Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

31 de agosto de 2013

Sustentabilidade: desmascarando as empresas enganadoras.

O relatório da BM&FBovespa traz uma lista das empresas que elaboram relatórios de sustentabilidade (em http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/mercados/download/Lista-empresas-sustentabilidade.pdf).

Elaborado no formato “pratique ou explique”, o relatório traz desculpas esfarrapadas de empresas que usam o termo “sustentabilidade” à exaustão, sem qualquer compromisso com a verdade.

Que tal os investidores começarem a ameaçar essas empresas com a saída do papel? Não é só elaborar o relatório, tem que provar que faz algo diferenciado, medidas efetivas, duradouras, que reflitam em processos produtivos com menos impacto....

O Encontro Previ de Governança Corporativa, realizado nos dias 26 e 27/8, trouxe bons exemplos. Mas também nos fez pensar que, para alguns CEOs, é mais importante crescer no curto prazo, adquirindo concorrentes, do que criar bases sólidas para um crescimento regular e constante. Felizmente parece que os “CEOs rambos” são uma raça em extinção (oh raça !!!).

Próxima tarefa: criar uma lista negra das empresas que sonegam informações sobre remuneração de executivos, se aproveitando sorrateiramente de uma liminar de um instituto chapa branca. Não vale só reclamar do sigilo nos votos para o presidiário-deputado Donadon.

Abraços a todos e uma boa semana,

 Renato Chaves

24 de agosto de 2013

Os conselhos de administração constroem estratégias de fato?

Existe o sentimento que os conselhos de administração no Brasil não formulam estratégias. Ou seja, os conselhos simplesmente analisam e votam as estratégias formuladas pela Diretoria.

Seria algo parecido com o que Ram Charan classifica de conselho de administração ritualista. No linguajar popular, o conselho “come na mão” dos executivos.

Hipoteticamente, a estratégia de diversificar geograficamente a produção em uma mineradora (África por exemplo) ou investir em uma nova linha de aviões (aviação executiva por exemplo) seriam estratégias nascidas das mãos dos executivos, pois os conselhos não teriam visão/conhecimento de mercado suficientes de mercado para construir tais estratégias. São os executivos que criam idéias ufanistas de comprar empresa na Suíça, por exemplo, sem que o conselho tenha dado a orientação estratégica para que a empresa procurasse ativos para comprar (qualquer semelhança com a realidade é obra de novela de TV)...

Pense nisso antes da sua próxima reunião....

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

16 de agosto de 2013

Cobramos ética na política, mas e no mercado de capitais?

Imagine a cena de um certo prefeito paulista (atual deputado federal) desviando recursos de uma obra superfaturada para uma conta em um paraíso fiscal britânico. Agora imagine o policial militar que usa a informação privilegiada da realização de uma blitz para proteger um famoso traficante. Repulsivo, vocês não acham?

O uso do cargo para a prática de crimes é repudiado por todos os homens de bem, menos no mercado de capitais. Sim, isso mesmo, pois verdadeiros bandidos usam o cargo que ocupam para realizar operações com ações e todos acham normal que esses “elementos” (é assim que supostos meliantes são tratados nos meios policiais) assinem termos de compromisso com a CVM para engavetar as acusações. Sem inabilitação eles continuam livres para atuar, deixando os investidores tão desprotegidos quanto os cidadãos que pagam impostos.

A aceitação de mais um “terminho” de compromisso no dia 25/6 traz o perdão, sem confissão de culpa, a um Gerente de Relações com Investidores e um Analista de Relações com Investidores que foram acusados de uso de informações privilegiadas na negociação de ações da empresa onde trabalhavam. Na mesma linha deveríamos achar normal o ex-prefeito propor um termo de compromisso para apagar os desvios passados e continuar a atuar na política livremente.

Como diria Milton Nascimento em “Trem de doido”:
Nada a temer, nada a combinar
na hora de achar o meu lugar no trem
e não sentir pavor dos ratos soltos na praça.

Que tal copiarmos o mercado norte-americano e mandarmos meia dúzia de insiders para a cadeia? Pelo menos inabilitá-los para atuar no mercado... Ou será que só interessa copiarmos de lá os pacotes de remuneração para administradores?

Os ratos estão soltos na praça; sugiro que cada investidor/gestor crie a sua lista negra de insiders que assinaram termos de compromisso, uma seleção natural diante da passividade “monetarista” do xerife.
Abraços a todos e um bom final de semana,

Renato Chaves

9 de agosto de 2013

Remuneração variável para conselheiros: cadê os ativistas?

Pois é, ao longo da semana ouvi algumas defesas um tanto quanto acanhadas da remuneração variável para conselheiros. Por parte dos ativistas o silêncio é total. Estranho....

Ferramenta para atrair grandes “celebridades”? Todos nós sabemos que os chamados ex-BBBs não fazem um bom trabalho, até fogem da raia quando o bicho pega, né ministro? E tem muito conselheiro bom disposto a receber a “modesta” quantia de R$ 15 mil/mês.

E como ficam os conselheiros eleitos pelo controlador? Será que eles precisam ser “alinhados”. Vão poder comprar opções por um valor simbólico? É isso mesmo, alinhar todo mundo pelo valor da ação na bolsa, mesmo que sejam opções diferidas ao longo do tempo? Seria até engraçado ver o Sr. X receber uma remuneraçãozinha variável...

E por falar em X, aquele ponto comercial que tinha tudo para virar um ponto de peregrinação na Cidade Maravilhosa – o Bar X, na Rua Barata Ribeiro, Copacabana – teve o seu letreiro misteriosamente coberto por um plástico escuro. Será que o rapaz do topete está lendo o Blog, ficou incomodado e comprou o bar? Que é estranho é... (queridas jornalistas que tal uma matéria sobre o mistério?).


Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves


3 de agosto de 2013

Remuneração variável para conselheiros: a nova “piada” do mundo corporativo.

Nada como um almoço com uma pessoa inteligente, que nos faz refletir sobre temas realmente importantes. Diante da passividade dos investidores (é o silêncio bastante parecido com a estupidez, como citado por Eduardo Galeano em seu livro “As veias abertas da América Latina”), cresce a “verdade” de que conselheiros de administração devem receber remuneração variável para “alinhar interesses” (!!!). Nota: o idiota do blogueiro achava que só tínhamos que alinhar os interesses dos executivos.... Afinal, jabuti não sobe em árvore, se está lá foi gente ou foi enchente... Conselheiro não nasce conselheiro, e o compromisso dele é com a empresa... Reza a lei.

Tamanha insensatez carece de fundamentos. Vamos aos fatos:
1)   Os conselhos definem estratégias, ou seja, tomam decisões de longo prazo. Ex: investir recursos na construção de uma fábrica no Oriente Médio. E monitoram a execução;
2)   Se o mandato padrão é de 2 anos, podendo o conselheiro não ser reconduzido, como será definido o conjunto de metas para suportar o pagamento de remuneração variável? A fábrica só vai ficar pronta depois de 3 anos e provavelmente os resultados só poderão ser mensurados depois de 5 anos. A empresa vai pagar antecipadamente a remuneração variável?
3)   E se a estratégia se revelar uma verdadeira catástrofe, o conselheiro vai devolver o dinheirinho que recebeu?

Remuneração de conselheiro de administração deve ser 100% fixa, em valor suficiente que seja atrativa, mas não excessiva a ponto de desestimular o conselheiro a “chutar o balde”, caso seja necessário. (dica: R$ 12,5 mil/mês nas empresas maiores e R$ 10 mil nas menores).

Resumindo caro investidor, ACORDA !!!! Especialmente nas empresas de controle difuso, onde o conselho manda e desmanda.


Abraços a todos e uma boa semana,


Renato Chaves