Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

28 de junho de 2013

Conselho de notáveis: e os ex-BBBs foram embora.

Como diria Chico (em "Você não ouviu"): "as rosas vão murchando, e o que era doce acabou-se".

Digo e reafirmo: conselheiro independente amigo do dono é acima de tudo um dependente emocional. Algum investidor perguntou se os ex-BBBs tinham remuneração diferenciada? Parodiando o poetinha em seu Soneto de Fidelidade, na mesa do Bar Vilarinho: é infinito enquanto dure....

Conselheiro é como jabuti, não nasce conselheiro, não surge do nada como conselheiro, da noite pro dia. Assim como jabuti não sobe em árvore.... Se está lá foi gente, ou foi enchente.

E no melhor estilo capitão "Naxcimento" o controlador fala para os seus "comandados", todos famosos ex-BBBs: pede pra sair !!! É assim que funciona, o resto é defesa de tese na USP.

Abs a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

23 de junho de 2013

A farra dos bônus: e de onde não se espera nada pode vir algo interessante...

Londres é a antítese perfeita da Cidade Maravilhosa: cidade sombria, chuvosa, calor humano compatível com a temperatura média da cidade. Um horror. Ok, tenho traumas por ficar preso no metrô durante os ataques terroristas de 2005, quando acontecia o ICGN, mas o fato é que a cidade e seus habitantes não são simpáticos.

Mas não é que vem de lá uma proposta interessante: bloquear o pagamento de bônus por 10 anos (publicado no jornal Valor "
Bônus de bancos podem ser retidos por dez anos"). A proposta só atingiria os dirigentes de bancos, os escroques que manipularam a Libor, mas já é um começo.

E por aqui a farra continua: é bônus de contratação, bônus de retenção e bônus de saída, além dos bônus regulares por resultados anuais. Uma vergonha, considerando que não existe contrapartida nos resultados da Cia e dividendos para os pobres investidores. Será que uma passeata na Av. Paulista fará o mercado acordar?

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

16 de junho de 2013

As empresas inimigas da transparência, mas amigas das crianças, do hospital de Caraguatatuba e com “carimbo” de boa governança.

Pois é, queridos leitores, a famigerada liminar que serve de refúgio para os executivos que sonham um dia lançar um livro contanto suas trajetórias de sucesso, ao melhor estilo do “Trio Parada Dura” (aqueles que torram R$ 15 milhões para engavetar investigação de insider trading na CVM), ganhou fôlego com mais uma recente decisão do nobre titular da 5ª Vara Federal. Observação interessante: o tal instituto que patrocina a ação é de executivos financeiros e não de CEOs, e boa parte dos "protegidos" pela liminar são residentes e trabalham em São Paulo e se filiaram ao instituto carioca somente para buscar a tal proteção, alguns após a 1ª decisão do nobre Juiz. É o que se chama de “chapa branca”, que nas palavras de um amigo advogado levantaria dúvidas sobre uma possível fraude processual. Basta perguntar a cada um dos novos filiados onde fica o Bar do Gomez para comprovar a farsa (dica: é com Z mesmo e não fica em Ipanema).

Meritíssimo, sinto informá-lo que o Sr. foi induzido ao erro. Isso porque a informação que colocaria em risco executivos de empresas de capital aberto sempre esteve disponível na WEB. Vejamos o caso da empresa que tem nome de monumento carioca, vive na mídia e outro dia foi acusada de ludibriar consumidores (por prática de preços diferentes entre a gôndola e o registro no caixa). A ata da AGO do dia 17/4, publicada no site da CVM, afirma que a remuneração global anual da Diretoria será de até R$ 33.857.161,91. Considerando que empresa tem 8 diretores a divisão simples revelaria que cada um irá receber até R$ 4.232.145,23 !!! Mas vamos imaginar que o potencial sequestrador é um expert em governança corporativa que sabe que o diretor presidente recebe mais do que o restante dos diretores. Que tal 30% a mais, para sermos conservadores? Isso daria uma remuneração anual de R$ 5.302.928,97 para o presidente e R$ 4.079.176,13 para os demais diretores !!! Algum deles foi sequestrado? Não, nobre Juiz. E algum CEO de alguma empresa de capital aberto foi sequestrado? Não, nobre Juiz. E todos nós sabemos a razão: montar uma estrutura para sequestrar um executivo é cara e em dois minutos os BOPEs da vida irão às ruas para elucidar o caso. Sob a ótica de risco/retorno o sequestro relâmpago, na porta de agências bancárias, é mais eficiente, segundo os jornais.

E o pior é que 29 dessas empresas covardes, que não tem a coragem de acionar diretamente a CVM, compõem o Ibovespa (quase 50% das empresas do índice !!!), ou seja, a nata do mercado, o "ó do bobó" sob a ótica da liquidez/valor de mercado. Mas sob a ótica da transparência a nata vira lama.... e não adianta falar que é do nível 2³ de listagem, que patrocina congressos de governança e é filiado aos institutos da vida, pois o que vale não são as palavras, os carimbos e os banners, mas sim as atitudes. Nesse caso, a empresa que se esconde covardemente atrás de uma liminar, muitas vezes à revelia dos seus conselhos de administração, é inimiga da transparência.

Lá fora a revolta dos investidores ganha força. Uma linha de atuação tem sido comparar as remunerações galácticas dos executivos com a remuneração do funcionário comum: na British Petroleum, ex-CEO chegava a ganhar 63 vezes mais que funcionário comum, segundo o NYT !!! Um absurdo, afirmava a reportagem. Por aqui, sabendo que alguns executivos chegam a ganhar R$ 4 milhões/ano, não é difícil imaginar que essa relação passa de 300 vezes.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

8 de junho de 2013

Abaixo a ditadura !!! E os gatos gordos...

Calma leitores, nada de revanchismo contra a turma de pijama. Mas como faço parte da maioria do mercado classificado na categoria “homem probo” sou contra ideias totalitárias, como “partido único”, . E por que haveria de ser a favor de uma bolsa de valores única?  Acreditem, existe vida além da Bovespa...

Nunca conversei com qualquer representante/enviado de bolsas estrangeiras, mas a força do mercado é impiedosa... Foi assim que o prédio da Bolsa do Rio virou um grande condomínio de escritórios (e que vista !!!). E porque não dar o mesmo destino ao imponente prédio da Rua XV de Novembro? Lembrando que a Bolsa do Paquistão já provou que é competente.... E eu que achava que no Paquistão só existiam bolsas de apostas para acertar o dia da guerra nuclear contra a Índia (toc toc toc na madeira). Quem será o garoto propaganda, já que lá não existe um Édson? Será o falecido Bin Laden?

Confesso a minha ignorância para muitos assuntos, mas ela não me impede de ler uma ata de AGO e verificar que a verba global aprovada para o pagamento de Administradores que "lideram" a listagem de incríveis 353 empresas brasileiras (no nosso invejado Paquistão são 573 !!!) chegou a incríveis R$ 22.251.484,97  !!!! E só tem notáveis, os chamados ex-BBBs (a definição de ex-BBB está na postagem de 17/03/2013)...

Já ouvi gente famosa falar que a culpa é do brasileiro, gastador inveterado que não tem a “cultura” de investir em ações. E do Governo, que estimula a gastança... Ora bolas, brasileiro já comprou boi gordo, avestruz e investiu em siderúrgica em plena floresta amazônica. Existia a cultura de investir em fundos imobiliários? Fico pensando como os paquistaneses que vivem nas montanhas devem consultar as cotações de ações da bolsa de Karachi. Meus queridos leitores, lugar de gato gordo é na Folha de SP (caderno Ilustrada), na coluna do rechonchudo Garfield (com o devido copyright - estou devendo um almoço por essa, mas tem que ser no La Fiducia...).

Que venham as NYSEs, NASDAQs, Euro-não-sei-o-que... Caso contrário o pacto pela mesmice poderá nos levar a ver surgir uma proposta de “fusão hostil” para criação de uma "Boveska" (fusão com a famosa bolsa de valores de Karachi-Paquistão) ou “Bovesta” (fusão com a bolsa da Tailândia). Quando o assunto é mercado de capitais deve prevalecer a regra do livre mercado, ou seja, quem não tem competência deve pular fora.... Será que alguém discorda?

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

1 de junho de 2013

PAC-PME: porque existe vida além do Ibovespa.

Os textos do analista André Rocha, blogueiro do jornal Valor (veja no blog “O Estrategista” em http://www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/3068560/estagnacao-da-bolsa-faltam-investidores-ou-cias e http://www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/3072946/estagnacao-da-bolsa-o-debate-continua) trazem um debate instigante e bem fundamentado sobre a triste realidade do nosso mercado.

Sou da opinião que faltam ativos. Tenho discutido muito com gestores de fundos, não a turma “MMA” que só quer tumulto para arrumar “algum $$”, mas a turma séria que corre atrás de bons ativos com base na análise fundamentalista.

Não podemos ficar parados, envergonhados e lamentando termos quase o mesmo número de empresas listadas que Mongólia e Vietnã. Mas parece que fazer palestra na praia, mesmo que seja para os endinheirados que freqüentam o Guarujá, não tem surtido efeito.

Tenho a impressão de que o investidor está de saco cheio de renda fixa, mas também não quer ficar na mesmice das ações que compõem o Ibovespa ou entrar em um fundo que adquire títulos das “novas” estrelas do mercado de bônus internacionais - Belarus, Zâmbia, Geórgia, Bolívia, Tanzânia, Paraguai, Angola, Nigéria, Albânia, Montenegro, Jordânia, Honduras e as novatas Papua-Nova Guiné e Ruanda (lembram do filme “Hotel Ruanda”? Deve ser um ótimo ambiente de negócios...).
Diante dessa realidade é que o espaço Blog da Governança irá apoiar formalmente a iniciativa chamada PAC-PME (veja o link http://www.pacpme.com.br). Mais formalização dos negócios, difusão das boas práticas de governança corporativa, geração de empregos, etc, etc. Todos ganham, e não somente os bancos de investimento, ganhadores vorazes e contumazes nos IPOs. Não sou um louco sonhador que vislumbra a possibilidade de quebra do poderoso lobby da Imprensa nacional e dos jornais, permitindo a publicação de demonstrações financeiras simplificadas, nem a redução da freqüência de exigência de auditoria externa (poderia ser semestral ou até anual para as empresas do Bovespa Mais...), mas dá para mexer em outras regras “burras”.

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves