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23 de julho de 2016

Será mesmo somente ação social/cultural?

Instituto criado por grande empresa para ações sociais é tudo parecido: os relatórios anuais em papel couchê, recheado de fotos de crianças sorridentes nos refeitórios de escolas que mais parecem naves espaciais, com oitocentas mil citações sobre sustentabilidade, eventos culturais cheios de pompa, tudo no melhor estilo Ricúpero: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.

E assim, os olhos até do mais cético e rabugento conselheiro fiscal se enchem de lágrimas. O pobre conselheiro perde o feliz semblante de morador de Copacabana e fica parecendo uma sexagenária carpideira de Governador Valadares.

Mas muito cuidado nessa hora, pois as aparências enganam (aos que odeiam e aos que amam – viva Elis).

Por vezes, parte dos recursos encaminhados pela empresa mantenedora do Instituto não chegam às escolas “adotadas”, indo abastecer até, acreditem, ONGs criadas por políticos pra lá de suspeitos, do tipo campeão em delações premiadas.

Relatos recentes, publicados na imprensa em uma operação que poderia muito bem ser chamada pela Polícia Federal de “Inconfidências entre mineiros”, revelam que o presidente de um certo instituto, criado por uma S/A listada que atua fortemente em Minas Gerais, foi pego em troca de mensagens com o presidente atleticano de uma empreiteira mineira (desses que adora uma tornozeleira eletrônica – desculpas leitores pela gracinha, não resisti), empreiteira esta controladora da empresa de capital aberto mantenedora do Instituto, “combinando” a destinação de recursos para a ONG de um ilustre senador, igualmente mineiro. Fico imaginando o quanto de pão de queijo não rolou nessa ação entre amigos...

Gostaram do título da operação? Então vou aproveitar o verdadeiro surto criativo e atacar, com a devida liberdade poética cibernética, com a releitura de um conhecido poema, só para relaxar nesses tempos difíceis:

Minha terra tem empreiteiras
Que muito sabem roubar
Mas os desvios combinados na Savassi
Podem terminar no Paraná

Brincadeiras à parte fica o alerta para investidores e conselheiros: tem que fiscalizar esses institutos da mesma forma como são fiscalizadas todas as empresas de um grupo econômico. Com orçamento anual, regras para aplicação de recursos, conselhos/comitês, prestação de contas, etc, etc. Nada de poder soberano na mão do presidente.

Porque, no frio entardecer de Curitiba, um “pequeno desvio de caráter” (essa eu já ouvi: pra que perder tempo fiscalizando R$ 300 mil em uma empresa que fatura R$ 28 bilhões?), uma contribuição de recursos de forma “não republicana” para um “nobre” deputado ou senador pode se transformar em uma enorme dor de cabeça corporativa, com direito a sinal de rádio freqüência no adereço de tornozelo. 
Simples assim.


Abraços a todos,

Renato Chaves

2 comentários:

  1. Temos que tomar cuidado, pois tem instituições que são acionistas de companhias S/A e fazem suas atuações sociais com os recursos dos dividendos.

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  2. Pois é Roberto, com raras exceções esses institutos são verdadeiras caixas pretas. E quando o acionista questiona é exposto ao lado "bonito": Escolas, eventos culturais,etc. Mas nada de revelar o volume de recursos investidos, a forma de decisão, rol de favorecidos,etc.
    Diante da falta de informação estou questionando as empresas via CVM.
    Um forte abraço

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