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4 de abril de 2015

Demitir é a solução?

Toda vez que leio uma manchete sobre demissões em massa me vem à mente a história da Victorinox. Abro a gaveta e fico admirando a verdadeira obra de arte na forma de canivete.

Empresa suíça com 130 anos de existência, seus donos se orgulham de nunca terem demitido funcionários por razões econômicas, ou seja, “para ganhar um pouco mais”.

Isso mesmo depois dos atentados de 2001, quando a empresa perdeu 30% do faturamento com a proibição de venda de seus famosos canivetes nos aeroportos e o transporte em aviões (carro chefe do faturamento – 40%).

Outro aspecto que chama a atenção é a regra de remuneração, que não permite que a diferença entre a maior e a menor remuneração seja maior do que 5 vezes (mais detalhes na reportagem “Victorinox acelera internacionalização” do jornal Valor de 29/8/13).

Dá para imaginar isso aqui no Brasil? Estimo que por aqui a relação maior remuneração/remuneração média seja de 400 vezes, enquanto que nos EUA essa relação é estimada em 300 vezes.

Aliás, nunca vi por aqui Administradores anunciarem a redução de suas remunerações em tempos de crise.

Vejamos o caso recente de uma empresa brasileira que ceifou mais de 1.000 cabeças de uma vez só. Se ao invés de demitir profissionais treinados (e não são operários de chão de fábrica), os Administradores dessem o exemplo e reduzissem a verba global em 20% a economia seria de R$ 11,7 milhões no ano !!! Quantas demissões seriam evitadas? E se reduzissem o tamanho do Conselho de Administração? E se acabassem com a figura do conselheiro de administração suplente remunerado?

Por fim, vale lembrar o efeito nefasto de demissões coletivas para o futuro. Ruim para os empregados que ficam, que irão correr para distribuir currículos na praça, reduzindo assim o compromisso com a Cia. ao mínimo aceitável na expectativa do próximo corte de cabeças coletivo, e ruim futuras contratações, pois os profissionais de fora já conhecem o histórico pouco confiável da organização em termos de perspectiva de crescimento profissional. Simples assim.

Abraços a todos,

Renato Chaves

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