados” para deliberação são razoáveis? 
·       Culpa dos conselhos, que reservam pouco tempo para as decisões? Seu conselho faz pausa para o almoço? Acreditem, tem conselho que perde uma hora no trânsito para comer peixada no Coco Bambu do Meireles !!! Penso que o ideal é o sistema “cantor de churrascaria”: enquanto um “canta” (o executivo) os outros comem. Travessas com comida em uma mesa de apoio no canto da sala e pratos na mesa.
·       O tamanho do conselho atrapalha? Convenhamos, reuniões com 11/13 membros mais parecem assembleia de condomínio na Barata Ribeiro 200 !!!
·       Conselheiros “profissionais”, que atuam em 4, 5 conselhos, estão dedicando tempo suficiente para as reuniões? Sobra tempo para ler contratos de 500 páginas? “Meu avião sai às 17h” é um alerta comum por aí...
·       Ou será que a culpa é dos executivos, interessados em aprovar suas propostas sem muitas polêmicas? Afinal, se cada conselheiro que ler o contrato de “trocentas” páginas for questionar metade das cláusulas a empresa não fecha negócio, dirão os executivos mais céticos....
·       E o que dizer daquelas negociações “costuradas” até a véspera da reunião do conselho, com prazo curto para resposta? Um resumo do contrato em slide, com o depoimento do diretor jurídico e de outros assessores “anexos”, garante segurança na decisão?

Ok, os contratos/documentos podem (e devem) ser anexados às atas, mas e o material de suporte, os tais slides? Sugiro que também seja anexada à ata a versão projetada na tela, devidamente rubricada pelo secretário da reunião. Pois amanhã ou depois algum detalhe “projetado” na parede pode servir de servir de prova de “defesa” de um projeto que “deu errado”. Palavras se perdem ao vento, diz o ditado.

Mas nem tudo são trevas... Ouvi relatos positivos, como a implantação de um padrão de nota técnica para o encaminhamento de propostas para o conselho. Simples assim: se a diretoria não encaminhar um conjunto mínimo de informações, de forma padronizada, com antecedência é claro, o assunto nem entra na pauta da reunião. Vale o registro que esse esforço normalmente parte de conselheiros eleitos com apoio de investidores institucionais, como a Previ e fundos de private equity.

Porque o que tem que ser estilo “fast food” é o almoço no dia da reunião, e não a tomada de decisão. 

Abraços a todos,

Renato Chaves

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