Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

29 de novembro de 2013

Limite de remuneração para CEO? Se a moda pega vai ter fila no Eisntein....

A Suíça bem que tentou, mas o pragmatismo falou mais alto.... Já pensou perder filiais de grandes instituições financeiras que usam o bucólico país como lavanderia?

A tentativa de limitar a remuneração dos executivos a 12 vezes o maior salário em relação ao menor, exposta na reportagem de 25/11/2013 do jornal Valor (Suíça rejeita limitar salário de executivos), foi rejeitada em plebiscito por 65% dos votantes.

E se fosse no Brasil? Utilizando as informações do excelente Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto (que engloba as 100 empresas de capital de aberto mais líquidas – link no final do Blog) fiz uma conta simples, usando como salário médio (não usei mínimo !!!) o valor de R$ 3 mil, com 16 salários (13 + 3 de remuneração variável ou R$ 48 mil/ano). O resultado é estarrecedor:

·         Excluídas as 30 empresas que escondem informações (lembram da lista negra publicada na postagem de 18/10/2013?), nada menos que 21 empresas estariam com uma relação superior a 100 vezes !!

·         Algumas chegariam ao número absurdo de mais de 200 e até 300 vezes, como a empresa das loiras geladas (327), uma certa bolsa de valores (231), uma outra incorporadora que tem nome que parece ingrediente de salada do Cafeína (240) e uma que negocia planos de saúde (ou algo parecido com isso) com 390.

Mas como por aqui o investidor é cego a farra continua indefinidamente....

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

24 de novembro de 2013

Quanto vale um CEO? O efeito nefasto dos supersalários.

Um amigo do Blog me presenteou com dados de uma pesquisa publicada na Bloomberg Business Week de 20/2/2013 que revelam a relação com a média de salários de algumas grandes empresas. Os números impressionam (ref. 2012):

·         RONALD JOHNSON – J. C. Penney – US$ 53,3 milhões (1.795 vezes)
·         MICHAEL JEFFRIES – Abercomble -  US$ 48,1 milhões (1.640 vezes)
·         DAVID SIMON – Simon Property -  US$ 137,2 milhões (1.594 vezes)
·         HOWARD SCHULTZ – Oracle -  US$ 96,2 milhões (1.297 vezes)

Será que a era dos “CEOs Rambos” ainda não acabou? Será que um desses “iluminados” é capaz de gerar mais riqueza para uma dessas empresas do que um bom profissional de P&D? Esses profissionais se sentirão estimulados com uma política de remuneração de privilegia uma casta? Ou será que o dia deles é de 48 horas e por isso eles merecem ganhar mais de 1.000 vezes a remuneração média das empresas que presidem? Depois reclamamos dos políticos brasileiros...

E aqui no Brasil? Estou fazendo umas contas com base no Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto e parece que teremos surpresas desagradáveis.

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

17 de novembro de 2013

Está procurando um super presidente de conselho de administração?

Não precisa ligar para o Warren Buffett.... Uma leitura atenta do Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto (dados de 2012 - link no final do Blog) nos revela que existem 6 “iluminados” nessa condição, a saber:

·                 Uma certa empresa que monopoliza o mercado de cerveja no Brasil pagou R$ 10,338 MM/ano;
·                 outra que produz ônibus com sede no sul desembolsou R$ 4,410 MM/ano;
·                 uma X da vida pingou R$ 3,112 MM/ano na conta do superconselheiro;
·                 uma dessas que é dona de shoppings centers e tem sede no Rrrrrio de Janeiro foi generosa e pagou R$ 2,080 MM/ano;
·                 uma empresa de seguros: R$ 7,821 MM/ano; e
·                 uma fabricante de carrocerias/peças automotivas também sulista (R$ 2,542 MM/ano).

Partindo do pressuposto que um conselheiro de administração está afastado da gestão e que, portanto, dedica somente parte do seu tempo à Cia., não vou entrar no mérito se o “iluminado” merece R$ 10 milhões/ano para atuar como conselheiro. A prática diz que a remuneração “normal” de um conselheiro de grande empresa (faturamento acima de R$ 1 bilhão/ano) é de R$ 18 mil/mês. Mas quando o conselho está “infestado” de conselheiros eleitos pelos controladores a remuneração pode chegar a R$ 50 mil/mês. Mas nunca chega a milhões por ano !!!

Causa estranheza o fato dessas empresas oferecerem remunerações “neymarianas” somente para os presidentes dos conselhos de administração, que coincidentemente são controladores ou eleitos por esses grupos. Afinal, o que podemos pensar dos subsubsubconselheiros, que receberam respectivamente R$ 335 mil (empresa de cerveja), R$ 1,174 MM (ônibus), R$ 70 mil (X), R$ 108 mil (shopping), R$ 54 mil (seguros) e R$ 188 mil (carrocerias) no ano? Dedicam pouco tempo aos conselhos? Contribuem pouco e por isso ganham uma remuneração simbólica quando comparada à remuneração dos “iluminados”? Será somente uma “verba paletó”, para sair bonitinho na foto do Relatório Anual?

Queridos leitores e investidores, isso não cheira a distribuição disfarçada de lucros?

Essa situação me faz lembrar o trecho do livro “Chatô – O Rei do Brasil”: “Mas eu fiz exatamente como me mandaram. Há um documento oficial lá com o caixa, não fiz nada sem contabilização”. Ao retornar à Tesouraria dos Associados o diretor encontra um pedacinho de papel onde estava escrito à lápis: “Levei tudo. Assinado, Assis Chateaubriand”.

É isso: tem gente passando no caixa das empresas e levando tudo, com a complacência dos investidores que lavam as mãos aprovando a verba global na assembléia anual.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

11 de novembro de 2013

Quanto vale a reputação?

O sambinha do irreverente bloco de rua carioca “Charme da Simpatia”, cantarolado na década de 80, dizia assim:

“Eu vesti roupa o ano inteiro,
Eu fui direito,
Tive até reputação.... reputação !!!”

Agora, queridos leitores, compare o singelo sambinha com a seguinte manchete: “J.P. Morgan tenta recuperar reputação com acordo histórico” (jornal valor do dia 21/10/2013). Valor do “acordo”: US$ 14 bilhões (bilhões mesmo !!!) para “resolver acusações civis apresentadas pelo Departamento de Justiça e a Agência Federal de Financiamento Habitacional dos EUA”. Tradução para o termo “resolver”: encerrar/engavetar os processos, sem confissão de culpa....

E o que o caro leitor acha do caso de uma renomada empresa de auditoria que pagou US 99 milhões para “encerrar uma ação coletiva que acusava a firma de auditoria de enganar investidores ao aprovar os balanços do banco Lehman Brothers antes de sua quebra, em 2008” (jornal Valor de 21/10/2013)? O comercial das Casas Bahia diria: tá barato pra caramba.

E, por último, a manchete que ajuda a pavimentar todo tipo de acordo para proteger essas grandes instituições e seus dirigentes arrogantes, incompetentes e, acima de tudo, gananciosos: “Reputação é valor jurídico subjetivo, mas deve ser verificado com rigor” (jornal Valor do dia 5/11). Hahahahaha... Mas quem vai verificar, cara pálida? O mesmo procurador que propõe um acordinho de milhões que compra de volta a reputação? E pela lei de mercado, se alguém compra é porque tem alguém para vender....

É melhor mesmo ir junto com o Charme da Simpatia, cujo trecho final do sambinha dizia assim:

“E se você não aceitar,
Essa minha resolução,
Deixe isso para lá
Aproveite o visual,
Que eu tô muito doidão: quero ficar peladão”.

Pois é, os reis estão todos nus.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

2 de novembro de 2013

Remuneração variável agressiva, loucuras para fazer EBITDA e os fiscais do ISS...

Das empresas que mencionei na última postagem, aquelas que abrigam as versões tupiniquins de Jack Welch e Warren Buffett, a parte variável representa de 69 a 80% da remuneração total das diretorias !!! (segundo dados coletados no excelente Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2013 da Revista Capital Aberto)

Atrevo-me a dizer que é incentivo demais. Dessa forma a tendência é ser arrojado para garantir alguns milhões na curta passagem pelas empresas, na linha “farinha pouca meu pirão primeiro”.

E não é de se estranhar que uma empresa de capital aberto seja alimentadora do “ISSduto” revelado pela imprensa. Tudo feito por SPEs (sociedades de propósito específico controladas pela incorporadora corruptora), ou seja, com cortina de fumaça para encobrir o desvio.

Outras virão: é uma questão de tempo.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves