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30 de maio de 2015

Remuneração de executivos: o cerco à falta de transparência aperta....

O Fórum de Investidores da AMEC cutucou as grandes empresas brasileiras nacionais com vara curta.

Ficamos sabendo no debate que a BBDTVM, maior administradora de recursos do País, votou contra diversas propostas de remuneração em assembleias, ora por falta de informação, ora por identificar propostas sem consistência. Debate quente, mas o melhor estava por vir....

Foi noticiado que a AMEC vai encaminhar cartas para as 33 empresas que escondem informações sobre remuneração para tentar convencê-las a deixar de lado o uso da liminar.
É uma boa estratégia para colocar contra a parede quem ofusca a transparência, muitas vezes manchando uma história de compromisso com as boas práticas de GC, simplesmente para atender interesses particulares de executivos.

Não custa reforçar: quando se fala em transparência na remuneração não estamos tratando de mera curiosidade, interesse em saber quanto ganha determinado “CEO capa da Exame”.

O que se procura é identificar desalinhamentos. Eles existem aos borbotões e são graves, como o de certa empresa de shoppings localizada na zona sul carioca que mais que dobrou a remuneração global entre 2011 e 2013 (de R$ 25,4 MM para R$ 57,7 MM), com uma relação inversamente proporcional ao desempenho (lucro de R$ 1,7 bilhão em 2012 contra R$ 679 MM em 2013). Detalhe interessante: a verba global de 2013 foi equivalente à de certa mineradora global que fatura 100 vezes mais e pagou R$ 64 MM para seus Administradores. Se compararmos a relação remuneração/EBTIDA a “boca de jacaré” assusta ainda mais: 0,15% na mineradora em 2013, contra 3,4% na empresa de shopping (informações extraídas do Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2014 da Revista Capital Aberto).

No mesmo evento ficamos sabendo que outras importantes entidades irão se pronunciar publicamente a favor da transparência. Quem sabe assim o nosso judiciário se sensibiliza, permitindo que investidores mais esclarecidos pressionem as empresas por mais alinhamento entre remuneração e resultados. No extremo, votando contra em assembleias, como muito bem fez a BBDTVM.

Abraços a todos,

Renato Chaves

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