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Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

28 de setembro de 2014

"Doações" para campanhas eleitorais por empresas: isso tem que acabar.


Uma das bandeiras do Blog, levantada desde 2011 (postagem de 25/12/2011 - 2012: ano de eleições... A sua empresa está preparada?), foi tratada de forma brilhante pelo jornalista Fernando Torres no jornal Valor do dia 23/9 (Doação eleitoral ignora regras de boa governança/ Falta transparência nas doações das SAs), com uma pesquisa que desmascara a falta de transparência (reportagem digna de prêmio...).

Vejam alguns exemplos da desfaçatez das empresas:

  • tem empresa com a cara de pau de justificar as milionárias doações com um singelo aviso: "todas as contribuições são feitas de acordo com as regras vigentes". 
  • outra diz que "apoia o processo político-democrático brasileiro, mas não comenta as doações realizadas ou programadas aos partidos ou candidatos" 
  • e o vazio texto da empresa:  "que entende contribuir com o desenvolvimento econômico e social do Brasil, além de fortalecer o processo eleitoral" 
  • qual o órgão da Administração que delibera tais "doações"? Ganha um doce quem descobrir...
E pior, a grande maioria usa subsidiárias desconhecidas, empresas de fachada, quase fantasmas, para fazer as doações. É chamar o investidor de otário, afinal, não existe almoço grátis no mercado. Ou como diria o deputado federal Chico Alencar, que atua contra as doações de empresas, doação não é despesa, é investimento.

Sr. Investidor: leia a reportagem e cobre explicações das empresas em que você investe. 

Abraços a todos,
Renato Chaves



21 de setembro de 2014

O ceticismo cordial.



Eita conselheiro chato....É o que muito executivo pensa quando recebe aquela lista de pedidos de informações de um conselheiro, geralmente eleito por acionista minoritários.

Não levem a mal, não é desconfiança, nem algo pessoal. É o que eu chamo de ceticismo cordial.

E sempre vale lembrar o que está escrito na Lei 6404/76, para a função de conselheiro fiscal: 


  • O conselho fiscal tem por competência “fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos dos administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários” (artigo 163).


Ou seja, apesar de ser um órgão colegiado a atuação é independente. Não existe essa conversa de colocar em votação solicitação de informações de um conselheiro. Ele faz o pedido e, por delicadeza e para evitar retrabalho da Administração (a dúvida de um pode ser a mesma de outro conselheiro), ele copia os demais.

Uma sugestão: formalize suas dúvidas e questionamentos, sempre. Como a maioria dos conselheiros é do tempo que passava na TV as artimanhas de Dick Vigarista e seu fiel escudeiro Muttley (medalha, medalha, medalha), não dá para confiar na memória. Além disso, palavras se perdem no vento.

Qualquer dia desses vou comentar sobre a remuneração de conselheiros fiscais e as artimanhas de algumas grandes empresas.

Abraços a todos,
Renato Chaves

14 de setembro de 2014

"Não pratique e não explique”.



O conceito “Pratique ou explique” é apregoado aos 4 ventos por ativistas de governança como sendo um avanço, um verdadeiro indutor da disseminação das boas práticas.

Deveria funcionar mais ou menos assim: a empresa que aderisse a um determinado código de boas práticas (o do nosso querido IBGC por exemplo), seria “obrigada” a explicar os motivos que a levam a não praticar determinado item do código. Pratique ou então explique porque não pratica. Simples assim.

Deveria funcionar, mas no Brasil não funciona. Inúmeras empresas assinam o código do IBGC e não praticam itens importantes, como a divulgação da remuneração dos Administradores e doações para campanhas políticas, e tudo fica o dito pelo não dito. Resumindo: a empresa “compra” um selo de boa governança e não deve explicações a ninguém.

A discussão fica que nem chiclete na boca de velho: inúmeras reuniões sem nenhuma definição, pois as grandes empresas, via ABRASCA, não aceitam explicar como brincam de transparência. Afinal, como uma instituição financeira pode explicar doações para campanhas eleitorais sem uma política clara, aprovada formalmente pelo Conselho?

Só tem um jeito: criar a lista das empresas que “não praticam e não explicam”. Quem sabe criando o constrangimento a transparência não melhora...

Abraços a todos,
Renato Chaves

5 de setembro de 2014

Racismo nos estádios e preconceito velado nas empresas.

O resultado do conceituado prêmio “Executivos de Valor” é revelador: entre 23 executivos de valor nenhum negro, nenhuma mulher. Mas tem espaço até para empreiteiro, sabe-se lá com que valore$.

Por que será que esses “grupos” não fazem parte dos círculos de poder que dominam as grandes empresas brasileiras? Segregação econômica explica em parte, mas no caso das mulheres, o que vale? Exclusão do clube do bolinha? Não tomam chopp, não fumam charuto... Mulher só serve para gerenciar o RH, o marketing ou o jurídico?

Que tal incluir no capítulo 14 do Formulário de Referência o percentual de negros e mulheres em cargos gerenciais e assim desmascararmos as empresas que usam levianamente o termo diversidade.

Abraços a todos,

Renato Chaves