Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

29 de agosto de 2014

Ensinando padre a rezar missa?

Confesso que não entendi o objetivo da Carta de Orientação do IBGC, com o título “Atuação de Conselheiros de Administração” (disponível no site do Instituto). Vão ter que desenhar...

Enfatizar aspectos do Código de Melhores Práticas de Governança do próprio Instituto? Precisa? Ou seria um puxão de orelha em certos conselheiros, especialmente para diminuir as “chances de erro”, como diz o texto? Mas que tipo de erro? Seria a aplicação de 40% do saldo de caixa da Cia. em empresa quebrada de sócio (probabilidade de receber = quase ZERO)? Ou seriam os erros que levaram à bancarrota prósperas empresas dos ramos de alimentos e celulose? Perguntar não ofende, já dizia o bordão criado por Jô Soares no Programa Planeta dos Homens (quem tem mais de 40 anos sabe o que estou falando).

Fora isso, vou aguardar com ansiedade uma Carta de Orientação direcionada a uma minoria de empresas que usa espontaneamente a famigerada liminar que afronta a atuação da CVM ao questionar a divulgação das remunerações mínima, média e máxima de Administradores. A Carta serviria para orientar essas inimigas da transparência (algumas são mantenedoras do próprio IBGC, acreditem !!!) a deixar de fazê-lo: não é difícil ser transparente, basta seguir as orientações do Código de Melhores Práticas !!! O que não dá é ser meio transparente, assim como não dá para ficar ligeiramente grávida (mais uma contribuição dos anos 80 – música da banda Blitz).

Abraços a todos,

Renato Chaves

22 de agosto de 2014

Cadê a diversidade, cara pálida? Cadê os negros? Cadê as mulheres?

Ao me deparar com a manchete da matéria “O que é preciso para formar um bom time”, na Revista Época Negócios de agosto/14, confesso que o meu pensamento viajou por um momento para General Severiano, sede do meu querido (e combalido) Botafogo. Saudade da diversidade criativa de um Seedorf.

Mas, ao me deparar com as fotos dos dez times campeões expostos na matéria, alguns de empresas de capital aberto, fiquei realmente chocado, pois entre os 73 profissionais não havia um único negro.

Não vou roubar o debate dos sociólogos, filósofos e antropólogos, se somos um país veladamente racista ou é somente uma questão sócio-econômica, mas o fato é que não tem sequer um mulato nesses times “campeões”.
Ok, como a chamada da matéria fala em diversidade de visão e de talentos, quem sabe as fotos não revelariam uma enxurrada de executivas? Negativo. Uma típica goleada alemã: somente 9 entre os 73 profissionais (menos de 15%!!!). Assim fica difícil eleger mulheres para conselhos de administração, visto que as empresas não “deixam” elas ocuparem cargos diretivos.

Conclusão: a diversidade de talentos no Brasil é aquela obtida pela mistura de engenheiros eletrônicos da Poli, com engenheiros aeronáuticos da ITA e um ou outro perdido da PUC. Tudo bem, tem um administrador da FEA-USP aqui e acolá. Nem diversidade de visual: somente um colega barbudo!!! Pelo menos a ridícula gravata está sendo lentamente abandonada – tive o trabalho de contar e temos 44 rebeldes revolucionários. Ousar lutar, ousar vencer. Só espero não seja “tipo” para a foto de grupo....

Como melhorar essa situação? Só mesmo criando o constrangimento, obrigando as empresas de capital aberto a divulgar no capítulo 14 dos Formulários de Referência o percentual de negros e mulheres em cargos gerenciais, para que o falso discurso da diversidade seja desmascarado.

No mais, fica a impressão que a única diversidade verdadeira é a geográfica: uns moram nos Jardins, outros no Morumbi.... Ninguém em Copacabana. Muito triste.

Abraços a todos,

Renato Chaves

16 de agosto de 2014

Renúncia: a prática de políticos corruptos invade o mundo corporativo.

A recente notícia de que dois executivos de uma importante empresa lusitana renunciaram depois que mais de €$ 800 milhões foram “desviados” do caixa para socorrer um importante acionista quebrado soa familiar para nós brasileiros. Nada de processo, sequer inabilitação. Como bem diz o ditado: tudo continua como dantes no quartel D’ Abrantes. Lavou, tá limpinho.... Se fosse em um país sério ao invés de passear em Trás-os-Montes esses gajos passariam uma longa temporada atrás das grades.

Isso porque aqui, nas terras de além mar, a prática de renunciar é comum quando um político corrupto é flagrado em transações “não republicanas”. Além do tradicional “eu não sabia de nada”, vale renunciar para o processo voltar para a 1ª instância judicial e assim buscar a prescrição dos crimes pela demora no julgamento, como recentemente o fez certo Senador mineiro.

No caso da terrinha, o diretor financeiro afirma que não foi ouvido (vide jornal Valor de 14/8), donde concluímos que a transferência dos recursos deve ter sido assinada pelo estagiário Manoel ou pelo office boy Joaquim, ambos recém contratados na famosa empresa de telecomunicações.

E o “mercado”, que fica revoltadinho e tanto reclama dos políticos, aceita candidamente esse tipo de comportamento no meio corporativo. Afinal, só existe corrupto porque existe uma empresa corruptora, sendo que algumas dessas empresas chegam até a receber prêmios nos nossos congressos de governança (e tinha que ser uma construtora para ter estilo).

Continuo fã da cultura japonesa, onde executivos e políticos adotam medidas radicais quando são pegos com a boca na botija, pois sabem que representam uma vergonha para suas famílias. Brasília, Lisboa e Belo Horizonte ficariam mais limpas...

Abraços a todos,
Renato Chaves

9 de agosto de 2014

Quanto vale um conselheiro?

Diante da falta de transparência de algumas grandes e importantes empresas resolvi teimosamente pesquisar o item 13.2 dos Formulários de Referência (ano base 2013) das 30 empresas identificadas no Anuário de Governança da Revista Capital Aberto como seguidoras da famigerada liminar (inimigas da transparência mas algumas mantenedoras do IBGC). E não é que algumas discrepâncias foram observadas.... Verdadeiros esculachos com o dinheiro do investidor.

Sem querer opinar sobre qual a remuneração justa para um conselheiro de administração, ressalto que todas as empresas são “parrudas”, ou seja, não deveria existir grande diferença entre elas. Mas que tal uma remuneração média de R$ 14 milhões por ano? Repito: R$ 14 milhões por ano para um simples mortal !!! Considerando que os valores mais comuns giram em torno de R$ 100 a 300 mil/ano e que atividade bancária parece ser algo já consolidado, com poucas manobras para milaborantes estratégias inovadoras (lembrando que a empresa de frango que brincou com de banco foi parar na sarjeta), deve existir algo no ar do que a fragrância do Boticário e adores do Canal do Mangue. Dividendo disfarçado para controlador? Tirem suas conclusões....

Lembrando que a conta foi simplória, dividindo a remuneração total do órgão pelo número de conselheiros informado (informação pública caros advogados). A “pesquisa” não considera que existem super conselheiros, especialmente presidentes de conselho ligados a grupo de controle, que recebem remuneração diferenciada, apesar da lei não distinguir conselheiros.

A próxima “pesquisa” tentará revelar qual a remuneração média dos diretores dessas empresas, para desmascarar de uma vez por todas a famigerada liminar.

Eis a lista (remuneração média anual por conselheiro):
1.   ALL – R$ 371.041,81
2.   B2W - R$ 68.571,42
3.   BR Malls - R$ 86.400,00
4.   Bradesco - R$ 14.674.676,47
5.   Bradespar - ZERO
6.   Braskem - R$ 215.556,83
7.   Brookfield - R$ 212.432,98
8.   CCR - R$ 117.818,18
9.   Cielo - R$ 145.800,00
10. Cosan - R$ 332.698,27
11. CPFL Energia - R$ 213.947,00
12. CSN - R$ 234.514,28
13. Duratex - R$ 386.332,78
14. Embraer - R$ 618.166,23
15. Even - R$ 33.280,00
16. Fibria - R$ 515.082,53
17. Gerdau - R$ 1.384.997,75
18. Gol - R$ 186.666.67
19. Iguatemi - R$ 84.487,20
20. Itaú Unibanco - R$ 3.115.869,87
21. Lojas Americanas - R$ 234.901.14
22. Minerva - R$ 194.942,52
23. Multiplus - R$ 225.639,55
24. Oi - R$ 299.099,19
25. Pão de Açúcar - R$ 477.720,72
26. Santander Brasil - R$ 770.305,80
27. Suzano Papel - R$ 1.112.103,27
28. Telefônica Brasil - R$ 230.366,00
29. Tim Participações - R$ 183.630,76
30. Vale - R$ 213.398,54

Abraços a todos,

Renato Chaves

2 de agosto de 2014

Empresas devem patrocinar o IBGC? Onde mora o constrangimento?

Mal termino de escrever a postagem da semana passada e recebo em casa o boletim IBGC em Foco de junho/julho/agosto. E não é que coincidentemente uma das matérias abordava especificamente o tema “remuneração de administradores”..... Sopa no mel, pensei com meus botões.

Ledo engano. A abordagem, com foco na nova edição da pesquisa sobre o tema, não menciona nem de longe a questão da falta de transparência das poucas empresas de capital aberto que se escondem com a ajuda da malfadada liminar.

Mas afinal, qual a razão de tamanho constrangimento, que leva o nosso Instituto a simplesmente ignorar um atentado contra a transparência e o nosso regulador?

Questão financeira já vimos que não é.... Contribuições conceituais também passam longe dos associados mantenedores, pois a participação de representantes oficiais dessas empresas nos comitês é coisa rara.

É importante notar que mais da metade das empresas mantenedoras do IBGC atropela a Instrução CVM 480.

O mais engraçado nessa história é que o mau exemplo de uma empresa termina contaminando as demais. Explicando: um analista me confidenciou que uma certa instituição financeira, que tem sede na cidade do Todo Poderoso e que respeitava a ICVM 480, deixou de faze-lo porque o principal concorrente privado, também conhecido como iCh@to, usava a liminar escroque.

Agora as coisas começaram a clarear: tem gente grande e famosa incomodada. Simples assim, como asas que são feitas para voar, interruptores para acender lâmpadas e pneus para rodar em estradas.

Para jogar um pouco de brasa nessa conversa vou calcular e divulgar a remuneração média dos conselheiros de administração das 30 empresas inimigas da transparência (lista postada no dia 14/7), com base nas informações disponíveis. Acho que não vai agradar....

Nunca é demais lembrar que o IBGC nasceu da união de conselheiros.

Lugar de empresa é na ABRASCA !!!

Abraços a todos,

Renato Chaves